Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Acabar com as injustiças

4 Comentários

Ainda existe muita injustiça no mundo. Não sei como os pósteros chamarão nossa era. Mas não poderão louvar uma civilização que acaba com a natureza, que produz lixo à vontade, que polui água, ar, mar e terra. Uma sociedade que convive com pessoas ocupando as ruas, que pede pena de morte e redução da maioridade, que tranca indiscriminadamente as pessoas, impulsionando a indústria de construção de presídios.

Uma sociedade que acha normal a corrupção, que se serve da propina para conseguir benefícios, grandes ou pequenos. Um povo que perde a batalha contra a droga e condena a sua juventude à morte precoce, por não oferecer perspectivas reais de ser feliz. Quem não se indigna com uma educação ineficiente, com aulas sem atrativo para uma infância/juventude cada vez mais mal educada, quem perdeu a polidez, o berço e as posturas, talvez não enxergue o retrocesso que as fotos comprovam. O que já fomos, em cotejo com o que somos.

Nenhum desses problemas será resolvido por milagre. Mas jamais serão resolvidos se perdermos nossa capacidade de indignação. Se um grupo ao menos não os considerar ultrajantes e solúveis. E se não resolvermos encarar o desafio de humanizar a humanidade.

É uma questão que envolve fé. É óbvio que a crença é algo admirável. Mas para mudar o mundo, é preciso um novo tipo de fé. A fé de que os seres humanos têm capacidade de se preocupar com os sofrimentos alheios e que, por isso, mostrar a verdade é a receita para fazer as pessoas agir. Há coisas que precisam ser bem conhecidas para serem detestadas. Cada um de nós deve tirar a venda dos olhos dos que não enxergam ou não querem ver.

Encarar a realidade como ela é e como poderia ser, mostrar a infâmia de uma civilização que não se incomoda com os valores, que encara insensível tudo o que acontece de ruim – e com a nossa conivência – é obrigação de cada pessoa que não perdeu a sensibilidade. É impossível não ser tomado de “santa ira” ao prestar atenção àquilo que ocorre diante de nossos olhos. Uma Nação que teria tudo para ser exemplo e é motor de tristeza para a maioria de seus filhos.

Enquanto houver indignação haverá esperança. Esta só morrerá quando o último dos homens se convencer de que a humanidade não tem remédio.

* JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br

Anúncios

Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

4 pensamentos sobre “Acabar com as injustiças

  1. Cessar com as injustiças?
    Como ultimar com esta porção animal no homem, se há 2014 Cristo foi crucificado na cruz, em um dos maiores sofrimentos físicos vividos por um ser humano?
    E qual fora seu crime? Apregoar uma nova crença, um Deus.
    Diante de tão inofensivo ato, ainda assim foi morto.
    E, o que falar dos genocídios, das câmaras de gás onde crianças eram levadas, ingenuamente, para tomar banho, caminhando como anjos chegavam a sala da morte, creio que nem tempo havia de assimilar já que,desmaiadas, morriam ali mesmo.
    As barbáries advinham de governos, de reis, dos poderosos em fúria, dos psicopatas que chegavam aos títulos de julgar, sentenciar qual etnia deveria ser banida do planeta, tudo para proteção dos seus e das propriedades, de latifúndios.
    Assim acabaram com os espanhóis, com nossos índios que adoeciam e morreram, já que expostos com pessoas acometidas de pestes assassinas.
    Agora, em nossos tempos, a violência se nivelou e se dissipou por toda nação.
    Fixando no Brasil, os que detém poder, não estão mais preocupados com exterminação de gente, já que esta mesma espécie humana é que lhe dá subsídio para seu enriquecimento, eles chegam a criar atrativos mil para ganhar a simpatia da plebe, pq é neles que se criam idolos, os quais serão usados como instrumentos para seus assaltos financeiros.
    Se, outrora, séculos passados, repudiavam raças tidas como inferior, hoje esta mesma espécie foi transformada em comboio de eleitores destemidos.
    Houve uma criativa inversão de uso dos mais fracos, antes matavam-nos, agora agradam com ” bolsas família”, financiamento em lojas populares, acesso à áreas de lazer……e assim aquela garota que caminhava para câmara de gás, hoje também caminha inocente para seu adestramento, restando fiel a todos estes enganos que brilham como purpurinas, denominados de drogas, prostituição infantil, tráfego humano e de intorpecentes…..e sem volta, tal qual aquela “falsa sala de banho”.
    Injustiça, em tempo algum, será dissipavel deste planeta, porque seu habitante é o homem, e nele resta a semente da injustiça.

