Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

A política tem salvação

5 Comentários

O francês Saint-Just, político e revolucionário, afirmou: “Todas as artes produziram suas maravilhas; somente a arte de governar produziu monstros”. Terá sido exagero? Excesso de pessimismo?

Aparentemente ele não deixou de ter razão. Assista-se ao programa eleitoral e ver-se-á que ali estão sobrando atentados ao vernáculo, à sensatez e, sobretudo, ao bom gosto. É um festival que poderia ser mais pedagógico.

Infelizmente, tudo o que pretendesse adequar o conteúdo da mensagem a um padrão ético, afinado com a estética, seria considerado censura. E o politicamente correto, levado ao paroxismo, produz apenas mediocridades.

Nenhum país tem mais de 30 ideologias de perfil suficientemente autônomo para gerar correspondentes partidos políticos. A mesmice nos estatutos, a falta de singularidade entre eles evidencia que muitas agremiações mais desservem à democracia do que a aperfeiçoam. Basta ver as coligações, algumas das quais frustram os esperançosos e constrangem seus quadros, que sequer mencionam o nome daqueles que estão no mesmo barco. Uma verdadeira e metafórica “Arca de Noé”.

Entretanto, a política é essencial, imprescindível, sem ela não se vive. Praticamente tudo o que o ser humano realiza é político. O grande pensador Edgar Morin, que mesmo idoso sempre encontra tempo para retornar ao Brasil, já afirmara em 1958:

A política é a mais bárbara de todas as artes. A justiça penal já é muito bárbara, mas não pude com a morte senão por crimes cometidos. A política é mais bárbara ainda: ela pode matar por um perigo impreciso, por uma presunção. É necessário muito pouco para que a arte política se degrade em carnificina. Mas por mais repugnante que ela seja, pela purulência e o sangue, pelo pus amarelado da imbecilidade, ela constitui, igualmente, a grande arte. A profunda arte política que joga com nossas vidas, em um jogo necessário e atento, exige dos artistas uma paciência e uma intransigência prodigiosas, de uma bondade infinita”.

São pensamentos oportunos neste momento. Para indagar por que alguns bons políticos desistem de concorrer, enquanto outros deveriam ser proibidos de disputar qualquer cargo.

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

5 pensamentos sobre “A política tem salvação

  1. Preciso para este momento pelo qual passa nossa política.

  2. Brilhante texto, Dr Nalini. Excelente reflexão para os dias atuais. Parabéns!!!

  3. Leitura de sabedoria profunda e de saboroso estilo.

  4. Caro José Renato.
    Infelizmente para a nação, com referência ao seu artigo “PRIMEIRO PEDIR, DEPOIS LITIGAR.”, publicado no sítio do Coisas de Agora.com.br, o Governo Federal e as instãnicas Estaduais e Municipais têm fomentado o litígio em suas ações cotidianas. Não obstante o cidadão, servidor ou qualquer um que pleiteia algo correto aos gestores ter direitos líquidos e certos a ser atendidos, estes dificultam, impedem e de praze negam qualquer pedido, inobstante estar correto.
    Entendo que tal “manobra” faz parte de uma ação orquestrada dos Governos para “empurrar com a barriga” um problema que eles têm consciência que existe, mas não querem resolver.
    Assim, a sociedade judicializa cada vez mais suas ações, ante a negativa contumaz dos Governantes que deixaram de agir com prudência e sensatez passando a atuar com arrogância e destemor às Leis, ao Judiciário, ou qualquer instituição que não seja de sua esfera de influência. É lamentável constatar isto mas esta é a prática corrente na atualidade em nosso país.

  5. Os problemas mais graves, acerca da questão levantada, começam a surgir quando os indivíduos passam de candidatos para “representantes do povo”.
    Normalmente, os meios de comunicação dão mais enfoque nos crimes praticados pelos agentes políticos, tais como corrupção, peculato, concussão, entre outros previstos pelo nosso Código Penal.
    Contudo, não menos prejudicial, apesar de ser comentado em menor intensidade, é o dinheiro público aplicado erroneamente, em razão da falta de capacidade dos agentes políticos, os quais demonstram não possuir conhecimentos em gestão. É uma situação lamentável.

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