Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Dinheiro não é tudo

10 Comentários

O ser humano é uma criatura complexa. Precisa de muita coisa para sobreviver. Continuar a existir é um verdadeiro milagre, tantas as ciladas postas no caminho de reduzida extensão. Algumas décadas, nada mais! À medida que se ultrapassa o que seria – em tese – a metade da existência, constata-se que dez anos passam rapidamente. Demora é o tempo da doença. A espera do que não vem. Mas enquanto se vive bem, o calendário se acelera e não deixa perceber a passagem do tempo.

Durante a presente gestão à frente da Corregedoria Geral da Justiça, pensamos em propiciar ao quadro pessoal do Judiciário paulista alguma coisa concreta em termos de qualidade de vida. A Corregedoria é órgão disciplinador, de controle e fiscalização. Não tem benesses materiais a distribuir. Mas pode colaborar para tornar menos aflitiva a experiência funcional. O projeto “Qualidade de Vida” trouxe pessoas incríveis para conversar com os funcionários. Encontros presenciais e à distância, propiciados pelas tecnologias de comunicação e informação.

Ali já estiveram Ignácio de Loyola Brandão, José Pastore, os “rappers” Criolo e Dexter e, recentemente, a maravilhosa Lygia Fagundes Telles. Fala com espontaneidade o que lhe vem à mente. E tudo é um encanto. Inebria o auditório. Oportunidade excepcional de ouvir uma das maiores romancistas do mundo. Com a qual temos o privilégio de conviver.
Paulo Bomfim, seu amigo há mais de meio século, cuidou de incentivar um diálogo que emocionou todos os presentes. E até escreveu um texto, que ora partilho com meus fiéis leitores: “Lygia e seus personagens vão chegando na manhã. Surgem dos contos, das lendas, dos romances, das novelas. Vêm das Arcadas dos sonhos, das praças das nostalgias, das ruas de seu mistério. Lygia e seus personagens atravessam multidões. 
Varam os muros do tempo, assombram os casarões, sonham varandas de angústia. Vivem ruas de ternura e vielas de segredo. Aportam neste momento com seus perfis assombrados, suas capas de surpresa e roupagem de paixão. Lygia e seus personagens vão surgindo na manhã, apaixonam nossas vidas e chegam para ficar”. 

Nem só de dinheiro precisam as pessoas, mas de sonhos, fantasia e amor. 

JOSÉ RENATO NALINI é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.
Anúncios

Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

10 pensamentos sobre “Dinheiro não é tudo

  1. Obrigada por essas mudanças no judiciário. O extrajudicial também está mudando muito e isso me ajuda a buscar mais conhecimento. Sou grata por isso. Parabéns por seu exemplo.
    Ivanilza Rocha

  2. Traduz o mundo em textos, afeta a poesia com a mais pura cortesia.
    Fora dos muros da Academia o brilho fraco das palavras dissolvidas nas urgências do dia-a-dia.
    E o dinheiro…ah o dinheiro,a muito a moeda de troca foi substituída; hiperrealidade, que se convencionou chamar vida.
    “Nem só de dinheiro precisam as pessoas, mas de sonhos, fantasia e amor”.

  3. gostei muito, tem sido um trabalho dignificante, de um Mestre.

  4. A necessidade de resolver problemas, por vezes, fazem-nos esquecer que o mais importante são as pessoas, seus sonhos e principalmente o amor em todas as suas formas.
    Se todos pensassem como seria bom desenvolver o ser humano dentro das instituições, para que ele sinta que pode e deve sonhar, não com dinheiro, mas com fantasia, alegria e felicidade. Por certo, o ser humano melhorado traria retorno melhor para o empregador e o Estado, como no caso do Tribunal de Justiça.

  5. Caro amigo, o seu trabalho dignifica o Poder Judiciário. O seu desprendimento e amor a causa pública são um exemplo.

  6. Cada vez que paro para pensar sobre “dinheiro e humanidade” chego as piores conclusões.
    O Homem caminha mais longe pelo dinheiro e despreza tudo por ele, pessoas queridas, até com vínculo familiar, lutando vorazmente, como animais concorrendo a presa, pais e filhos colocando a prova o maior dos sentimentos por isso,”até onde vai a humanidade”!
    Hipócrita seria em dizer que são desprezíveis os sabores do dinheiro, até porque além dos prazeres, ele “constrói imagens”, transformando pessoas em heróis, narcisistas biográficos.
    Durante a vida, vi grandes potências transformarem-se em grandes homens, quando passaram a entender que o dinheiro nada mais era que uma consequência, e igualmente vi homens que submeteram-se a tudo, fizeram do dinheiro a “luz”e no final da vida, foram lembrados pelos bens e esquecidos logo após a partilha.
    A última frase que gostaria de ouvir é ” COITADO! TÃO POBRE QUE SÓ TINHA DINHEIRO”

    Hiram Carrara Neto (NETO CARRARA)

  7. A verdade é que o ser humano nao vive o ontem – tirando suas liçoes e proveito – o presente – porque está tao necessitado para viver o futuro que esquece que depende do momento – futuro – qdo vê que tudo passou e agora ja se fora. Os tres momentos se confundem. Só o sábio pode distingui-los. Nao somos dono do tempo; tudo acontecerá somente na oportuna, escolhida por Deus; Ele tem a promessa, é isso que se deve levar em conta.

  8. Reblogged this on costanzodefinis and commented:
    “Nem só de dinheiro precisam as pessoas, mas de sonhos, fantasia e amor”.

  9. Gostaria de ler algo sobre Ética do interregno. Publique por favor…

  10. O Dr. José Renato é um exemplo, sem estrelismo, sóbrio e ético.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s