Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

É possível ser feliz?

10 Comentários

Há pessoas com discurso pronto. A qualquer saudação, terminam com “Felicidades!”. Um desejo generoso, por certo brotado num coração que deseja o melhor para o destinatário. Mas existe “felicidade” nesta passagem frágil, efêmera e incerta pela vida?

Os filósofos antigos diziam que feliz seria o homem despido de temores. Não temer a morte, porque ela é inevitável. Epicuro por certo sofismava: enquanto eu existo, ela não existe. Quando ela surge, eu não existo mais. Não temer a Deus ou aos deuses. O Criador teria mais a fazer do que ficar anotando na contabilidade transcendental nossos créditos e débitos. Depois, se Deus é amor, há de se levar a sério que o amor tudo suporta, não é invejoso, não é cruel, ressentido ou rancoroso. Ele escreveu uma “Carta sobre a felicidade”, em que adverte que as opiniões falsas causam imensa perturbação nos espíritos, ou seja, a infelicidade. 

Viver é cada vez mais perigoso. A violência ceifa vidas preciosas em todas as faixas etárias. O número dos excluídos só tende a crescer. Os ricos estão preocupados em não perder a fortuna. Nem sono tranquilo eles têm. A maioria está angustiada porque não sabe o que vai comer na próxima refeição. Medo de perder o emprego, medo de perder o amor, medo de perder a vida. O medo é a companhia inseparável do ser humano depois de mais de dois mil anos de civilização chamada “cristã”, ou seja, inspirada pelo Evangelho de Cristo. 

Seja como for, a felicidade é um valor sempre mencionado nas pesquisas sobre o desejável pelos humanos. Talvez valha a pena recorrer a quem a estude em profundidade. George Minois, em “A Idade de Ouro”, diz que a felicidade é simplesmente a imagem invertida das desgraças do tempo. Quer dizer: se há guerra, a felicidade está na paz. Se há fome, a felicidade é a fartura. Felicidade, em síntese, é crer em algo que jamais se alcança. 

Mais pragmático, Bent Grene em “Felicidade” observa que as estatísticas sobre o nível de felicidade da população pode guiar algumas políticas públicas. Não é impossível para o gestor detectar o que faz as pessoas felizes no curto, médio e longo prazo e imprimir essa diretiva em sua administração. Voltarei ao tema. 
 
* JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br. Visite o blog no endereço https://renatonalini.wordpress.com e dê sua opinião sobre seus artigos.
 
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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

10 pensamentos sobre “É possível ser feliz?

  1. Sempre uma alegria ler seus artigos, sobre a vida e nossas indagações. Obrigada Nalini, por essa contribuição .

  2. Dr. José Renato Nalini…jamais lhe desejei uma irresponsável e alienada FELICIDADE….mas lhe desejo, consciente, ALEGRIAS, razão pela qual lhe envio figurinhas animadas…rs
    Paz nesta 2a. f.
    Bjs

  3. Matéria bem colocada para que paremos e pensemos na vida e até onde vale a pena chegar !

  4. O que será que faz o presidente Nalini feliz??? A felicidade dessa funcionária curiosa está principalmente na qualidade das relações (familiares, no trabalho, intelectuais…).

  5. Creio que é possível viver muito momentos de plena felicidade.
    Felicidade como conceito é dinâmica e não estática-e creio que os meios que podemos usar nesta caminhada são : 1 Exercitar diariamente a humildade- nada controlo – vivo hoje, aqui e agora. 2 Exercitar o pensamento grato- sou grata por todas as bençãos que recebo- inclusive às dificuldades – que são os meios de ampliação de minha consciência e elevação de minha fé.

  6. Meu caro Nalini:
    A felicidade existe! Ela pode ser sentida, diariamente, enquanto vivemos. Os problemas não a impedem. Impossível negar que a constatação de estarmos vivos, com nossos entes queridos, é a prova mais forte da felicidade. Lutar contra a violência, contra os vários temores infundados e apreensões indevidas faz parte da felicidade. Feliz é quem tem ciência de que alcançou a felicidade. Sem grandes filosofias é o que eu acho depois de muitos anos vividos.
    Hélio Lobo Junior

  7. Renato, entre raras e caras outras, fico também com aquela resposta em “Olhai os lírios do campo”, do Sr. Érico Veríssimo.

  8. Discursos prontos são alicerces bem frágeis ao meu ver. Nada é preestabelecido na vida e felicidade é algo que pode ser construída com o passar do tempo de acordo com as escolhas e olhares que temos de situações do nosso cotidiano.
    Acredito que ser feliz não seja tão somente uma somatória dos momentos felizes, alegres, é um estado de espírito tão mais profundo que demanda muita espiritualidade, paz e serenidade.
    Penso que construamos nossa felicidade em bases éticas, e através de nosso bom relacionamento com nossos mais próximos e queridos, tais como familiares, amigos, amores, amantes… E assim por diante…
    Fique com Deus e seja feliz, mestre.
    Com carinho,
    Cris

  9. “A Felicidade é como uma gota de orvalho…” (Tom Jobim). Nestes dias de estiagem a felicidade do momento é uma chuva perene, constante. Mas em uma análise mais profunda a felicidade é uma expressão do sentimento em seu estado de satisfação plena momentânea e pode ser duradoura. A felicidade da experiência, da caridade, do perdão, da solidariedade, da maturidade, esta é duradoura,

  10. Professor, não que os demais não o sejam, mas esse artigo ficou excelente! Continue sempre nos brindando com sua sabedoria!
    Ricardo A. de T. Prado

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