Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

É possível otimizar

6 Comentários

O índice de credibilidade na Justiça Brasileira não é dos melhores. Na última pesquisa levada a efeito pela FGV, ela obteve 33%, muito abaixo da média. Está à frente da política e dos partidos. Mas isso também não é mérito. 
A única instituição bem avaliada, logo após as Forças Armadas e a Igreja Católica, é o Ministério Público. Instituição bem fortalecida pelo constituinte de 1988 e que não tem o ônus de decidir. Acionar, recorrer, escolher seletivamente o que interessa é sempre menos arriscado. 

Seja como for, o interesse na obtenção de uma Justiça melhor – mais eficiente – é o de todos os brasileiros. O descalabro de algumas situações deriva do desconhecimento e do desinteresse do brasileiro comum quanto à sua Justiça. Ele paga o Judiciário. Mas acha que os assuntos da Justiça pertencem aos juízes. O universo hermético faz com que as reformas atendam a interesses localizados e as mudanças reais não são feitas. 

O que falta ao Judiciário é gestão. Ninguém ainda dispõe de um padrão de trabalho. Qual seria o cartório ideal? Qual a produtividade ótima? 

Enquanto não se investir nisso, a resposta será a simplista receita utilizada até o momento: precisamos de mais juízes, de mais funcionários, de mais orçamento. Tendência contraditória se levada em conta a opção pelo processo eletrônico. As empresas que se informatizaram reduziram o pessoal. Vide os bancos, por exemplo. O essencial é um funcionário categorizado, superqualificado, que possa ganhar mais, fazer carreira e ficar satisfeito com o seu trabalho. 

 

Nessa linha, os cursos a serem oferecidos aos servidores pela futura “Escola do Servidor”, do TJSP, junto à Escola Paulista da Magistratura, precisam pensar em temas como “Sincronismo organizacional: como alinhar a estratégia, os processos e as pessoas nas organizações”, ou “Como as métricas e indicadores de performance do capital humano podem contribuir para a melhoria da qualidade organizacional, inovação e produtividade”.

Precisamos de formação em liderança, gestão de pessoas, motivação, avaliação de desempenho, busca de excelência. Se conseguirmos despertar o interesse de alguns chefes para se tornarem efetivamente líderes, em breve a Justiça será outra. E quem ganhará será o povo. Isso é o que interessa. 

* JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br. Visite o blog no endereço https://renatonalini.wordpress.com e dê sua opinião sobre seus artigos.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

6 pensamentos sobre “É possível otimizar

  1. DR. José Renato Nalini, á muito anos no TJSP, venho dizendo que precisamos ser melhores, se formos fazer algo que seja feito com excelência, se for atender um jurisdicionado ou um advogado, seja da melhor forma, temos que nos tornar mais profissionais e excelente no que propomos a fazer. sempre. Grato pela visão ampla que tem nos trazido, penso que não é só o dinheiro que faz de tudo melhor. Parabéns.

    atenciosamente –
    Valdemir Gonçalves
    funcionário setor certidões Forum João Mendes Junior.

  2. A resposta às indagações deste texto, mesmo já conhecendo-a, até por força de estar na Presidência do TJ/SP, precisa ser exposta, colocar o preto no branco no relevante texto deste Blog.
    O exemplo em todas entidades existentes, até na família, deverá vir de cima para baixo….do pico ao solo.
    As manchas da imperfeição, levando o quadro ao caótico, sempre foram nas primeiras instâncias onde restam as partes e não meros autos, papeis amarelos pelo tempo rolando de instância em instância, de mesas em mesas….
    Falo das Varas da Família onde atuo, qdo a Magistrada é excelente, tal qual será o Diretor do Ofício e demais servidores, e aí inclui todos, até “aquele” que atende ao balcão.
    Já, na Vara em que o Juiz é condizente com a morosidade, que o relapso é seu norte, que ele próprio afirma “…se quiseres Justiça, não venham procurar aqui…, seus servidores serão seus semelhantes, cópias do “Chefe”.
    Não há hierarquia a ser respeitada e nem tomada como bom exemplo, faz-se quando há tempo, afinal são mortais, vai que infartam por conta da busca “desenfreada” para achar aquele processo perdido, ou o número de identificação que acusa no sistema do TJ como inexistente.
    Teremos sim alguma Justiça…se for cobrada, fiscalizada por nós Advogados(as), partes interessadas, clientes no escritório aguardando uma resposta de seu alimento que não vêm há meses, um simples ofício ao empregador e não saí…não há tempo para digitá-lo.
    Detalhe, sou Advogada autônoma, nunca fiz Assistência Judiciária, pago em todas ações ajuizadas o percentual de 1% do valor da ação, mais 2% do salário mínimo vigente no país, à titulo da taxa da OAB, por procuração juntada.
    TENHO DIREITO DE OBTER SERVIÇO DIGNO, e não acredito que deva estar postando estas verdades que já são do conhecimento de todos que pertencem ao mundo jurídico.
    Ah….peticionamento eletrônico é ágil apenas para nós Advogados, quando chega ao Cartório, não há servidor para lê-lo e nem dar o devido encaminhamento.
    O Divórcio Consensual, sem filhos, sem pensão, portanto simples, está demorando 60 dias para sair o mandado averbatório ao Cartório de Registro Civil, mesmo com a desistência, pelas partes, do tempo para o prazo recursal.
    Ouçam os Advogados, do interior se possível, os da Capital tbém, mas os que realmente militam, não àqueles que vão apenas em dia de audiência assessorado de mil pares, porque sozinho não dá conta nem de uma alegação final.
    Abraços Dr. Nalini, parabéns pelo esforço em fazer mais justo o nosso TJ/SP