    Fátima Segalla Coutinho

  2. Sim, há verdade em tudo o que foi dito!
    Subsiste, entretanto, esperança no que pode de bom fazer o homem, principalmente o brasileiro.
    Temos muita gente boa por aí, inclusive nas casas legislativas, embora haja uma disposição maior em divulgar as coisas erradas que são implementadas em benefício de alguns.
    Como disse o autor, a indignação não pode sucumbir e, acredito, existe muito dela nos homens de boa vontade que ainda restam.

  3. Sempre houve e haverá injustiça! Daí as pessoas boas e honestas criarem sistemas, leis, Estados democráticos etc. para atender e tentar evitar aquilo que é inaceitável aos sóbrios, aos graves, aos mansos e pacíficos. Nós ainda confiamos no Estado e nas pessoas que cuidam do bem público e de nossa segurança e paz.
    Quanto à forma de ultimar a porção animal do homem, se há + ou – dois mil anos torturam Cristo? Temos primeiro que o próprio Cristo já sabia sobre o que ia passar e por que causa ia passar. Adão perdeu a imortalidade, o homem ou os filhos de Deus não se firmaram como verdadeiros filhos de Deus nem mesmo com os profetas, daí veio Cristo para trazer aos mortais novamente a imortalidade, tendo sido dado ao homem escolher (livre arbítrio) se permanece mortal ou se crê e se firma como filho de Deus e encontra a imortalidade (vida eterna).
    Mas a mídia exagera, o Estado trabalha com uma pequena parte do que a iniciativa privada e os cidadãos lhe concedem, e toma a mídia como se fosse o Salvador da pátria ou como participante das maiores fraudes por seus servidores e homens públicos e aquilo que acontece de errado é veiculado como se fosse culpa exclusiva do Estado, o que na verdade não é.
    Há uma vida acontecendo lá fora, há pessoas casando, comemorando, filhos nascendo e tecnologias sendo inventadas, não só científicas, mas tecnologia de realização.
    Temos também técnicas antigas de higiene, de trabalho e de preservação que estão sendo afastadas por este pensamento massificado que a ciência é só eletrônica, de que o que está acontecendo e a verdade é o que se vê na televisão. A corrupção no governo é a aberração, mas também é a minoria. O que deveríamos nos preocupar é com a falta de ideais, de propósito de vida sendo apagadas pela mídia sensacionalista que mostra as aberrações como se fosse o principal deste país.
    O veiculado neste vídeo mexeu muito comigo, embora seja uma propaganda, mostra que o que movimenta a sociedade e a humanidade são os ideais e os propósitos de vida: http://www.youtube.com/watch?v=U6JxljIXzGw
    Os programas do Estado para ajudar a população mais pobre são sim de grande valia, mas o que estraga é a propaganda como se não fossem programas de Estado e sim programas de governo. A diferença é que as pessoas em um país rico, não se preocupam com necessidades básicas: alimentação, vestimentas e moradia, não precisam se preocupar em sobreviver, e aí podem se desenvolver, podem inventar novas tecnologias, escrever livros etc.
    Adam Smith no livro “A Riqueza das nações” escreveu:” Ao Buscar a satisfação do seu interesse particular, o indivíduo atende frequentemente ao interesse da sociedade de modo muito mais eficaz que se pretendesse realmente defende-lo.” Mas obviamente, não estava falando das aberrações ou das exceções, mas antes sim dos indivíduos sóbrios, graves e que buscam a satisfação do interesse particular honestamente, criando uma nova tecnologia, ou uma nova técnica de realizar algo, o que também é tecnologia.
    Há alimento em abundância no mudo, há mais que suficiente para todos, há pessoas e muitas pessoas honestas e mais que humanas, mas a mídia nos diz o contrário, pois é mais lucrativo mostrar as aberrações.

  4. A humanidade é insaciável, egoísta e pouco sustentável.
    A impressão é de que o homem tem preguiça de pensar, de raciocinar, de se indignar!
    Basta ver a maneira pouco amigável que é tratada a natureza, que nem sequer nos pertence e egoisticamente nos apoderamos, usando-a de forma insustentável, colocando em dúvida a continuidade da vida no planeta.
    Entendo que estas colocações valem para todas as classes sociais.
    Os homens não pensam nas consequências de seus atos.
    Falta consciência e amor ao próximo.
    Caso utilizassem seus pensamentos de forma ampla e solidaria jamais teríamos que nos defrontar com exemplos de selvageria como temos assistido nos tempos atuais.
    A única certeza que temos, é de que se não houver no futuro próximo, mudanças em todos os setores, começando pela forma egoísta de tratar a natureza, teremos como consequência a afetação da própria vida humana planetária.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s