Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

O que faço para ser ético

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A ética é o combustível de que a sociedade não prescinde para subsistir como forma civilizada de convívio. É algo espontâneo a qualquer pessoa normal, ou seja, sem patologia comprometedora de sua higidez. É uma parte – a mais importante – da Filosofia, pois aquela destinada a fazer as pessoas menos infelizes.

Filosofar é algo que todos fazem, mesmo que não saibam ou não pensem a respeito. Filosofia é o cultivo da amizade com a sabedoria. No sentido de sapiência, saber viver, não necessariamente o conhecimento adquirido na escolarização formal. Todos filosofam, pois às vezes somos acometidos por aquelas perguntas irrespondíveis: “Por que nasci? O que estou fazendo aqui na Terra? Por que vou morrer? O que me espera depois da morte?”

Queiramos ou não, essas questões de quando em vez nos atormentam. Os filósofos são os pensadores que tentam dar respostas a essa inquietação. Epicuro já dizia: “Vã é a palavra do filósofo que não cura o sofrimento do homem. Pois assim como nada se ganha na medicina quando ela não expulsa as doenças do corpo, nada se ganha na filosofia quando ela não expulsa o sofrimento da mente”.

O sofrimento da consciência deve surgir sempre que alguém machuque outrem. O semelhante é o próximo, é o igual, é – na verdade – o idêntico. O grande projeto do genoma humano comprovou inexistir diferença entre os homens. Caíram por terra os preconceitos baseados em etnia. Não há raça, não há distinção, há uma só espécie humana. Por sinal que também inexiste grande diferença entre os animais, sejam eles os autodenominados racionais e os irracionais. Algo cientificamente comprovado. Conclusão que deve nos conduzir a uma condição de humildade e modéstia. Ninguém é melhor do que ninguém.

Aquilo que não surge pelo convencimento provindo da consciência, advirá por força da lei. A vontade humana pode produzir regras impostas a todos os homens, para que a sociedade não se converta em um caos. Daí a tendência, cada vez mais intensificada, de aproximação entre a lei moral e a lei positiva. Hans Kelsen prestou um serviço enorme à ciência, construindo uma “Teoria Pura do Direito”. Mas hoje predomina o retorno ao jusnaturalismo: a lei moral é prévia e superior à lei positiva. Isso deve entrar na consciência jurídica e mudar o comportamento de quem se considera superior aos demais.  

JOSÉ RENATO NALINI é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.
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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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