Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

La Violetera

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Há coincidências infelizes como deixar o mundo exatamente na data em que alguém mais célebre também partiu. O caso mais comentado é o de Aldous Huxley, autor de “O Admirável Mundo Novo”, que morreu no dia em que assassinaram John Fitzgerald Kennedy. O mundo inteiro só se lembrou de JFK e o necrológio de Huxley mereceu algumas linhas. 

O mesmo ocorre agora com Sarita Montiel, que deixou esta esfera da existência na data em que a Terra se despedia de Margareth Thatcher. A “Dama de Ferro” mereceu todas as manchetes, enquanto “La Violetera” saiu de cena esquecida e pouco lamentada.

 

Entretanto, foi a maior estrela da Espanha entre 1950 e 1960. Chegou a fazer carreira em Hollywood, mas voltou à Espanha e se transformou em fenômeno de bilheteria. O filme “La Violetera” a consagrou. Era atriz, cantora e estrelava. Todos conheciam a música-enredo: “Quais aves precursoras da primavera. Em Madri aparecem, as ‘violeteras'”. 
Eram as moças pobres que vendiam pequenos buquês de violetas e praticamente imploravam aos compradores, frequentadores da noite madrilenha, que levassem os raminhos, “que não valem mais do que um real”. 

Veio ao Brasil e me encontrei com ela. Eram os tempos em que o “Terrazza Martini”, num dos últimos andares do Conjunto Nacional, recebia artistas e promovia encontros entre eles e a mídia. Bom datilógrafo, tive acesso à imprensa e depois de trabalhar no “Jornal dos 3 Fernandos” – Fernando Gasparian, Fernando Pedreira e Fernando Henrique Cardoso, – como era chamado “O Jundiaiense”, atuei na Folha de Jundiaí e neste JJ. Era convidado a participar desses encontros e dois deles me marcaram: Maurice Chevalier e Sarita Montiel. Cheguei a ser fotografado com ambos. 

Em 1975 Sarita Montiel abandonou o cinema, porém continuou a cantar. Voltou mais de uma vez ao Brasil. Em 2004, abriu uma exceção e fez o filme “Má Educação” com Pedro Almodóvar. Talvez não seja conhecida pelas atuais gerações. Mas marcou época. Foi cultuada e fez do mundo um lugar mais emocionante com seu charme, sua voz, sua homenagem às humildes vendedoras de violetas de seu País. Quando telefonavam a ela, que morreu aos 85 anos, passava-se por camareira. Mas era curiosa e admitia, a final, ser Sarita Montiel. E acrescentava: “Pero sigo muy guapa, he!” (Mas continuo bonita…). É como a conservaremos na memória afetiva, enquanto a mantivermos. 

JOSÉ RENATO NALINI é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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