Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

2 pensamentos sobre “Busquemos geratividade

  1. Em, outras palavras: resignação. Fico com Pete Townshend: “Prefiro morrer a envelhecer. The Who :”My generation”.
    No fundo, temos aqui um convite a morte… do pensar, do revoltar… Um convite a estagnação….
    Triste homem aquele que busca a geratividade…. Nada mais é do que um Prometeu autoindulgente.

  2. Se geratividade é dar sem receber nada em troca eu prefiro aquela educação de berço que nos ensinava a sermos polidos, respeitando a liberdade do próximo e respeitando o nosso tempo. Esta educação estava naquele tempo muita ligada ao ensino religioso e é disto que se trata este breve manifestação.

    Eu não compreendo como insistem em descontextualizar a história da filosofia e vice-versa. Eu digo isto porque saio aqui em defesa do ensinamento, não obrigatório, mas cada vez mais necessário do Ensino Religioso nas escolas, sejam públicas ou privadas, para equilibrar o conhecimento e a sabedoria com uma sociedade cada vez mais consumista, de cultura de massa, tecnicista, superficial.

    Somos bombardeados cotidianamente nas mídias por comerciais para comprar, comprar, comprar, consumir, consumir, consumir…Este processo devastador de nossa Consciência do que seja Virtude, de nosso entendimento de que seja uma vida Honesta, tudo isto vai nos tornando seres primitivos e cada vez mais desumanos.

    Então o ensino Religioso nos trará de volta conceitos que hoje cada vez mais parece pueril, nos soa, hoje, algo frágil, como daqueles bobos que creem em Deus e sentem compaixão pelo próximo. O religioso enxerga o milagre, o cético crê só no que vê no exterior, como se só existisse o corpo, a matéria, e a alma renegada ao obscurantismo dos tempos da Idade Média.

    Por isto creio que não podemos descontextualizar a história com a filosofia e vice-versa. Neste sentido, estudou-se muito Marx, Freud e Nietzsche nos séculos XIX e XX, e ainda estuda-se muito, e muito serão eles estudados porque entre suas teses e antíteses, eles estão na história dentro do contexto deles, e estarão eternamente em nosso inventário do conhecimento e da nossa necessidade da ciência com sabedoria.

    Mas, hoje, dentro deste mundo materialista, precisamos de Filósofos que contextualizados com esta realidade torpe, de banalidade da vida, onde não fazemos mais distinção entre altruístas e egoístas, onde o império da Ciência, sem compaixão, ignora a Deus, a ponto de querer transformá-lo em uma partícula microscópica, ou anulá-lo da criação do universo do macrocosmo.
    Por tudo, na Filosofia, mais que nunca, precisamos de Descartes, Rousseau e Kant que se harmonizam mais com esta realidade, para mudá-la, porque estes Filósofos não romperam, como muitos fizeram, com a religião, isto para convergirem ou saberem conciliar a Ciência e a Filosofia com o mundo Espiritual.
    Portanto, estes Filósofos contribuem muito mais para a desmaterialização desta cultura de massa encrustada na sociedade, para curá-la deste mundo compulsivo do consumismo como valor supremo, para fazer voltar à sociedade virtudes como a compaixão, a moral e a Ética, a pura essência da educação religiosa.

    A Educação de Berço somente voltará quando os homens se voltarem para Deus. Com o ensino religioso desde a infância estaremos encurtando esta passagem do homem materialista, consumista, compulsivo, para um homem com a perfeita noção de Ética, de Moral, de Virtude, de tudo aquilo que hoje nos parece tão pueril, como a humildade à soberba; o egoísmo à compaixão e a caridade; o amor ao próximo ao ódio; o pensamento positivo à depressão; o resgate da Espiritualidade, da Fé e da Esperança, ao império da ciência; o Espírito Leve, o Sono dos Justos, à riqueza mundana, para sustentar sistemas econômicos falidos, pois todas já nascem no limite do seu tempo.

    Como Max Weber disse uma vez, todo filósofo, cientista das ciências sociais, deve se conformar com a temporalidade de suas teses, porque filhas são todas da história, das experiências humanas, portanto sujeitas à sorte de sua inexorável finitude, o que não significa à sua extinção definitiva, mas à revisitação constante e necessária, e é neste sentido que está, também, a sua essência de eternidade, pois está no passado, na nossa memória, na nossa história, onde está nossa possibilidade de reinventar o presente e transformar o futuro, nos dando força de indignação e forte senso crítico para fazer este resgate da educação de berço, esta mudança cultural.

    Eu creio no que acredito, esta é a origem da Esperança e da Fé, do ser antes do ter, do mundo espiritual antes do material. Da Religião, de Deus, antes, muito antes daquilo que pensamos ou que entendemos, e muito mau entendemos do que verdadeiramente seja a Ciência.

    Porque não é só da Ciência que vem a Educação de Berço, mas muito antes dela foi do Ensino Religioso que a educação de berço nasceu. A religião precede a ciência e não o contrário, como muitos pensam.

    Se não resgatarmos aquilo que perdemos lá atrás, não mais viveremos um futuro onde compaixão, solidariedade garantem a geratividade, mas reproduziremos este materialismo falido, condenando as próximas gerações num mundo de expiação, de tristezas, de desumanidades, de pessimismos, abandonando o dom da Utopia, dos nossos ideais, sonhos e desejos de mudança e capacidade de compaixão com indignação.

    Em fim, daremos a oportunidade de sermos protagonistas de nossas vidas e não coadjuvantes de uma vida que vai nos moendo por dentro e nos imbecilizando por fora.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s