Blog do Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

Quem quer ser advogado?

12 Comentários

“Conquistar o diploma de bacharel em Direito é mais fácil do que ser dentista, farmacêutico ou agrimensor. Isso, porém, acontece porque nada é mais difícil do que aprender o Direito… O paradoxo é apenas aparente. Para que o bacharel deixasse a faculdade habilitado a advogar ou a julgar, seria necessário que para ali entrasse muito jovem e saísse encanecido… Durante os cinco anos do curso acadêmico, o futuro advogado ou magistrado somente adquire – o que não é pouco – pela convivência dos mestres e por influência das tradições da casa e da vida universitária, o “espírito de jurista”, que o dominará durante toda a existência, imprimindo-lhe no coração e na consciência o amor à lei e à justiça. Da Ciência Jurídica, porém, o melhor estudante apenas levará para a vida prática algumas noções genéricas e um pouco de método, para estudá-la aqui fora. Alguns, realmente, estudam”.

Esse texto não é meu. Foi escrito pelo legendário Ministro Manoel da Costa Manso, ao apresentar o livro “Da Tentativa”, escrito pelo Juiz de Direito de Campinas Vasco Joaquim Smith de Vasconcellos, em 1932. Herdei o livro da maravilhosa biblioteca do Desembargador Young da Costa Manso, que foi Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, assim como seu pai. E que judicou em Jundiaí na década de quarenta do século passado.

Mas como são atuais as palavras do ministro Costa Manso, que foi Juiz em Casa Branca e de lá guindado ao Tribunal de Justiça de São Paulo, que presidiu e depois chegou ao Supremo Tribunal Federal. O Curso de Direito é mera formalidade. Quem realmente quer ser advogado precisa ser um insatisfeito. Não se conformar com a matéria de classe, mas se aprofundar em pesquisa individual, servir-se do professor para elucidar dúvidas que encontrar no estudo que é um exercício solitário. Quem se satisfizer com as aulas será sempre alguém limitado. Pois a plenitude do conhecimento nunca esteve tão disponível. O Google elucida todas as dúvidas. Mas não ensina a pensar. Isso é missão de cada um. E não se aprende na Faculdade. 

O Brasil começa a enxergar e logo mais exigirá um outro bacharel em ciências jurídicas: alguém provido de aptidão para conciliar, para pacificar, para harmonizar. Não para litigar! Quem se aperceber disso terá futuro. Os outros, o tempo dirá…  
 
* JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.
 
Ministro Manoel da Costa Manso / fonte: http://www.stf.jus.br

Ministro Manoel da Costa Manso / fonte: http://www.stf.jus.br

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Autor: Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e Conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

12 pensamentos sobre “Quem quer ser advogado?

  1. Excelente Presidente, levarei seu artigo aos alunos da graduação! Parabéns, percebe-se pelas linhas, que o TJSP, esta sendo conduzido, com visão de um futuro próximo.

  2. Excelência, o texto ´atualíssimo e partiu de uma mente brilhante. Parabéns a ambos!

  3. Advogar não é para todos (a).
    Devemos nascer com a musculatura mais flexível, com poder de oratória incontinente, de forma que defendemos ser perceber, guerriamos sem carecer um livro abrir…já que a batalha é uma constante em nossa vida, e a vasta biblioteca carregamos na alma.
    E, qdo chega o tempo de diminuirmos o ritmo, por contingências da vida, ai sim de espada em punho, nos recusamos até a última defesa….até o último suspiro.
    Este sim é Advogado, é a Advogada….os demais são moldagens novas, talvez por conta de novos tempos….mas por favor não o chame de Advogado, já que este não curva sua espinha dorsal diante de “aconchegos” para cessar uma lide, visando economia de tempo….isto é prostituição na advocacia, é vender-se pelo mais prático e não pelo que de Direito.

  4. Texto interessante, porém, é preciso indagar, se o brasileiro versado nas ciências juridicas foi habituado a uma cultura apta a conciliar, a pacificar e a harmonizar. Quando com quem litiga não tem essa cultura, muito menos numerosa parcela da pirâmide de Kelsen. O texto é extremista e não reflete a realidade desse país, se assim for, concordo com uma das respostas “… Advogar não é para todos (a).
    Devemos nascer com a musculatura mais flexível, com poder de oratória incontinente, de forma que defendemos ser perceber, guerriamos sem carecer um livro abrir…já que a batalha é uma constante em nossa vida, e a vasta biblioteca carregamos na alma.
    E, qdo chega o tempo de diminuirmos o ritmo, por contingências da vida, ai sim de espada em punho, nos recusamos até a última defesa….até o último suspiro.
    Este sim é Advogado, é a Advogada….os demais são moldagens novas, talvez por conta de novos tempos….mas por favor não o chame de Advogado, já que este não curva sua espinha dorsal diante de “aconchegos” para cessar uma lide, visando economia de tempo….isto é prostituição na advocacia, é vender-se pelo mais prático e não pelo que de Direito.

    Afinal se existe jurisprudência a ponto de num futuro exigir a conciliação, pacificação e harmonização, esta vem do trabalho incessante e incansável dos advogado e suas teses!!!

  5. Grande e Magistral MESTRE NALINE; não o conhecia nas letras, doravante o terei por paradigma, peço-lhe VENIA para postar essa ENSINANÇA EXISTENCIAL.