  3. Olá presidente.

    Sou oficial de justiça há treze naos, meu trabalho e majoritariamente externo e acho que “otimizar” é mesmo, sempre desejável. Mas, que tal começar pelo básico ? No Fórum de Sorocaba, prédio relativamente novo construído em concreto armado, não há ar-condicionado nos ambientes, e a a justificativa é de que o projeto elétrico “não contemplou” tal necessidade. Nos dias mais quentes desse verão, temperaturas de 37º foram registradas em algumas salas. Difícil ser ótimo com um bafo desse no cangote. Mas sejamos mais básicos: quase nunca há papel higiênico nos banheiros ! Papel toalha é nunca mesmo ! Mais básico ainda ? Em alguns cartórios as cadeiras estão quebradas, os gaveteiros estão emperrados, as mesas não são ideais nem em número nem em ergonomia. Ergonomia, alíás, é uma palavra desconhecida nos ambientes de trabalho dos cartórios, abarrotados de processos, apertados, mal ventilados, abafados. Sem falar que não há padronização nenhuma. As análises mais modernas de gestão já comprovaram que o ambiente de trabalho influi decisivamente na produtividade e “otimização” de resultados, é uma medida “causa própria”, não uma benesse aos funcionários. Que tal começar a otimização por aí ? Confio no senhor !

  4. O primeiro passo para que possamos reaver a credibilidade na Justiça Brasileira é que seja praticada a Justiça, mas infelizmente, está cada vez mais distante essa possibilidade aqui no Brasil.
    Como acreditar se o que presenciamos diariamente dentro dos próprios setores do TJ funcionários serem injustiçados? Serem traídos, serem humilhados, serem discriminados e até menosprezados?
    O princípio de uma organização deve ser o respeito, depois seguindo a linha do respeito, devem vir a humildade e a força de vontade. Só assim caminharemos para a tão sonhada Justiça organizada e funcional.
    Funcionários tratados com respeito se tornam funcionários motivados e, assim, sendo, trabalharão com mais eficiência, força de vontade e amor e essa energia se expandirá aos usuários que também serão contentes com os seus processos em andamento.
    Muitas coisas precisam ser mudadas ou colocadas nos seus devidos lugares, é como um armário bagunçado, uma vez sistemada a bagunça, tudo anda perfeito. Chegaremos lá, Dr.Nalini, pode ser difícil, mas não impossível. Perto do que foi anteriormente, antes da antiga gestão, já melhorou e muito o TJ, retornando quase àquela família que um dia foi. Boa sorte e conte conosco (servidores do judiciário).
    Tenha um ótimo e iluminado final de semana juntamente com a sua família e o novo membro (a netinha).

  5. Questionando pode haver escola de servidor, conscientização e valorização profissionais, apoio logístico e infra-estrutura impecável com um pequeno detalhe: a procrastinação das partes e mesmo de sentenciantes com inúmeros recursos nem sempre propiciando a prestação jurisdicional célere. Modificações nos procedimentos e processamentos com menos burocracia, através simplificação nos Códigos de Processo Civil e Penal… Não se concebe mais o Estado conquistar prazos em dobro. Não é crível autos ficarem nos escaninhos dos ofícios durante lustros (ou mais de uma década). Ousar questionar uma prerrogativa ao “deixe uma resposta”, s.m.j. Helena Macuco Mosca

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