Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

O mundo novíssimo

2 Comentários

Deu o que falar o artigo “Como conciliar tudo isto?”, em que eu comentava a realidade dos “wearables” e o anacronismo de se guardar papel velho. Inconcebível que os processos judiciais tenham de durar eternamente, enquanto os próprios seres humanos, mais dia menos dia, virarão pó. É sensato, num país pobre, destinar dinheiro do povo para arquivar processo findo? 

Essa discussão deve ser travada aqui em São Paulo, que tem o maior acervo de feitos guardados em ambiente climatizado e que custam uma fortuna ao povo. Mas vamos confiar no bom senso e na irreversibilidade das conquistas tecnológicas. Além dos aparelhos já disponíveis, quais a pulseira que mede os passos e a frequência cardíaca, os óculos que são verdadeiros tablets, há novidades de inegável utilidade e que superam os desejos dos dependentes da eletrônica. 

Laboratórios de empresas e universidades desenvolvem projetos como os dos chips implantáveis no corpo humano. Serão de extrema valia para que os médicos possam acompanhar, continuamente e à distância, dados vitais de seus pacientes. Um exemplo é o nível de insulina no sangue. Se o nível for baixo demais, um sinal alertará o usuário. A saúde será monitorada e isso garantirá viver mais e melhor. 

Outras deficiências poderão ser corrigidas graças a tais avanços. O artista plástico inglês Neil Harbisson já se serve de um “wearable” para saber quais são as cores do universo. Portador de acromatopsia, doença que não distingue as tonalidades e faz com que ele enxergue tudo em branco e preto, serviu-se das descobertas e desde 2004 passou a usar uma tiara co sensor que capta as cores do ambiente. Cada cor corresponde a uma nota musical. Neil incorporou uma sinfonia à sua rotina. 

O mundo está aberto ao avanço da ciência. E isso graças à exponencial redução do tamanho dos chips, cada vez menores, mais baratos e potentes. Isso é bom? Isso é mau? 

Sem maniqueísmo, há faces saudáveis e faces cruéis em quase tudo na vida. A revolução tecnológica é irreversível. Extraiamos dela o melhor. E estejamos prontos para mudanças, pois o que está parado, neste mundo, está morto e não sabe. 

* JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br. Visite o blog no endereço https://renatonalini.wordpress.com e dê sua opinião sobre seus artigos.

 
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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

2 pensamentos sobre “O mundo novíssimo

  1. Dr. José Renato Nalini em seu artigo de hoje, 13/02, assim diz em seu último parágrafo:
    ” A revolução tecnológica é irreversível. Extraiamos dela o melhor. E estejamos prontos para mudanças, pois o que está parado, neste mundo, está morto e não sabe”
    Analiso a revolução tecnológica à partir de minha pessoa, que sempre fui aberta ao novo, porém ando preguiçosa, ou melhor, sem interesse nas mudanças que têm me assolado.
    Simultaneamente, entra em vigor o peticionamento eletrônico para nós Advogados, e eu, compro um celular Androide.
    Qual deles me assustou mais?
    O mais antigo, do qual já andava cansada sem ter me apercebido, digamos estressada para quem advogada tem belos 36 anos.
    Investi, com muito prazer, todas minhas células, neurônios nas madrugadas da vida, até aprender e bem a “brincar” com meu androide, e pasmem…aprendi em dias e hoje uso-o tal qual um garoto de 15 anos que não tem mais nada na cabecinha, aliás nem sabe qto custa o IPVA e o condomínio lunático de meu prédio.
    Findando, à nada tememos desde que nos atraia…o tesão pelo novo nos permite a sensação de poderosos….
    Se, seu mundo NOVÍSSIMO for atraente para mim….eu vou investir nele, com prazer e garra !
    Abçs!

  2. Não tem como estagnar, mas não tem como esquecer das relações de verdade. O mundo tecnológico nunca extinguirá a necessidade do ser humano se encontrar, olhar-se nos olhos e estender a mão para a outra se encontrar e entrelaçar dedos para acabar tudo em um forte abraço amigo.
    Precisamos usar da tecnologia para informação, para o estreitamento de fronteiras e desbravarmos limites, porém não podemos deixar de valorizar os afetos humanos nas relações, disso tenho certeza.
    Não podemos ser máquinas, robôs e nem seres comandáveis como em “1984” já se preconizava ou em “Admirável Mundo Novo”.
    Sem esse diferencial poderemos estar fadados a não sermos mais tão humanos, e cada dia mais máquinas…
    Boa reflexão, novamente meus parabéns pelo texto.

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