Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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O Brasil comemora a inserção de milhões no mundo do consumo. Excluídos de toda a ordem, mercê das bolsas, passaram a integrar uma classe superior. É importante que todos comem. Mas nem só de pão vive o homem. O que tem sido feito para combater a indigência moral? Verdade que já ninguém sabe hoje o que significa “moral”. Por mais se escreva sobre ética, presente em todos os discursos, continuamos a enfrentar insolúveis dilemas morais.

Para certa postura hipócrita, imoral é aquilo que afronta os costumes, mormente de viés sexual. Já a maledicência, a inveja, a ambição, a exploração do outro, a insensibilidade, tudo isso seria amoral. Não entraria no débito de cada um de nós perante a divindade, perante o próximo e perante alguma coisa que em muitos não existiu nunca ou já morreu: a própria consciência.

Entre a linha deontológica, de Platão e Kant e a orientação consequencialista, de Bentham e Stuart Mill, produz-se muita teoria. Mas a prática é capenga. Pífia. Envergonha uma nação. Vivemos um imoral faz de conta. Cada qual cuidando da própria vida e se desinteressando da comunidade. Todos podem ostentar certa simpatia por causas nobres. A inclusão da pobreza, a redução da violência, a proteção à natureza. 

Mas, concretamente, o que se faz nessa direção? Critica-se o governo, que é mero delegado nosso. Quem escolheu os representantes? Aparenta-se uma indignação contra os abusos, mas ficamos aí. Os que enxergam um palmo além do nariz têm responsabilidade maior em relação aos verdadeiros cegos, que são os desprovidos de discernimento. Aqueles iludidos na propaganda, no consumismo e felizes quando satisfazem os instintos mais primitivos.

Se quisermos um futuro menos sombrio para este país jovem, mas que já foi muito melhor do que hoje é, teremos de arregaçar mangas, pisar “o chão da realidade” e tentar abrir os olhos de todos. Não mediante uma escolarização sofrível, mas por um processo educacional que é outra coisa: aprender a ver, a discernir, a opinar, a participar. É um processo que não tem termo final. Dura toda uma existência. E deveria ter começado um século antes do ser educando vir à luz.

JOSÉ RENATO NALINI é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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