Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Precisamos de mais santos

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O papa Francisco, que poderia ser chamado o “papa simpatia”, percebeu que o mundo precisa de bons exemplos. Canonizou dois papas – João XXIII e João Paulo II – e canonizará mais um: Paulo VI. Este eu conheci. A primeira vez que fui à Europa, com Francisco Vicente Rossi, em 1976, ele estava em pleno pontificado.

Dom Agnelo Rossi era o brasileiro mais influente na Santa Sé, fruímos de sua hospitalidade e tivemos oportunidade de estar com Paulo VI que, embora parecesse austero nas fotos, era um homem bom e agradável. Ainda me lembro de sua fala à audiência a que estive presente: “Si la chiesa non è unita, ecco! non è piu chiesa” (Se a Igreja não é unida, não é mais Igreja).

O “ecco”, interjeição muito utilizada pelos italianos, era também constante nas conversas de meu nono, Jacintho Nalini. Senti-me em casa. Era um papa familiar. Mas Paulo VI não foi o único santo com quem convivi. Tive o privilégio de conviver com dom Gabriel Paulino Bueno Couto, o primeiro bispo de Jundiaí. Que ao ser apresentado à comunidade por dom Agnelo, em 1967, era “o máximo de espírito num mínimo de matéria”.

Fora tuberculoso, não possuía um pulmão. Ninguém poderia supor que aquele corpo raquítico se transfigurasse no momento de suas prédicas. Tivemos ainda a Irmã Felicíssima, no Hospital São Vicente de Paulo e Aprendizado Dom José Gaspar, outra santinha que viveu para fazer o bem. E tantas outras pessoas, cheguem ou não à honra dos altares, viveram vidas exemplares. 

Num Brasil em que o mau exemplo é a regra, em que os escândalos políticos proliferam, em que a corrupção foi apelidada de “malfeito”, para amenizar aquilo que se converteu em rotina, é urgente que o povo tenha melhores exemplos. Não é necessário ser católico para reconhecer qualidades em pessoas que se devotaram a uma causa nobre. Também nas outras confissões religiosas – e acredito até que entre os agnósticos e ateus – haja paradigmas de comportamento. Essas pessoas precisam ser lembradas. Reverenciadas. Cultuadas.

A criança brasileira tem o direito de saber que nem sempre a sua Nação foi este espaço em que apenas o dinheiro tem valor, em que ele se impõe como o único bem a ser obtido, em que as pessoas se esquecem que vão morrer e vendem sua alma ao demônio para se tornarem mais ricas e mais poderosas. Quem não se encarrega de disseminar o bem, já firmou um pacto com o mal.

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

Vista do Vaticano - Créditos: http://www.freeimages.com/

Vista do Vaticano – Créditos: http://www.freeimages.com/

 

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “Precisamos de mais santos

  1. Bravíssimo Renato! Concordo plenamente com todas as letras, precisamos de mais santos, precisamos de uma geração que não negocie seus valores, Parabéns meu caro.

    Att,Graziele Jesus De Almeida “Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê.” – Romanos 1.16 A cada dia eu te amo mais Jesus…isso me faz tão bem, atua presença é o que me basta.

    Date: Tue, 27 May 2014 17:06:16 +0000 To: grazijesus4ever@hotmail.com

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