Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Faça o que eu digo

1 comentário

Pessoalmente, eu gosto do horário de verão. Durmo pouco, naturalmente acordo cedo. Não me custa levantar uma hora mais cedo. Em geral, estou a responder mensagens eletrônicas de madrugada, ávido à espera dos jornais do dia.

Não desconheço, porém, que muitos se incomodam com essa praxe. Lamentam a perda de uma hora de sono, dizem que demoram para se acostumar com o novo fluxo horário, que passam o dia cansados e com sensação de desconforto.

Convencemo-nos todos, os favoráveis e os detratores, com a notícia de que a medida é salutar. Representa a economia do dispêndio de energia elétrica correspondente a uma cidade como Brasília.

Mas justamente Brasília dá o mau exemplo. Ao assistir o “Bom Dia Brasil” do último dia 8, vi que os prédios oficiais da Esplanada dos Ministérios permanecem com as luzes acesas durante a noite e também no fim de semana. Ninguém está ali, mas os edifícios todos iluminados. E o mesmo acontece com as torres gêmeas da Câmara Federal.

Essa é mais uma evidência de que a coisa pública no Brasil não é levada a sério. Enquanto em países civilizados o que é público “é de todos”, aqui o público “não tem dono”. É de ninguém.

A empresa privada tem controles eficazes desses gastos que pesam no orçamento. Não há por ela o erário a suprir todas as necessidades. Depende de sua performance, de seu trabalho, da produtividade e da eficiência. Já o governo, sustentado pelo povo, não precisa se preocupar. “A viúva” – como a sabedoria popular costuma dizer – suprirá todas as necessidades. Ela é a fonte inesgotável supridora dos desperdícios.

Nada custaria – ou o custo benefício justificaria – a utilização de um sistema inteligente, que apague as luzes assim que o recinto fique vazio. Essa tecnologia é barata e plenamente disponível. Mas não é objeto de preocupação do governo. Assim como não se procura substituir a iluminação pública por modalidades menos dispendiosas e mais efetivas. Sabe-se que a escuridão é o refúgio das ilicitudes. Assim como a ética é uma verdadeira creolina a desinfetar maus hábitos, a claridade afugenta quem se anima e é estimulado a exercer seus maus instintos valendo-se das sombras. 

Lamentável que no Brasil o governo imponha sacrifícios aos súditos e não assuma a sua parte. Há como corrigir esse hábito? 
 
* JOSÉ RENATO NALINI é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.
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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “Faça o que eu digo

  1. Corrigir estas distorções ainda é uma grande desafio. E se a esbórnia fosse apenas as lâmpadas acesas, ainda vá lá….. Há “lâmpadas” bem piores, que corroem nossa esperança, que gastam nossa credibilidade e que põe o futuro em franca escuridão. Mas façamos nossa parte, a ética começa em casa, no berço, nas lições herdadas dos pais e passadas aos filhos, no cumprimento da palavra empenhada, nas ações sem maldades… No mais, adoro o horário de verão, não apenas porque acordo cedo também, mas porque as tardes ficam mais longas, mais produtivas, mais úteis!

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