Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Boa educação paroquial

3 Comentários

O Brasil já foi bem melhor do que hoje em termos de educação. Embora sem tantos recursos, sem o aparato das tecnologias da comunicação e informação, propiciava aquilo que a escola hoje tem imensa dificuldade em ofertar: educação de qualidade, não mera escolarização.

Paradoxalmente, crescem os índices de matrícula e acesso à escola formal, enquanto decresce o nível de adequada formação de caráter. Jundiaí comemora esta semana o centenário da tradicional Escola Paroquial Francisco Telles. Era muito profícua essa ideia de vincular a criança ao seu bairro, em torno à grande influência então exercida pela Igreja.

A subdivisão em paróquias reproduzia as comunidades iniciais do Cristianismo. Pretendia constituir uma célula amorável, para que ainda se pudesse dizer, como se afirmara em relação aos primeiros cristãos: “vede como se amam!”.

Meu pai, Baptista Nalini, foi aluno da Escola Paroquial. Sou fruto da Escola Paroquial, assim como a minha irmã Neusa Raquel e meu irmão precocemente falecido, João René. Só a Jane Rute é que foi para o Instituto de Educação Experimental. Mas ela tem dez anos menos do que eu. Já refletia o pensamento de outra época.

Fui muito feliz na Escola Paroquial. Minhas professoras eram freiras vicentinas, das quais guardo imensa saudade e gratidão crescente: Irmã Suzana, Irmã Verônica, Irmã Úrsula, Irmã Verona e Irmã Zélia. A diretora era a Irmã Flórida e vice-diretora a Irmã São Luís Gonzaga.

Lá estive de 1953 a 1956. Lembro-me do terço rezado em frente à gruta de Nossa Senhora de Lourdes, as missas na então Matriz do Monsenhor Doutor Arthur Ricci e até programas na Rádio Difusora nós fazíamos. Teatro amador, festivais de talentos infantis, festas juninas. Tudo ao lado de um bom aprendizado com disciplina, austeridade e amor.

Tudo passa, mas posso percorrer os jardins de minha memória. Lembrar os colegas de escola como Orlando de Jesus Moreira, Fernando Loboda, Ernestinho Chiorlin, Vicente Martin, Norberto Pastre Júnior, Francisco Calzoli, o Baeta, o Brandoli e outros tantos. Em outras classes estavam o José Carlos Bissoli, o José Armando Gáspari, o Mário Bampa.

Lembro-me do dia 24.8.1954, em que fomos de volta para casa, porque o presidente Getúlio Vargas havia praticado suicídio. Cheguei à rua 15 de Novembro e mamãe chorava: “Morreu o pai dos pobres!”. Parabéns Escola Paroquial, hoje Colégio São Vicente de Paulo! Auguro muitos outros centenários!

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br

Anúncios

Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

3 pensamentos sobre “Boa educação paroquial

  1. Tambem sou fruto da Escola Paroquial Francisco Telles, onde fui alfabetizada por D.Antonieta Leite Chaves,Luzia Pimenta de Pádua e D.Netinha, alem de ter feito a Primeira Comunhão tendo como catequista Irmã Maria de São Luiz entre 1965 e 1967.
    Ainda lembro das missas de domingo na Matriz Nossa Senhora do Desterro.Nos reuniamos na Escola para depois seguirmos todos juntos até a igreja.
    Bons tempos aqueles que estão guardados eternamente no coração.

  2. PARABÉNS, estimado amigo. Minhas tias, Setembrina e Aninha (primas avós de minha mãe Maria do Carmo Guimarães Pellegrini) ex- professora do Rosa), eram pessoas boníssimas que muito estimularam a todos nós na educação familiar com o que o inesquecível Chico Telles nos brindou a todos, como uma herança imaterial; a qual minha avó Alice soube nos transmitir. Um abraço do ROBERTO

  3. Em Mairiporã, dos 07 aos 14 anos, orgulho-me de ter sido aluno do Instituto Mairiporã Thomaz Cruz. Este Empresário Sergipano, assim como fez Antonio Ermírio de Moraes, na Votorantim, que construiu a Beneficência Portuguesa, ele, Thomas Cruz, construiu esta escola modelo até hoje na cidade, pela sua amplitude, indo muito além do ensino de conteúdo obrigatório, na época, pelo MEC. E muitos alunos, amigos de infância meu, como Ruy Marcelo de Freitas, Hamilton Donizete, trazem lembranças de uma educação onde disciplina não era sinônimo de opressão e educação religiosa sinônimo de cauterização, muito pelo contrário, fiz minha primeira comunhão lá, mas devo dizer da importância de meu avô, Esar, e minha avó, Lívia, que souberam encaminhar minha formação em escolas como esta, de excelência e referência, até hoje para todo o Brasil, assim como é na saúde, o Hospital Beneficência Portuguesa.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s