Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

A sinfonia excelsa da vida

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Quem lê a biografia de Francesco Matarazzo, o empreendedor que construiu um império no Brasil e arredores, não pode recusar a estupefação diante do pioneirismo desse italiano. Seu nome era trabalho, pois até depois dos oitenta acordava de madrugada, ia para as fábricas antes dos operários, depois despachava no escritório, almoçava em sua casa e voltava ao serviço até altas horas da noite.

Conhecia cada colaborador, muitos deles chamados de sua origem na península – Castellabate – e acompanhava as vicissitudes de suas existências, participando das alegrias e dores de cada família. Seu hobby era observar as pessoas, lê-las, adivinhá-las, como diz o biógrafo Ronaldo Costa Couto. Ao contemplar a multidão que já tomava São Paulo, de sua janela no escritório da Rua Direita, exclamou: 

“Veja o espetáculo que nos oferece a humanidade! Eu acho um interesse especial perscrutando o rosto de cada um que passa. Cada qual carrega consigo um sonho, um projeto. Talvez tenha no seu âmago uma comédia para confeccionar. Uma tragédia para solucionar. E todos compõem a sinfonia excelsa da vida”. Essa sinfonia excelsa da vida é o que deveria encantar cada criatura, para enxergar no semelhante um desafio a ser desvendado, um tesouro a ser descoberto. 

Todo ser humano é um complexo de atributos e características. Se não há perfeição absoluta, não existe também a absoluta imperfeição. Sempre se descobre algo a ser reconhecido como útil, conveniente, meritório ou benfazejo. Essa a maravilha da espécie considerada racional, o ápice da criação. Quem edifica uma obra genial percebe que o importante é a pessoa, não a matéria. 

Pouco resta a quem se predispõe a vencer na vida sem considerar as qualidades do próximo, sem respeitá-lo, sem reconhecer a dignidade ínsita a cada integrante da única e exuberante raça humana. Os verdadeiros vencedores são aqueles que não se esqueceram da fragilidade do homem.

Miserável criatura, caniço pensante, falível e viciada, mas capaz de se erguer e de enfrentar as intempéries, sabendo que sua vocação é a perfectibilidade. Ousar, desafiar, reencetar o rumo e aguardar melhores oportunidades, ventos favoráveis, em direção ao sonho infinito.

JOSÉ RENATO NALINI é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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