Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Regras para viver bem

10 Comentários

Todas as pessoas querem a felicidade. Só que a felicidade é algo intangível. Assim que se atinge um objetivo, um outro se vislumbra e o ser humano parece insaciável.

O ser humano feliz é aquele que precisa de pouco. Depende de ninguém. Conta só consigo mesmo, pois assim não se decepcionará com a ingratidão, com a falsidade, com a hipocrisia.

Não é fácil atingir essa independência interior que o libere das amarras externas. O filósofo polonês Leszek Kotakowski propõe o caminho da auto-observação como estratégia para uma vida melhor. Seu livro “Pequenas Palestras sobre Grandes Temas” é um conjunto de pequenas e singelas lições sobre tudo aquilo que costuma conturbar as emoções e tirar o equilíbrio sempre instável das miseráveis criaturas humanas.

Quais são as turbulências que a vida contemporânea oferece a quem não perdeu a capacidade de pensar? Pois há uma legião de pessoas que pouco se preocupa com tais temas. Sobrevive instintivamente, numa vida quase vegetativa: comer, trabalhar, dormir. Essa existência singela não suscita grandes traumas. Será que nela reside a verdadeira sapiência?

Mas para os outros, o poder, a fama, a mentira, a inveja e a liberdade, o dinheiro e o amor, podem trazer desconforto. Ao falar sobre “amigo” e “inimigo”, Leszek assinala ser muito difícil que algum outro seja responsável pelos meus insucessos. Reconhecer a própria fraqueza é armar um golpe contra nós mesmos.

Já Philip Dormer, em suas “Regras Para Bem Viver”, escritas no século 18, reúne máximas sobre espiritualidade, amor, morte, vida cotidiana. Ele faz uma pregação contra o medo: “Não apavores tua mente com temores vãos, nem permitas que teu coração sucumba aos fantasmas da tua imaginação”.

É idêntico o bom senso proposto por Paolo Rossi em “Esperanças”. Ele convida a refletir sobre esperança por dias melhores, por felicidade possível, e a cultivar somente as esperanças “sensatas”.

É descartável a “Grande Esperança”, ilusão no mundo desigual por natureza, pois viver é peregrinar por um “vale de lágrimas”, com pequenos intervalos de sossego. Aproveitemo-los enquanto presentes, pois raros e fugazes.

* JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br. Visite o blog no endereço https://renatonalini.wordpress.com e dê sua opinião sobre seus artigos.

1185308_35398521

Anúncios

Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

10 pensamentos sobre “Regras para viver bem

  1. Professor, há mesmo como tecer um manual do como viver bem?
    Realmente, se ele puder ser escrito ou um dia for, por favor, publique a referência, pois correndo o adquirirei. (risos)
    A questão é que o mundo está assoberbado por essas questões pequenas, e o prioritário está sendo esquecido.
    Muitas vezes as relações são tão fluidas, voláteis até, sem menor vínculo real estabelecido de afeto verdadeiro que essas questões pequenas crescem e tomam um vulto muito maior nas nossas vidas.
    Amizades que poderiam ser verdadeiras acabam por um mar de ruídos tais como: fofoca, mal entendidos, coisas que não são dialogadas pela ausência ou silêncio de alguma das partes que não quer se aborrecer ou nunca pode escutar o outro lado diretamente, e assim por diante.
    O que nos cabe é tentarmos ser o mais fiéis e dignamente sinceros conosco e com quem lidamos para minimizar tais probleminhas que nos tiram até o sono muitas vezes e nos fazem viver em constante conflito interno e com os outros com quem lidamos.
    Obrigada por me permitir essa excelente leitura reflexiva.
    Seu blog é uma fonte de sabedoria deonde estou buscando tirar pequenas lições periódicas.
    Um forte abraço

  2. Ao citarmos autores nos eximimos da responsabilidade da afirmação, no máximo simpatizamos com a ideia, dispersa a cada nova citação, conhecerei eu a opinião do autor? ou de fato “as regras para viver bem”, é uma reprodução de pequenos trechos nos quais, imerso o autor, ainda permanece na busca…

