Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

De pastorinho a pastor

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Durante a missa de exéquias na Catedral de Nossa Senhora da Conceição, em Guarulhos, afirmou-se que dom Joaquim Justino Carreira quisera ser um dos pastorinhos de Fátima, que em 1913 viram Nossa Senhora. Ele nasceu em Leiria, mesmo ali no lugar das aparições. Mas quis a Providência que ele fosse um Grande Pastor. Responsável por uma das maiores e mais complexas Dioceses brasileiras.

Não é desse Joaquim que quero falar. É do Joaquim quase-primo, pois morou em casa de minha tia Irene Nalini Genaro. Foi o filho padre que ela não teve, embora mãe de uma carmelita. Um garoto que caiu do caminhão e se machucou todo e ainda comemorou: “Se não fosse eu, teria sido minha mãe! Graças a Deus que fui eu!”. Episódio relembrado agora por meu primo Sérgio Genaro, cuja neta Joaquim batizou em 2009.

Lembro-me do Joaquim dos TLCs, da viagem a Porto Alegre, de sua bondade intrínseca. Generoso, bom, prestativo. Sem vícios. O imponderável da cruel doença, cujo nome traumatiza e que ceifa crianças, jovens e idosos. Sem contemplação. O Joaquim estudioso, que prestava contas de seu crescimento intelectual, que levava a sério os estudos. E que não gostava de aparecer. Tantas vezes insisti com ele para fazer um programa televisivo, a falar da família, seu foco no mestrado. Sempre se recusava. Delicadamente, mas não era seduzido pelas gloríolas da mídia.
 
Não consegui visitá-lo. Fui ao Hospital Santa Catarina e não me permitiram entrar. Pouco depois, em casa de dom Luiz Stringhini, bispo de Mogi das Cruzes, comentei o fato e o bispo de imediato ligou para Joaquim, com quem conversei brevemente. Voz fraca, mas corajoso e oferecendo o seu sacrifício à causa nobre, a única essencial, aquela para a qual se doou desde criança.

Um homem bom, um sacerdote devotado, um bispo santo. Um homem de Deus, que tanto necessita de operários para a Sua messe. Ficamos sem a presença física de quem nunca se recusava a nos assistir nos momentos tristes. Celebrou a missa de sétimo dia de minha mãe. Fez uma homilia carinhosa. A razão me diz que um dia teremos de nos reencontrar sem as dores e sofrimentos desta miséria que é a breve passagem pelo Planeta. Mas a emoção me deixa profundamente amargurado, por perder um verdadeiro primo sacerdote. De quem já estou sentindo imensa falta e crescente saudade. 
 
* JOSÉ RENATO NALINI é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.
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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “De pastorinho a pastor

  1. Uma tocante declaração de amor incondicional, de respeito e de humildade, própria dos grandes homens.

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