Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

A que ponto chegamos

6 Comentários

Não é surpresa para ninguém que ser professor hoje é perigoso. O mestre deveria receber auxílio periculosidade. Assim como não se respeitam os pais, também os professores passaram a ser considerados empregados dos alunos. “Quem paga manda!”. Por isso, o número imenso de professores licenciados, afastados por problemas de saúde, consumindo tranquilizantes e necessitando de terapia. 

A mídia tem noticiado episódios que envergonhariam uma nação civilizada. Não estou falando do Brasil. Aqui, além dos episódios “deixados prá lá”, em nome do tradicional “deixa disso”, ocorrências mais graves chegam à polícia e, depois disso, à Justiça. 

Ainda há pouco, uma charge reproduzia com eloquência a situação brasileira. Há 20 anos, os pais mostravam o boletim para o filho e indagavam: “O que é isso?”. Hoje, eles levam o boletim para o professor e questionam: “O que é isso?”. Os filhos sempre têm razão. Seja qual for a idade. O professor é um prestador de serviço que tem o salário pago pelo aluno. Este passou a ser o patrão do mestre. 

Um caso judicial eloquente: em Bragança Paulista, um aluno de 20 anos – não está no pré-primário! – atirou uma casca de banana na professora de geografia. Os 10 mil reais que em tese deverá pagar à ofendida não fazem desaparecer seus abalos psicológicos e a dificuldade em continuar a lecionar naquela escola. 

Na apuração dos fatos, dois alunos devem responder por falso testemunho, pois o juiz considerou que eles prestaram informações falsas. 

Esse o Brasil que está num dos últimos lugares na apuração da consistência da escolarização oferecida às crianças e jovens. Educação começa em casa. Os pais, de modo geral, não têm se preocupado com os modos de seus filhos. Acham que as crianças ficam traumatizadas se repreendidas. 

Podem fazer tudo, falar com franqueza, chamar o professor de você, ficar com o celular recebendo e mandando ´torpedos´ durante a aula, passar bilhetinhos, rir de quem está tentando transmitir algo para uma assistência à qual falta interesse e sobra arrogância. O que será que nos espera daqui a algumas décadas? Alguém se arrisca a vaticinar? 

JOSÉ RENATO NALINI é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

6 pensamentos sobre “A que ponto chegamos

  1. Consequência direta: cada vez será menor o número de alunos que aprendem pelo prazer de aprender e que tem reais condições de serem líderes na sociedade. Os outros cujo numero será cada vez maior, terão uma enorme dificuldade em evoluir, progredir. Agrega-se a isso que não há um aprendizado para se manter o equilíbrio, a harmonia entre responsabilidade e liberdade. Muita, excessiva liberdade sem se harmonizar com a responsabilidade…. cidadãos cada vez menos conscientes do que significa uma verdadeira cidadania…

  2. Entendo muito bem está situação.
    Pois já estive em sala de aula, e pedi exoneração do cargo, pois não tive condições físicas e emocionais para continuar.
    Tinha que desarmar os alunos, e fui atacado com uma tesoura e um soco.
    Impossível lecionar.

  3. Lecionei na cidade de Bertioga.
    E não tive condições físicas e emocionais para continuar.
    Pedi exoneração do cargo, pois é impossível lecionar nos tempos de hoje, na rede pública.
    O aluno me atacou com uma tesoura e socos.
    Tinha que desarmara crianças de 8 a 9 anos de idade, já em meio familiar violento e vícios.
    Hoje em dia tem muitos professores que mudaram de profissão, mas que amam lecionar, mas na sala de aula, muitas vezes, você é o professor, pai, mãe, tudo, pois a criança, ela está muito carente de família.
    Isto é lamentável.

  4. Nobre Corregedor, Bom dia.

    Gostaria de saber se posso lhe enviar um email, com sugestão de alteração das NSCGJ.

    att

    Rodolfo

    (19) 8195-4141

  5. Nobre Corregedor, Bom dia.

    Gostaria de saber se posso lhe enviar um email, com sugestão de alteração das NSCGJ.

    att

    Rodolfo

    (19) 8195-4141

  6. Boa noite, Dr. José Renato Nalini.
    É triste a situação dos professores, além de tudo, pais, professores,diretores, gestores públicos ou não, estimulam e fazem apologia do assédio moral, ganha quem se organiza mais e consegue mentir melhor, “convencer” o(s) outro(s). Concordo plenamente com o Senhor.
    Abraços.
    Namastê!
    M. Eli

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