Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Vidas enfermas

3 Comentários

Quando se entende que as vidas humanas estão enfermas, o filósofo tentará curá-las. É a mesma função do médico, em relação às doenças do corpo. Se a missão da medicina é recuperar a saúde do corpo, a missão do filósofo é recuperar a saúde da alma. O mundo oferece paradoxos incríveis. A ciência produziu fórmulas de combater doenças e de prolongar a vida. 

Ao mesmo tempo, a angústia se apropriou de grande parcela das mentes humanas. As pessoas se atormentam, sentem desconforto, estão permanentemente insatisfeitas. Sentimento que conduz à concretização de males físicos, orgânicos, em síntese corporais. Todos padecemos de alguma anomalia. Viver mais é sujeitar-se a apresentar mais dificuldades e mais defeitos. A máquina começa a ratear, a apresentar desgastes. É o roteiro normal da existência. 

Os orientais perceberam isso há milênios. Daí chorarem quando alguém nasce. É que ao nascer, toda pessoa começa a morrer. E um dia morre mesmo. Há doenças que exigem tratamento específico. Mas há outras que admitem grande variação. Tanto a psiquiatria, como a psicologia quanto a filosofia podem tratar do mentalmente enfermo. Hoje não há dúvida alguma quanto ao poder da mente. 

Há quem sustente, e com argumentos fortes, que é na consciência que nascem as enfermidades. Marco Aurélio já dizia que “a felicidade da vida depende da qualidade de nossos pensamentos”. E Epicteto, outro filósofo hoje esquecido, reconhecia que “as pessoas não são perturbadas pelas coisas, mas pelas visões que têm das coisas”. Ou seja: somos peritos em fantasiar, em complicar, em criar confusões. 

Quem já não experimentou o fruto amargo da maledicência? Há quem tenha ficado realmente enfermo, apavorado, complexado, infeliz, por causa de comentários maldosos. É muito importante concluir que nada de externo pode afetar você. Mas isso é o final de um aprendizado que pode durar a vida toda. 

Quantas pessoas conhecemos que levam tudo a ferro e fogo, que se irritam por qualquer motivo, que vivem “de mal com o mundo”? São pessoas infelizes. Nos santificam, no sentido de que nos aborrecem, testam nossa paciência e nossa capacidade de resistir à sua impertinência. Que elas nos sirvam ao menos para afastar de nós essa miserável enfermidade.

JOSÉ RENATO NALINI é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

3 pensamentos sobre “Vidas enfermas

  1. Professor

    Penso que qualidade de vida começa na mente realista. O problema é que o doente não percebe isso e se perde em fantasias.

    Abraços,

    Cristina

  2. A mente constituída de duas qualidades, bem e mal, se manifesta e exprime por esses extremos, interpreta e projeta seu mundo á luz dos condicionamentos.A sociedade determina quais monstros vamos conviver ou desmitificar; julgar ou ajudar? não faremos parte desse todo?até que nos elevemos acima da mente, não poderemos estar acima dos pares de opostos.

  3. Excelente!

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