Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Quem é grande de verdade

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Participei da inauguração do Museu Pelé em Santos. Um edifício do século 19 foi recuperado e abriga quase 3 mil itens da vida desse gênio chamado Edson Arantes Do Nascimento. O local será um dos mais visitados do planeta. Afinal, como afirmou o prefeito Paulo Alexandre Barbosa, Pelé levou o nome da cidade e do time Santos ao mundo e agora traria o mundo a Santos.

Chega-se ao museu por terra, mar e ar. O centro histórico já começou a ser revitalizado graças a esse empreendimento que resulta de uma exitosa parceria. O governador Geraldo Alckmin falou que Santos teve a primeira PPP bem sucedida da História: Pelé, Pepe e Pagão. O prefeito completou que teria a segunda ainda mais eficiente: Pelé, agora Museu, Petrobrás com o Pré-Sal e o Porto de Santos, por onde se escoa um terço do produto brasileiro.

Mas o que me impressionou mais foi a delicadeza, simpatia e disponibilidade de Pelé. Atendeu a centenas de pessoas que quiseram fotos com ele, escreveu pacientemente e com uma bonita e generosa caligrafia, as camisetas que autoridades brasileiras e estrangeiras, garçons, policiais militares e crianças lhe apresentavam. Quando chegou minha vez, falei que era de Jundiaí e que tinha fotos com ele e com Dalmo Gaspar.

Disse que aprendeu muito com Dalmo. Não teve pressa. Não manifestou aquela preocupação com a fila, que se alongava. Ainda brinquei com ele que estaria prestes a adquirir uma LER – Lesão de Esforço Repetitivo, tanto se exigia de sua mão direita, a escrever nas camisetas que surgiam às dezenas e logo eram centenas.

Extraí, uma vez mais, a lição que Pelé oferece ao mundo. O atleta do século, o brasileiro mais famoso em toda a História, o autor dos 1.281 gols, o nome que a Terra inteira associa ao Brasil de imediato, continua a ser uma criatura essencialmente humana. Simples, carinhosa, emotiva. Quase não conseguiu falar ao ser aplaudido por centenas de pessoas que tiveram o privilégio de um acesso restrito à cerimônia de inauguração.

Quem é realmente grande não precisa perder a naturalidade. Pelé sem máscara é um brasileiro que nos orgulha. Por um instante, voltei a ser aquele rapaz desengonçado que teve a sorte de ser fotografado com ele e com Dalmo, num Grande Hotel que agora só existe na memória.

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. jrenatonalini@uol.com.br.

Fachada de um dos edifícios históricos, no Centro de Santos, que recebe o museu (Foto: http://www.saopaulo.sp.gov.br - A2 Fotografia / Diogo Moreira)

Fachada de um dos edifícios históricos, no Centro de Santos, que recebe o museu (Foto: http://www.saopaulo.sp.gov.br – A2 Fotografia / Diogo Moreira)

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

3 pensamentos sobre “Quem é grande de verdade

  1. Por isso merecidamente chamado de “Rei”!

  2. Quem é grande de verdade, creio eu, que não se aperceba, não distingua o seu tamanho pós fama. Ele convive com seu eu, quase ainda moleque, daí a humildade se sobrepor à glória.
    Quem é grande de verdade não contempla, como os demais esportistas, a visão da fama, do assédio, do exagerado enriquecimento advindo não só de sua aptidão, de sua supremacia em campo, mas de propagandas, vestimentas com seu logo, que vem de forma indireta, mas tenho como honesto, porém não afaga tanto o coração do esportista, quanto uma arena toda em pé, com seus fãs aos gritos, chamando e clamando por seu nome PELE.
    Assim o tenho Pele, jogador de futebol, iniciou sua carreira na minha Bauru, onde morava com seus pais.
    No BAC (Bauru Atlético Clube), duas quadras de minha casa, O GRANDE foi iniciado, e como terra boa que é, chamada capital da terra branca, fostes arremessado, jogado, levado por mãos divinas ao mundo, correu e jogou em campos de futebol de países que o então garoto humilde jamais houvera falar, quanto mais ser glorificado Rei.
    Do modesto adolescente ao rico garoto fantástico.

    Fátima Maria Segalla Coutinho

  3. Estive na cidade a trabalho e, infelizmente não consegui visitar o museu fechado na época para reformas. Disseram do intuito em abrirem de cara nova para Copa. Pelo jeito conseguiram. Que bom!
    Quando voltar à cidade, quero conhecê-lo.

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