Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Falta civilidade

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A situação hídrica paulista é muito mais grave do que se possa pensar. Somente agora o noticiário começou a se dar conta de que todo o Estado sofre as consequências da irracionalidade humana. Jornais da manhã mostram a paralisação do transporte por hidrovias, centenas de barcaças paralisadas, demissão inicial de 700 trabalhadores que faziam o sistema funcionar.

O mais grave é o atestado de ignorância e insensibilidade que a seca também evidencia: os fundos dos rios e represas estão atulhados de lixo. Garrafas pet, objetos de toda origem, mostram a insensatez humana. Estamos fazendo da Terra, que poderia ser um jardim, um depósito de nossas imundícies. É a mais escancarada prova de que nossa educação falhou. De que adianta propalar o avanço econômico, o combate à pobreza, se a indigência mental progride em paralelo?

Ainda há pouco, durante a Copa, o bom exemplo dos japoneses mereceu discretos comentários. Eles recolhiam seus próprios detritos, assim que acabavam os jogos. Aqui no Brasil, apenas engatinha-se nesse modelo, que teve modesto início no Rio de Janeiro e em Santos. Mas tudo a partir de ameaças sancionatórias. Se não onerar quem suja as vias públicas, não haverá campanha bem sucedida. Admoestar, advertir, aconselhar, rogar, nada adianta para mentes mal formadas.

E é por isso que o cenário não tranquiliza. Mesmo com a crise, as pessoas continuam a protagonizar espetáculos de desperdício. Lavam passeios, lavam carros, permanecem uma hora sob o chuveiro. E perseveram na sujeira. Lançam às ruas tudo aquilo que o consumismo irresponsável considera objeto de descarte. O papel e o plástico predominam. A seca produziu este espetáculo horripilante: a população é suja. Não sabe se comportar de maneira civilizada.

Tudo vai piorar. O próximo passo é o colapso no sistema de energia, prioritariamente sustentado pelo sistema hídrico. As indústrias, que já estão capengando, vão paralisar. E aí também os sistemas de comunicação. Ninguém vai mais conseguir tomar banho, mas, em compensação, também vai ficar sem iluminação, ar condicionado, computador, celular e tudo o mais.
Será que então, haverá tempo para retomar o juízo?

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “Falta civilidade

  1. Sábias palavras, Excelência!

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