  3. Nalini, seu blog é uma lição de vida e da busca pela felicidade.
    Parabéns,

    Nico

    [antonio]
    Este e-mail (inclusive seus anexos) é confidencial e foi enviado apenas para uso do(s) destinatário(s) acima. Se você recebeu este e-mail equivocadamente, você está sendo notificado que qualquer cópia, distribuição ou utilização é estritamente proibida. Por favor, nos informe imediatamente e destrua o original e qualquer impressão do mesmo.
    This e-mail (including any attachments) is confidential and intended only for the use of the addressee(s) named herein. If you have received this e-mail in error, you are hereby notified that any review, copying or distribution of it is strictly prohibited. Please inform us immediately and destroy the original e-mail and any printouts

  4. Viver bem, em paz consigo mesmo, é alcançar o pleno conhecimento de nossas limitações, e sonhar com elas…sim dá para ser feliz…basta amar alguém, algo, a natureza, poesia…os romances em livros.
    Certamente, já que humanos somos, iremos ousar sonhar alem de nossos limetes…permita, sem medo ja que este rouba nossos sonhos…e, qdo o outro dia raiar…lembre, somente agora nas tais ” limitações”.

  5. Lindo texto, cheios de grandes verdades! Linda foto, lembra as vias da Itália. O ser humano foi afastado de si mesmo pelo trabalho de se integrar em comunidades. Depois pelo esforço de alcançar uma função social. Teve que parar de prestar a atenção em si mesmo para se adaptar ao grupo. Acabou sufocado, com demandas falsas, cheio de sonhos induzidos pela cultura do grupo dominante e a felicidade tornou-se, assim, ‘intangível’, quase impossível para muitos. Os raraos que conseguem ser felizes são tidos como excêntricos. Muitos se deprimem. O espírito humano não aceita a infelicidade.

  6. Como é bom ler seus artigos. e livros. Compartilhar de sua sabedoria é um prazer. Em “Por que Filosofia?” nasce a facilidade de ensinar, refletindo..Já em Reflexões jurídico-filosóficas sobre a morte. Pronto para partir? a valorização da vida através da filosofia e da poesia, que lida, “relida”, nos leva a uma gama de reflexões diárias fortalecendo o nosso caminhar..

  7. O ser humano não é uma ilha, necessita do outro…por isso Deus criou a mulher para que o homem não fosse só.
    Nascemos só e nu,morremos só, mas não vivemos só.
    Pensar é algo precioso, que a humanidade perde sem perceber, principalmente pessoas que tem a vida justamente assim: comer,trabalhar e dormir…vida frenética, sem pausa, o lazer é a televisão, formatando a cabeça do cidadão….. e muitas crianças nascendo sem o bem mais precioso que é a base da sociedade saudável….”a família”
    Regras..só uma, ter paz e pedir paz aqui terra para o Papai do céu.
    O mundo está em guerra, vivemos um Grande Conflito, onde pessoas odeiam, até a si mesmos, e ensinam seus filhos a odiar, pequenas situações e pessoas.
    Perderam a capacidade de pensar e resolver problemas,,que apenas dialogando seria o suficiente.
    Ser livre de qualquer doença..física, mental e espiritual….a escravidão sairia da mente e não escravizaria ninguém, seja qual fosse a forma,
    A favela não está na situação , mas sim na mente do cidadão…portanto seja qual for, a circunstância , que a pessoa se encontra,, ela poderia vencer!…se não for escravo e não se render ao momento e enxergar além do horizonte
    O ser humano pensante…buscará sempre novos desafios…e também enxergará com os olhos do espírito a beleza que Deus nos deixou aqui na terra para contemplar o Seu poder..e nos dará a capacidade,se pedirmos, pois a fonte é Deus…de amar e ser muito feliz sempre..até na dor.

  8. FELICIDADE: MOMENTOS INTROSPECTIVOS VINDOS DA ALMA!!!

  9. Sábio é aquele que sabe esperar pelo próximo momento de quase-felicidade que há de advir, ciclicamente, rindo das adversidades, aprendendo nos interstícios, retirando positividade destes momentos de quase-sofrer…

  10. Relacionar-se com o outro é correr riscos, risco de ser rejeitado, de ser amado, de que adianta viver sem correr riscos? o que eu vou contar pros meus netos? se as pessoas com quem eu partilho este mundo fossem perfeitas, que graça teria? prefiro a dúvida do “ser” a cada dia do que a certeza do amanhã, pois só assim eu posso sentir a presença de Deus na minha vida, pq Deus É e não foi ou será.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s