Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Padrinhos, inspirai-nos!

9 Comentários

No mundo egoísta, interesseiro e do imediatismo, esquecemo-nos dos nossos ancestrais. A morte leva os seres queridos e deles nos olvidamos com facilidade. É raro alguém morrer de saudades! Por isso é que se diz, na sabedoria popular, “viúvo é quem morre”. Quem sobrevive dá um jeito de se acomodar à nova realidade. 

Somos individualistas na vida familiar e no convívio institucional. Os padrinhos também já não são levados a sério. As pessoas aceitam o convite dos pais para batizar uma criança e ao menor desentendimento se desvinculam da criança à qual prometeram servir como substitutos da maternidade/paternidade biológica. 

Não é diferente em relação aos “patronos” de nossas conquistas. Quem se lembra do “paraninfo” nos vários diplomas, do Presidente da Banca que nos aprovou em algum concurso, do Patrono do colégio? 

Consciente disso e me incluindo no rol dos culpados desse crime de ingratidão, procuro às vezes me redimir. Agora mesmo, vejo que José Bonifácio, Patrono da minha Cadeira 40, na Academia Paulista de Letras, nasceu num 13 de junho há 250 anos. Só falei dele na minha posse, há 10 anos. Era um ecologista, um ser de vanguarda e profético. Merece ser chamado “o primeiro brasileiro”, diz Rubens Ricupero (FSP, 10.6.13). Não poderia mesmo ser perdoado pelos contemporâneos. 

Young da Costa Manso é meu patrono na Academia Paulista de Direito. Só fiz o seu elogio na minha posse. Mas tenho pensado nele todos os dias, desde que assumi a Corregedoria Geral da Justiça. Foi um incentivador, um homem superior, um espírito insuperável. 

Padre Belchior de Pontes é meu patrono na Academia Cristã de Letras. Estive há dias em Itapecerica da Serra e não sabia que aquele é um espaço em que o jesuíta brilhou e deixou senda inolvidável. Foi tão importante que sua biografia, escrita pelo companheiro de batina Pe. Manoel da Fonseca, foi apreendida e destruída pelo Marquês de Pombal. Nasceu em 1644 e faleceu em 22 de setembro de 1719 e seu nome é uma lenda na região. 

Nossa miserável memória se esquece com facilidade dos que foram importantes para nós e para a História. Como se não fizessem falta. Como se o mundo ainda fosse o mesmo depois de sua partida. Exatamente como acontecerá depois da nossa despedida deste triste planeta. 

* JOSÉ RENATO NALINI é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

9 pensamentos sobre “Padrinhos, inspirai-nos!

  1. É realmente triste como nosso país não tem a menor consideração e memória com tais nomes, e isso parte do pressuposto de que a Educação de nossos jovens vai de mal a pior. Sem Educação, sem cultura como poderemos lembrar dos nossos anteriores que fizeram história?

  2. Só alguém muito sensível e que deve refletir muito sobre as pessoas e a vida na sua essencia poderia escrever isso, vc
    escreve com o coração, parabéns, sou tua fã!!

  3. É espantosa a insignificância do homem em relação ao “ser”.
    Acho até que nós, seres humanos, amedrontados com a dor da perda e o temor à morte, criamos uma barreira para atenuar o sofrimento, o que jamais deve-se entender como “preparação”.
    Os pais orientam os filhos de como devem ser, mostram o que entendem da vida, tentam passar o que de melhor e sonham com um futuro próspero, mas só contam para o filho que a morte é um processo natural da vida, mais nada! Talvez pareça que o assunto é pesado demais para ser discutido.
    Anos depois, o “filho” depara-se com a realidade anteriormente citada pelos pais e dada a sua irreversibilidade, tenta manter viva as melhores lembranças, sobrevivendo, usando do tempo como o único analgésico para a dor.
    Talvez tenha sido a única saída que o homem encontrou para atenuar a dor da perda, mas esqueceu que será ele, um dia, parte do tempo e assim, como dito pelo pai lá no início, um processo natural da vida.
    Redundantemente a palavra TALVEZ se repete no texto, porque talvez um dia o homem atinja a magnitude à busca da “imortalidade “.

  4. Preciso enviar para minha madrinha e amiga Ligia

  5. São muito verdadeiras estas suas palavras, espero que todos nós possamos lembrar dos nossos padrinhos com o carinho que você demonstra para os seus. Abraços .Rosa Luporini

  6. Morremos sim, de saudades,isto acontece paulatinamente .A importância dos que se foram de nossas vida nos deixa um vazio muito profundo e isso acaba nos ferindo n”alma.Acabamos nos sentido perdidos,como um pássaro sem ninho,nada mais,é a impressão que tenho,tem mais graça.,valor em nossas vidas.

  7. Lembro-me com muito carinho e gratidão de pessoas queridas e importantes na minha vida. Hj ainda o Dr Roberto Maia, em visita ao cartório, segurou meu diploma nas mãos e orgulhoso falou: ” eu, como paraninfo, ajudei a te entregar”. Momento lindo e emocionante. Formei-me há 16 anos e nunca perdi o contato com ele e tantos outros professores amados. Sempre reconheci o valor desses seres, que, como o sr. bem lembrou, devem ser mais reverenciados. Também sou extremamente grata à Bia Furlan, ao Dr Vampré, à Geny, Biba e Marlene, minhas tutoras profissionais, que tanto me ensinaram e apoiaram. O sr. faz parte desse meu universo de “admiráveis”: jamais esquecerei da confiança que em mim depositou no sexto concurso, como sua suplente. Honra-me muito participar dessa revolução “correcional” que implementastes. Enfim, um forte abraço, obrigada por sempre despertar-me às reflexões.

  8. O que dizer de tão sábias palavras?
    Somente agradecimento em poder compartilhar.
    Obrigada.

  9. Pingback: Ecologista precoce | Blog do Renato Nalini

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