Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Quebrar estereótipos

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O mundo já sabe o que não dá certo. Escolarização em lugar de educação. Instrução em lugar de cultura. Erudição em vez de humanismo. Essa receita produziu uma sociedade consumista, egoísta, narcisista e desinteressada de pensar no próximo. Criou a exclusão, multiplicou a legião dos invisíveis. Aqueles que ocupam os desvãos da periferia e não merecem consideração ou respeito. 

Discursos vazios a nada levam. É por isso que a política se tornou um campo minado. Ninguém acredita na possibilidade de mudar os costumes nefastos da confusão entre a coisa pública e a privada. Cada vez mais difícil recrutar gente séria para disputar cargos eletivos. E isso não é bom.

É urgente constatar que nem tudo está perdido. O Rio de Janeiro é um exemplo de quebra de estereótipos. Favela, que era sinônimo de marginalidade, delinquência, zona de perigo a ser evitada pelas pessoas de bem, a partir das UPPs tornaram-se espaço frequentável. Foi nas favelas que se produziu o Calendário Pirelli deste ano. Publicação famosa por ostentar mulheres em trajes sumários, hoje estampa somente top models que escolheram trabalho humanitário como opção existencial.
 
Estrangeiros querem se hospedar nas favelas, onde desfrutam da melhor vista da urbe que o descaso não conseguiu enfear. O Rio continua a ser a Cidade Maravilhosa. Se ali foi possível a recuperação, por que não fazê-la também nos demais lugares? São Paulo tem mais de mil favelas. Mesmo Jundiaí tem lugares perigosos que precisam de regeneração. 
 
A urbanização sem planejamento, a falta de fiscalização, a indústria da propina e outros males fizeram germinar comunidades irregulares. Mas para tudo há remédio. A regularização fundiária é um caminho. Ele só funcionará se houver uma coesão de forças em torno de um projeto arrojado. Profissionais da saúde, da promoção social, da arquitetura, do urbanismo, da pedagogia e do direito, poderão recrutar o voluntariado jovem do universitário que nem sabe o que significa extensão, um dos pilares da Universidade brasileira. A vontade produz milagres na quebra de estereótipos. E todos só terão a ganhar com isso.  

* JOSÉ RENATO NALINI é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.
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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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