Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

O jovem e o velho clube

3 Comentários

Quando eu era criança, não frequentei clubes. Eles eram restritos a grupos bem definidos, de acordo com o status. Só na adolescência atentei para a delícia de um convívio em que o clube fazia parte da rotina. O Clube Jundiaiense era o local em que a minha turma se divertia.

Nunca fui esportista, para desencanto de meu pai, atleta e torcedor fanático do Santos F.C. Mas logo descobri o quão gostoso era dançar, flertar, conversar e levar uma vida de assíduo frequentador da sede da 11 de Junho e, depois, da área campestre na Estrada Velha de Campinas.

Foi no Clube Jundiaiense que comecei a namorar. Ali fazíamos as reuniões do Top Clube – Trabalho, Organização e Progresso. E depois, as do primeiro Rotaract de Jundiaí. Participei de inúmeros bailes de debutantes, alguns deles apresentando as garotas junto com a querida e hoje saudosa Cláudia Maria de Lucca, depois Parise.

Fizemos alguns shows, como o “Pobre Menina Rica”. Talentos nossos, como Delega e Giba Fraga de Novaes, Flavinho Della Serra, Mmelinho e seus “All Anthonys”, Helô Basile, Ricardo Feres Abumrad, o criativo Maninho, Eduardo de Souza Filho e tantos outros que já se foram. Tempos em que o Presidente Oswaldão, o dr. Oswaldo de Almeida Leite imperava, com o Muzaiel Feres Muzaiel diretor encarregado das “boites” do sábado à noite. com a presença de Ucho Gatica, Cláudio Luna, Maricene Costa, a Voz de Ouro ABC.

E os carnavais? Concurso de fantasias, liderados por Sônia Carletti, com o preparativo de meses na confecção de roupas que os grupos usavam nos bailes e ainda desfilavam pela Rosário e Barão. As brincadeiras dançantes, com parada na “Pauliceia” e depois todos caminhando a pé, ainda não havia a invasão automobilística e se podia voltar tranquilo para casa, sem receio de assaltos e outros sustos.

O Clube Jundiaiense faz 70 anos! Quase a minha idade! Por algumas décadas, ele me fez muito feliz. De certo, continuará a fazer felizes outros jovens e as crianças que eles fizerem nascer. Agora maior, mais provido de recursos, mas igualmente acolhedor, espaço de convívio familiar e social, fortalecedor de laços que a sociedade em geral já não consegue estabelecer numa República que teria muito a aprender com os seus clubes.

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

Anúncios

Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

3 pensamentos sobre “O jovem e o velho clube

  1. A felicidade está de fato nas pequenas coisas. Os fatos marcantes em nossas vidas não são aquisições materiais mas pequenos grandes momentos de convívio social.

  2. Jundiaí era pequeno e calmo, hoje com tudo modificado se tornou agitado.
    Muita lembrança perdida que precisa ser resgatada. Abração.

  3. Bons tempos aqueles. Ao narrar, você nos leva de volta a um passado maravilhoso. Poucos como nós poderam ter esse privilégio de ter compartilhado aqueles dias de nossas adolescência.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s