Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Vaticínio ou vontade

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A primeira pessoa que teve coragem de dizer que eu seria um dia presidente do Tribunal de Justiça foi D. Vera Maria Brandão Teixeira da Costa Manso, esposa do desembargador Young da Costa Manso. Ela contava que isso estava escrito na minha história. Quando ainda solteiro, o juiz Young da Costa Manso exerceu a judicatura em Jundiaí. Passava todas as tardes pelo cartório de seu amigo Alceu de Toledo Pontes. E numa dessas vezes, meu pai, Baptista Nalini, me carregava ao colo.

Dizia D. Vera que Dr.Young brincou com o menino, então com seus três anos, e este se atirou ao colo do juiz. Essa versão foi contada inúmeras vezes quando o então vice-presidente do TJSP nos visitava em Barretos, a primeira comarca em que servi como juiz substituto. Ela teria sido confirmada por Esther de Figueiredo Ferraz, também muito ligada a Jundiaí, quando atuou em célebre caso no Tribunal do Júri.

Só sei que o vaticínio refletia mais a vontade de D. Vera de que um dia eu chegasse a ascender à cadeira que um dia foi provida por Young da Costa Manso. Homem erudito, filho do Ministro Manuel da Costa Manso, que só não chegou ao STF por uma infeliz coincidência, bem comentada à época.

D. Vera e Dr. Young praticamente nos adotaram como filhos postiços. Nos fins de semana em que passavam na Fazenda Chão Preto, em Colômbia, não deixavam de tomar um café em casa. Ele fazia questão de ler as sentenças proferidas e fazia comentários. Falava bem do substituto que foi o único a ser convidado para seu aniversário, como representante da primeira instância.

Chegamos a passar fins de semana em sua fazenda. Acrescentaram meus quatro filhos ao rol de seus netos. Fiquei desarvorado quando ele faleceu no Canadá, durante uma viagem. Legou-me sua biblioteca. Ainda hoje estudo em seus preciosos livros, anotados e relidos.
Devo este desafio a muita gente. Nem consigo arrolar todos os meus credores, dos quais sou devedor insolvente. Mas não posso deixar de me recordar com carinho da primeira pessoa que um dia acreditou que eu pudesse chegar à presidência do maior Tribunal de Justiça do mundo. Deus dê-me forças para não decepcionar quem confiou e ainda confia neste limitado ser humano.
JOSÉ RENATO NALINI é atual Corregedor Geral e presidente eleito do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br. Visite o blog no endereço https://renatonalini.wordpress.com e dê sua opinião sobre seus artigos.
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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

2 pensamentos sobre “Vaticínio ou vontade

  1. Estou confiando, Dr. Nalini. Acredito em suas propostas e, apesar de minhas esperanças terem praticamente se esgotado, em ver um judiciário realmente digno, acredito que o Senhor fará este judiciário melhor.

  2. Belo e emocionante relato para todos que acompanham esse riquíssimo blog. Valer-se da memória para prestigiar e prestar gratidão à todos que contribuíram para a escalada da vitória, só vem ratificar o caráter e a humildade do mestre e do magistrado que hoje é o nosso estimado Presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

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