Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

É preciso coragem!

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Hoje tomo posse como presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Mercê da Providência e da generosidade de meus pares, obtive quase 70% dos votos. Dentre os 14 que faltaram, alguns por causa do trânsito caótico da capital, alguns – com certeza – ainda me sufragariam.

A responsabilidade é enorme. Suceder Ivan Sartori não é fácil. Ele revolucionou a administração de um Judiciário cada vez mais gigantesco e cada vez mais complexo. Hoje temos mais de 50 mil servidores, 2.400 magistrados, 20 milhões de processos. Uma estrutura enorme, com orçamento de quase 8 bilhões. Mesmo assim, insuficiente para as carências constatadas durante os 70 mil quilômetros percorridos em visitas correcionais por todo o Estado.

Não posso dizer que estou despreparado. Na verdade, preparei-me para isso durante todos os 37 anos de carreira. Gradualmente, exerci as funções que me alertaram das dificuldades a serem transpostas. Preciso de mais verba. Do Tesouro, do Fundo e de proveniência lícita nacional ou internacional. Aqueles que acusam o Judiciário de aumentar o “custo Brasil” têm obrigação de auxiliar o aparelhamento da Justiça.

A informatização é irreversível. Vive-se um mundo de redes e o suporte papel deve ser reduzido ao máximo, até que seja inteiramente substituído pela comunicação eletrônica.
A capacitação do funcionalismo é meta prioritária. Assim como o estímulo à adoção de outras alternativas de solução de conflito que prescindam do dispendioso e sofisticado equipamento judicial.

Conscientizar a cidadania de que é mais ético, mais prático, mais eficaz fazer um acordo do que aguardar o imprevisível ao final das quatro instâncias e das dezenas de oportunidades de reapreciação do mesmo tema, ante o kafkiano sistema recursal, é objetivo para o qual todos são chamados.

Preciso da colaboração de todos. Principalmente dos cérebros privilegiados que habitam São Paulo. É aqui o celeiro de inteligências capazes de redesenhar a Justiça. Temos as melhores Universidades, entidades que souberam vencer crises e sobreviveram, o melhor da inteligência brasileira. O Judiciário é de todos, não é dos juízes. É sustentado com dinheiro do povo.

A sociedade tem não só o direito, mas o dever, a obrigação cívica de contribuir para seu contínuo aperfeiçoamento. Coragem não falta ao novo Conselho Superior da Magistratura. Caminhemos, juntos, para tornar a Justiça a cada dia mais eficiente.

* JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br. Visite o blog no endereço https://renatonalini.wordpress.com e dê sua opinião sobre seus artigos.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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