Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um lugar melhor

Deixe um comentário

A vocação de cada ser humano é fazer do mundo um lugar melhor. Essa a única razão que justifica haver nascido. Se o planeta ficar pior depois de minha chegada, por que foi que eu nasci? Ter consciência dessa missão é imprescindível para que as pessoas se compenetrem do que devem fazer durante este curto período de permanência entre os vivos.

Mas o mundo não anda bem, sinal de que a lição não foi aprendida. A violência faz vítimas e agora em todos os quadrantes, não mais na periferia. A lei diz uma coisa, a realidade escancara outra. Há um Estatuto do Desarmamento, mas as mortes diuturnas são perpetradas com armas de fogo. Pessoas continuam a ocupar passeios, praças, desvãos do comércio.

Ninguém se sensibiliza com isso. Não se chega a um acordo sobre se é conveniente interná-las compulsoriamente ou, como se diz numa forma eufemística, impingir-lhes internação involuntária. As mortes no trânsito traduzem uma falta de educação intensificada à direção de automotores. 

Quem não respeita o próximo nas relações do dia-a-dia, torna-se uma fera ao volante. Tolerância zero pode assustar por alguns dias. Logo se cai no marasmo. A resposta à criminalidade continua a ser o cárcere. Não se leva a sério a situação caótica do sistema prisional, que teria de contar com uma prisão por mês apenas para abrigar os indivíduos que já têm mandados de prisão expedidos. 

Há toda uma indústria a insistir na edificação de presídios e na multiplicação do sistema de administração penitenciária. A sociedade que produz infratores parece não se incomodar com o fato de ter falido o sistema preventivo. A repressão é a palavra de ordem. Só que ninguém quer cadeia perto de casa. Cadeia boa é no município do outro. Bem distante daquele em que se habita.

Educação de berço não é mais responsabilidade dos pais. Exige-se da escola. E esta não dá conta de suprir aquilo que deveria vir do berço. As crianças são mimadas, não podem ser repreendidas, senão ficarão traumatizadas. “Ai de quem mexer com meu filho!” é a palavra de ordem dos orgulhosos pais de seus pupilos tiranos. Será que o mundo está caminhando para se tornar um lugar realmente melhor?

JOSÉ RENATO NALINI é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

Anúncios

Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s