Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Só pode ser má fé

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O Brasil se orgulha – ou se orgulhava? – de ser uma das maiores economias do Planeta. Mas é também campeão da indigência quanto ao zelo ecológico. Privilegiado com natureza exuberante, conseguiu destruir a Mata Atlântica em curto período, conspurcar seus rios, dizimar a biodiversidade. Está pagando o preço, com essa crise hídrica muito mais séria do que se possa imaginar. Quem conseguir viver, verá…

Os estrangeiros civilizados estranham nossa ignorância. Agora mesmo, a revista científica “Science” publica algo que deveria chocar os dendroclastas. Os inclementes destruidores de árvores, que estão em todos os lugares.
Para preservar a Mata Atlântica, se gastaria aproximadamente 198 milhões de dólares anuais, ou 443,4 milhões de reais. O que significa isso para uma das primeiras economias mundiais? Apenas 0,01% do PIB. Um terço do valor gasto na reforma do Maracanã para a Copa do Mundo: 1,3 bilhões de reais.
O valor seria investido no reflorestamento e no pagamento por serviços florestais: proprietários pagos pela preservação. Países inteligentes já fazem isso. Aqui, continuamos a construir casas de elevado valor, uma encostada à outra, sem espaço para o verde. Quando se vai empreender no setor imobiliário, a primeira coisa a ser feita é acabar com a mata nativa. Não se replanta a vegetação ciliar, não se estimula nas escolas as crianças a cultivarem, a cuidarem da flora.

Ouvi do prefeito de uma grande cidade que “pobre não gosta de árvore”. Aparentemente, rico também. Quero ver o que se fará quando acabarem as reservas da pouca água que ainda resta, enquanto rios mortos transportam o testemunho de nossa profunda maldade: usar leitos d‘água para transportar resíduos materiais, símbolos de uma sociedade pagã em ecologia. Uma sociedade que escolheu o suicídio coletivo, não se preocupa com as futuras gerações, acredita que mergulhar na escuridão da insensibilidade é mais cômodo e que mesmo podendo reverter a situação-limite, prefere fazer de conta que não é com ela.

Fico indignado e não vejo sinais de conversão. Infelizes crianças que trazemos a este mundo corrompido, cada vez mais materialista, egoísta, insensível, cruel e insensato.
Não é por falta de avisar. Os cientistas estão pregando no deserto. Só pode ser má-fé e não há inocentes nesse terreno.

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

3 pensamentos sobre “Só pode ser má fé

  1. Realmente não tem inocentes, tudo que acontece hoje é o reflexo do amanhã, o senhor destaca a natureza mas o problema está em todo o lado, e como pode ainda os brasileiros continuarem deixando isso acontecer. Sei que uma andorinha não faz verão, mas pelo menos tem que tentar.

  2. É muito triste de ver esse grande pecado cometido contra a natureza, que não será perdoado.

  3. Não há de fato inocentes em nem uma esfera de nossa sociedade. Más há ímprobos; culpados com e sem dolo, prevaricadores e se olharmos para o passado… já tínhamos instrumentos legais e eficazes para proteger o Meio Ambiente… o que faziam e onde estavam as autoridades com poder?
    Nossa Cidade querida deixou aparecer e brotar 300 loteamentos e parcelamentos irregulares…..sabe que impacto isso gerou na Fauna e Flora, na mobilidade, na captação de água, no ar que respiramos, na qualidade de vida? foi um golpe mortal. Será que daria para punir alguma autoridade hoje?

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