Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Há 50 anos, no Jardim das Rosas

5 Comentários

Na tarde de 22 de novembro de 1963, eu estava no Jardim das Rosas, namorando Eliana Castiglioni. Eu tinha 17 anos, ela 16. Ainda havia roseiras naquele tranquilo jardim cercado de construções emblemáticas: a Casa da Criança, o Hospital São Vicente, a Casa de Saúde Dr. Domingos Anastasio e o grande jardim da mansão de Irma e Hermes Traldi. Os tempos eram outros e sonhávamos com o futuro. 

Tudo convidava a viver intensamente. Havia projetos, havia entusiasmo e, sobretudo, havia amor. Aquele amor inocente dos anos sessenta, que não previam a intensidade das desilusões tão próximas. Conversávamos e ríamos. Nos encantávamos, um com o outro. De repente, alguém no bar da esquina gritou: – “Mataram o presidente Kennedy!”. Ficamos abalados. Eliana se emocionou. 

Acreditávamos nele e em sua mensagem: “Não indague o que sua Pátria pode fazer por você, mas diga o que você pode fazer por ela!”. Uma notícia como essa não se esquece. São poucas as datas das quais tenho lembrança fiel do antes e do depois. Do momento mesmo em que tive notícias que mudaram a vida do mundo e, nele, também a minha vida. Eliana foi para os Estados Unidos, casou-se, teve três filhas.

Pouco antes de morrer, em 15 de novembro de 1990, procurou-me e mostrou as fotos das filhas. Uma delas se chama Renata. Os órfãos de John Fitzgerald Kennedy foram fotografados e filmados no sepultamento. O pequeno varão batendo continência. Imagem antológica. Morreria ainda moço, a pilotar seu avião. Jackie Kennedy, a charmosa Jacqueline Duvivier, tornou-se a Sra. Aristóteles Onassis.  

O homicídio do 35º presidente norteamericano restou envolvido em mistério. Continuo aqui, mais calejado, colecionando perdas, mas recolhendo compensações. Filhos queridos, netos lindos. Tentando fazer justiça, a despeito dos percalços e da miséria da condição humana. 

A cada desalento surge algo ou principalmente alguém que me faz recobrar a esperança. Mercê da Providência, ainda sou provido de memória afetiva, que me faz recordar aquela tarde gostosa, no Jardim das Rosas, quando o mundo me prometia tanta coisa que depois não entregou. 

JOSÉ RENATO NALINI é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

5 pensamentos sobre “Há 50 anos, no Jardim das Rosas

  1. uma data e inúmeras recordações… abraço.

  2. Que lindo, Dr. Renato!!!
    Obrigado pelo Sr. existir!!!
    Um Grande Abraço Fraterno!!!

  3. Esse trecho é por demais significativo:

    “A cada desalento surge algo ou principalmente alguém que me faz recobrar a esperança. Mercê da Providência, ainda sou provido de memória afetiva, que me faz recordar aquela tarde gostosa, no Jardim das Rosas, quando o mundo me prometia tanta coisa que depois não entregou”

    Tomo-o comigo como alento nos desalentos da vida de “velho concurseiro”.

    Obrigado por essa pérola, seja a Imaculada, Mãe da Justiça, sempre sua intercessora generosa!

  4. Eu sempre gostei de dizer para os sessentões que o único e verdadeiro amor, é o não correspondido, eles costumam concordar, os de ainda 30 não.

  5. Que lindo texto.Me emocionou.

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