Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Onde estamos?

2 Comentários

Não entendo o motivo da violência e dos excessos nas manifestações contra o aumento das passagens de ônibus. Reclamar é direito de todos. Fazer pressão junto ao Governo, também. Ocorre que o abuso não se justifica. Não é civilizado agredir pessoas, nem pichar prédios tombados como o Tribunal de Justiça, nem quebrar vidros de agências bancárias, nem queimar viaturas.

O que está acontecendo com o Brasil? O que se verifica é uma falta de compostura, uma perda total de limites, uma ausência total de controles travestida de liberdade de manifestação. Seria consequência do período de arbítrio, que sufocou o grito dos inconformados com o autoritarismo e, ao cessar, fez romper as barreiras da sensatez?

As grandes concentrações exteriorizam uma situação singular. Aquilo que a pessoa não tem coragem de fazer sozinha, ela o faz quando estimulada pela multidão. É o famoso “crime multitudinário”, praticado por uma coletividade enraivecida e irada. Por isso mesmo, somos chamados a civilizar a população. Pedir uma conduta adequada e pacífica.

Um comportamento compatível com o país que se autointitula emergente, a caminho da economia situada entre os primeiros seis Estados nacionais. Algo digno de uma nação que alcançou índices ótimos de quantificação educacional, que se orgulha de se livrar de parte considerável da miséria. O que não é possível é permitir que a cada passeata a população se amedronte, se aterrorize, tenha de se esconder e a insegurança geral se dissemine por toda a metrópole. Cabe impedir que os recursos sempre insuficientes para atender a todas as demandas, sejam desviados para consertar os ultrajes perpetrados por manifestantes irados. 

É preciso pedir juízo a todas as pessoas, igualmente chamadas a edificar uma pátria justa, fraterna e solidária. Basta comparar a população brasileira com a população da Índia. Embora os indianos sejam em número muito superior aos brasileiros, ali não existe o nível de violência aqui registrado. Falta educação, não no sentido de transmissão formal do conhecimento em estabelecimento escolar, mas num outro enfoque, muito mais sério: educar é treinar para um bom convívio. E um bom convívio é a coexistência pacífica, não a bagunça generalizada, a guerra de todos contra todos.   
 
* JOSÉ RENATO NALINI é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.
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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

2 pensamentos sobre “Onde estamos?

  1. Pois é, Professor Nalini! Infelizmente há sempre que destrua ao invés de construir, resultado talvez de inveja ou incapacidade, afinal, trabalhar em prol de algo é mais complexo do que contra… contra qualquer um faz. Mas eu fui às ruas assim como muita gente boa que conheço, aqui na cidade e em outras, e nelas não se viu vandalismo como a mídia tem valorizado. Sei que houve depredação de patrimônio público, uma vergonha, mas certamente a mídia tem tentado mostrar que é muito mais do que há. Uns poucos bandidos em meio às manifestações de gente de família, idosos e jovens, crianças até, não pode representar ou fazer minguar o desejo de mudança. Penso que o caro amigo compartilha de alguns sentimos semelhantes. Muita paz, abraços!

  2. Em minha cidade, fizemos 3 manifestações, Pedimos à PM através de oficio,que nos desse segurança, contra os mandatários da cidade, na primeira manifestação do dia 21 tínhamos quase 600 pessoas, em uma cidade de quase 30 mil habitantes. no segundo ato restou-nos 15, pois os coronéis amedrontaram os manifestantes pacíficos. O que não nos faltou foi vontade de quebrar tudo e ati ar fogo , mas não o fizemos, não por falta de vontade,por entender que haverá justiça em nossa cidade um dia, de um jeito ou de outro. no 3° ato dia 15/07 , esperavamos uma comitiva entrar em nossa cidade ,terra de coronéis advogados,corruptos,bandidos da pior qualidade,que sugam os recursos de um povo, O governo local e as autoridades faz de nós “Zumbis”. A nossa esperança era aquela comitiva da justiça. 5 Nacionalistas Patriotas viram a face de um homem chamado Ricardo, nossa esperança esta no homem que haverá de ser usado? Sergio Heitzman – Iguape – vale do Ribeira. Haveremos de morrer com glória. Estamos na luta,Fique na paz!

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