  6. Advogar não é para poucos tampouco liderar a Justiça. O Direito é muito mais do que meros protocolos de proceder. O Direito estava chato. Muito moroso, previsível, enfadonho e , no estado paulista, emperrado. Hoje temos quem valoriza desde o mais simples funcionário de um Fórum, até o seu vice presidente , sem diferenciar, como todo o respeito. Professor Nalini, hoje temos comando e contamos com o senhor.

  7. Caro Presidente, de Casa Branca também é meu pai e o amigo Francisco Thomas de Carvalho. Seu texto me fez refletir para concordar totalmente com seu ponto de vista. Irriquietos com a realidade são os bons advogados. Todavia, sermos lutadores nos faz melhores que guerreiros. Lutar pelo direito nem sempre tem wue ser travar uma guerra.

  8. Como evidencia o texto, um advogado deve desenvolver várias habilidades além de litigar , mas para isso é necessário estar aberto a mudanças constantes do dia-a-dia e consequentemente um futuro próspero de realizações..

  9. Advogar e mais que um
    Ofício, e dar o máximo de si e procurar soluções aos litígios, mesmo neste mundo jurídico as vezes tão injusto com o ciente e automaticamente com o advogado, a população não trabalha com a possibilidr de perder, se o advogado ganha a causa, ótimo entre aspas pois com certeza vai achar que foi fácil e sempre irá questionar os honorários, vida cansativas e estressante, porém para quem faz por amor e garra se sente recompensado, gostaria de ter mais tempo
    Para estudar tenho 17anos de profissão e nuca me arrendo de trabalhar nesta área, amo o direito!

  10. Concordo! Pacificar a sociedade essa a missão maior de um verdadeiro jurista

  11. Lembro-me do tempo em que estava nos bancos da faculdade, há mais de vinte anos, não se falava em mediação, e sem o fenômeno da internet eramos obrigados a buscar nas bibliotecas todo conteúdo necessário para acompanhar o curso de direito, haviam poucas faculdades e o ensino era baseado na forma mais clássica, ou seja, a aula expositiva.
    Quando iniciei na advocacia uma apelação levava dois anos para ser julgada no TJSP e já parecia algo inaceitável diante dos ideias de distribuição de justiça.
    Hoje, por mais que sejamos forjados no aço do litígio, no inconformismo com a injustiça e amor pelo debate, temos que dar ouvidos aos anseios de celeridade, pois a justiça tardia não é justiça. Cabe a nós advogados, conversar mais com nossos pares, propor soluções, levar aos juízes as propostas de acordo, para que os juízes também possam exercer a mediação.
    Comungando do mesmo anseio do i. Presidente, que faz coro ao que ouvi há vários anos do Professor Warat, em Florianópolis, antes de promover qualquer ação e no curso de um litígio instalado, não me furto de falar com o advogado ex-adverso e posso afirmar que quando não se chega à um acordo não é porque os advogados são beligerantes, mas porque as partes estão intransigentes.
    Com essa certeza, creio que não basta mudar a cabeça do estudante de direito, será necessário que a sociedade entenda que o Judiciário é a última opção e não a primeira.
    As políticas de facilitação do acesso ao Judiciário são essenciais para a democracia e equilíbrio social, mas esse alargamento da porta de entrada e o afunilamento da porta de saída, causa um efeito contrário e faz com que as pessoas que resolveriam suas questões diretamente, se transformem em autores e réus. Isso porque ao devedor compensa se valer do Judiciário como escudo.
    Se o Judiciário desse uma reposta rápida, os acordos seriam constantes, pois de nada adiantaria a demora, mas como todos sabem que a resposta do Judiciário será morosa, não há interesse pela mediação.
    O legislativo precisa criar um mecanismo de solução oral, para as causas até 10 salários-mínimos, onde não há recurso. Quem resolve é o Juiz na audiência, com a presença dos advogados, após ouvir a versão das partes.
    Era o que deveria ser o JEC e acabou se transformando em um processo comum.
    O Judiciário precisa ser atuante e deixar de ser inerte por achar que só pode se manifestar por provocação. O juiz é uma pessoa que tem credibilidade, conduta ilibada e deve resgatar o poder de decisão na vida das pessoas, aconselhando nos autos os acordos e não deixar unicamente para os advogados o papel de convencer seu cliente de que o acordo é a melhor solução,
    É a minha opinião, o que pode não ser um consenso, mas aceito conversar e tentar chegar a um acordo com os que pensam de maneira diversa.

  12. Tive o privilégio de assistir a sua palestra recentemente e desde então, interessei-me em acompanhar mais de perto o trabalho de V. Excelência. Concordo com o posicionamento e, apesar de ter apenas 8 anos como advogada e outros 4 estagiando, procuro sempre ter em mente que, apesar de constantemente insatisfeita com determinados fatos, devo sempre buscar o melhor para meu cliente, o que nem sempre significa ter uma vitória num processo. Infelizmente vemos muitos colegas de profissão que valem-se da justiça e causam entraves na solução amigável por enxergar no processo judicial um enorme investimento (sim, ouvimos isso e não raramente). As condenações ao pagamento de indenizações por danos morais em casos em casos que, a meu ver, não passam de situações controvertidas cotidianas, são um dos motivos pelo qual normalmente não se alcança a solução pacífica, bem como a aplicação de juros que por vezes superam o valor da indenização principal devido a morosidade na tramitação dos processos. Na visão de muitos a lucratividade é o escopo principal e não a resolução de um conflito. Resta-me cuidar de minha conduta, dos meus princípios e nunca me esquecer o que me fez desejar seguir a carreira de advogada: estudar, trabalhar e contribuir para uma sociedade mais justa, nunca perdendo de vista sua constante mudança e necessidades.

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