Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Novo espaço de trabalho

6 Comentários

Contratos de trabalho que não têm flexibilidade não funcionam mais. A contemporaneidade exige que os resultados sejam os melhores. Para isso, o empregador precisa se envolver diretamente com os problemas dos funcionários. A ideia pode chocar a cultura do velho patrão, aquele que preferiria ter o empregado com uma bola de ferro amarrada aos pés, para que não se ausentasse por um minuto de seu espaço de trabalho. Mas o mundo é outro. O bom trabalhador precisa ser conquistado para produzir mais e melhor. E isso depende de sua satisfação com as condições do emprego.

As empresas já descobriram isso. Mas o serviço público ainda não. É óbvio que o funcionário público ainda merece a pecha de alguém apaniguado, que foi nomeado em confiança e que não mereceria ocupar um posto pago pelo povo. Mas essa mentalidade tende a se alterar, ao se constatar que o acesso ao cargo ou função pública depende de mérito. São os concursos que avaliam os melhores e a remuneração do serviço estatal nem sempre é das piores. 

Os bons quadros já não se satisfazem com o trabalho integral e convívio com a família apenas nos fins de semana. Por isso conseguiram despertar a atenção dos setores de RH no sentido de que pais e mães possam compartilhar obrigações profissionais e familiares de modo equitativo. Acenar com a possibilidade de manter carreira compatível com a vida privada aumenta de forma considerável a motivação para o trabalho e a fidelidade ao patrão. No caso, o patrão é o povo. Paga e merece um serviço de qualidade. 

Os gestores de recursos humanos reconhecem que o fato de estar ativamente envolvido na educação dos filhos também é benéfico para o progresso profissional de um indivíduo. Os pais têm motivação acrescida para um bom desempenho. São sempre mais sociáveis e costumam organizar a carga de trabalho de maneira eficiente. 

O ideal seria que cada repartição – penso em cartórios – tivesse permissão para organizar seus horários como preferirem, desde que produzam resultados e atendam de maneira satisfatória ao jurisdicionado. As redes internas das quais nunca mais escaparemos facilita essa prática. Trabalhar em casa não é pecado. Talvez possa comprovar melhor retorno do que a presença física, mas desinteressada, do servidor em seu local de trabalho, quase sempre opressor, desconfortável, angustiante e desinteressante.      
 
JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br. Visite o blog no endereço https://renatonalini.wordpress.com e dê sua opinião sobre seus artigos.
 
Imagem
 
Anúncios

Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

6 pensamentos sobre “Novo espaço de trabalho

  1. Concordo plenamente, mas entendo que a flexibilidade de horários pode reforçar a ideia perante a população de que funcionário público é o marajá encostado no Estado.
    Em tempo: defendo revisão nos critérios que permitem ao juiz morar fora da comarca. O que era exceção, virou a regra. Conhecer e viver com os jurisdicionados prestigia os ideais da magistratura moderna, menos literal e mais justa.

  2. Também concordo plenamente. O trabalho em casa já é utlizado largamento por diversas empresas privadas (vale dizer, na maioria, com sucesso). Esta forma de trabalho, aliada a responsabilidade do funcionário e o cumprimento de metas, só tender a trazer benefícios à todos (empresa, funcionário e principalmente o jurisdicionado).

  3. Por primeiro leio todos os dias a matéria que o Sr. escreve. Por segundo achei a idéia muito interessante de trazer o Magistrado para mais perto dos jurisdicionados com suas matérias. Por terceiro ,gostaria se o Senhor não leu de indicar um livro que li em apenas uma hora , de fácil leitura “quem comeu meu queijo” Se o Senhor não o leu , traz em seu bojo:- que o novo sempre virá de qualquer forma , Todas as concepções do que era politicamente correto sofreram grandes mudanças tanto no pensamento humano, com reflexos no profissional, até mesmo no comportamento. Hoje entendemos como um ótimo profissional aquele que consegue equilibrar família e progresso profissional e sociedade por escolha, entendendo o significado exato da palavra cidadão, capaz de se comprometer em melhorar seu mundo imediato com sua ajuda voluntária. Talvez aprendermos a ser meio e não super isso ou super aquilo.Talvez ,assim se encontre o equilíbrio que tanto almejamos, seja no campo profissional ,seja no campo familiar, ser um cidadão transformador.

  4. De fato, nova dinâmicas são imprescindíveis para evolução e melhora da qualidade do serviço público, sobretudo, aquelas que propiciam um ambiente de trabalho mais saudável e um clima organizacional motivador. Jornadas de trabalho mais flexíveis, que permitam aos funcionários adequarem seus interesses pessoais com as obrigações profissionais, sem dúvida, contribuem muito para saltos qualitativos no desempenho de qualquer instituição.
    Louve-se a sua decisão de trazer de volta o antigo horário de funcionamento do tribunal. Mais amplo e com margem maior de flexibilidade.
    De se lamentar apenas a postura de algumas Secretarias,que parecem desconhecer o mundo contemporâneo, bem como as idéias e ideais do atual Presidente.
    Bom exemplo disso, é a SPRH que de maneira arbitrária impôs um único horário, sem a flexibilidade defendida pela atual presidência. Todos tem que entrar ás 11:00. Ou seja, todo mundo entrará e sairá no mesmo horário. Exatamente, aquilo que o senhor tanto abomina.
    Tal postura, infelizmente, torna as palavras do senhor Nalini apenas um mero exercício de retórica, visto que na Instituição que ele comanda, não se segue aquilo que ele defende e crê.
    Uma pena.
    Edgar

    P.S. : Qualquer funcionário que precisar dos serviços da SPRH entre 9 e 11 horas, ficará na mão, visto que não haverá ninguém, para o atender.
    Espero que o senhor, por questão de coerência, ponha fim nisso.

  5. Mensagens de ouro neste blog ! Vale a pena ler !

  6. Excelentíssimo Presidente, parabéns pela inciativa de ventilar a ideia de implementar o home office no Judiciário bandeirante. Sou servidor do TJ/SP e todo dia me desloco até a cidade vizinha para trabalhar. Nossas instalações estão longe de ser as ideais para que possamos desenvolver um trabalho de qualidade durante as 8 horas da jornada, principalmente no verão, quando sofremos pela falta de climatização nos Cartórios. Eu, como servidor, entendo que, por hora, com os processos físicos, o home office é uma realidade distante. Porém, aguardo ansiosamente pelo processo digital e pela possibilidade de implantação do home office, aumento, assim, nossa produtividade e satisfação.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s