Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Lugar de lixo

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A produção de resíduos sólidos no Brasil é algo de extraordinário. Nesse tema cabe o ufanismo “nunca antes neste País” tão em voga para outras “conquistas”. Cada brasileiro produz mais lixo do que vários europeus juntos. O Brasil nunca passou por uma guerra, nunca sentiu verdadeira fome, não teve de passar por tragédias. Por isso uma sociedade pródiga, perdulária, consumista… E suja.

A falta de civilidade faz com que muitas pessoas pensem que a rua é um lugar sem dono. Ao contrário de países educados, onde o espaço público é de todos, aqui parece “terra de ninguém”. Não é só o desprovido de escolarização que assim age. Muita gente que se considera culta não hesita em arremessar pela janela do carro o recipiente do refrigerante que acabou de beber, os tocos de cigarro, os guardanapos, os impressos que o primitivismo continua a distribuir junto aos semáforos.

A Prefeitura do Rio de Janeiro adotou uma excelente prática. Agora, quem jogar lixo na rua leva uma multa. O mínimo é 157 reais. O bolso, órgão sensível, é a motivação mais persuasiva com que se pode contar. As campanhas educativas pouco resultado oferecem. Por mais que se diga que a municipalidade gasta muito para a varrição de ruas, para o recolhimento dos sinais deixados por uma população que não sabe acondicionar seus resíduos e que tudo isso vai causar problemas mais sérios, a repercussão é quase nenhuma. 

Quando há inundações, as bocas de lobo não dão vazão à água pluvial, os rios se transformam em mortos coletores de dejetos, ninguém se lembra que também contribuiu para o problema. O Brasil está demorando a adotar a logística reversa, de maneira a responsabilizar o fabricante pelo destino de seus produtos após a vida útil. A existência de “desmanches” é outro índice que depõe contra o estágio civilizatório nacional. 

Eles parecem sustentar uma cadeia de criminalidade, conspurcam o ambiente, enfeiam as cidades. E estimulam o péssimo hábito de se jogar na via pública aquilo que já não serve. Seja carcaça de carro, geladeira velha, televisão que não funciona, sofás e colchões. Sem falar na praga venenosa dos pneus. Mas é bom começar com o lixo urbano. Tomara que a iniciativa carioca prevaleça e se dissemine. Um pouco de limpeza é sinal de verdadeira educação. Lugar de lixo é no lixo.

JOSÉ RENATO NALINI é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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