Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Centenário da Esther

3 Comentários

Esther de Figueiredo Ferraz foi a primeira em tudo: a única mulher que obteve nota 10 em todas as disciplinas em todas as séries do curso de Bacharelado da USP, a primeira Catedrática da sua Faculdade, a primeira Secretária da Educação do Estado, a Primeira Ministra da Educação da República, a primeira Reitora da Universidade Mackenzie. Sem falar que foi a primeira mulher a atuar no Tribunal do Júri, cenário reservado às vozes varonis.

Essa legendária mestra de Direito Penal da São Francisco é festejada por todos os que tiveram a benção de conhecê-la. Quem conviveu com Esther não se esquece de sua voz, das lições que proferiu, da sua sapiência e infinita simpatia. 

Sou afetivamente ligado a Esther. Primeiro, por influência de minha mãe, impressionada com a defesa que ela fez de jovem injustamente acusada e levada às agruras do julgamento pelo Tribunal do Júri. Depois, quando no transitório exercício da Secretaria da Educação de Jundiaí, tive o prazer de trazê-la para proferir conferência na Câmara Municipal recém-inaugurada, o prédio de Maitrejean que seria destinado – no plano original – a servir como teatro. 

Já na condição de Juiz da 1ª Vara de Registros Públicos da Capital, tive oportunidade de atuar num processo em que se pleiteava a retificação de seu assento de nascimento. Em lugar de 1914, a pretensão era que figurasse 1915. Conversei com o Curador de Registros Públicos, José Celso de Mello Filho, hoje brilhando no STF. Achou razoável, embora o parecer posteriormente fosse assinado por outro Promotor. Deixamos Esther de Figueiredo Ferraz mais um ano à frente da docência no Largo de São Francisco. 

Quase dez anos depois, ela foi minha eleitora na Academia Paulista de Letras, honrou-me com seu carinho e ternura. Continuei sempre aprendendo com ela. Em seu livro de memórias, afirmou que a vida só tem significado se representar um aprendizado. E aprendemos até com a morte, a última mestra.

País desmemoriado, nem sempre aqui se reverencia quem merece. Mas Esther de Figueiredo Ferraz continua presente na lembrança de quem teve o privilégio de conhecê-la e, melhor ainda, de privar de seu convívio.  Neste 2014, ela completaria 100 anos. Salve Esther! 
 
* JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.
 
Esther de Figueiredo Ferraz

Esther de Figueiredo Ferraz

 
 
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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

3 pensamentos sobre “Centenário da Esther

  1. Dignos, os que reverenciam com carinho e respeito a memória daqueles que lhes são caros, daqueles que deveriam ser caros à maioria de seus concidadãos.

  2. Caro Nalini, também pude conhecer a Professora Esther e compartilho, com emoção, as suas saudosas lembranças. Carinhoso abraço!

  3. Minha reitora no Mackenzie pessoa incrivel forte decidida e profundamente correta tenho muita honra de ter sido amigo e ter sido convidado a trabalhar com ela na Secretaria da Educação no Fundo Estadual de Construções escolares .Uma mulher incrivel muita saudade de nossas conversas .

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