Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Crise e mais crise

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Crise é palavra grega que significa problema e recomeço. Dificuldade e desafio. Teria de ser passageira, porque ela sinaliza renovação. O velho não quer sair, o novo quer entrar. Só que no Brasil, até a semântica é atropelada. Crise é fenômeno permanente. Em todos os setores.

A maior crise é a de valores. Tudo o que era bom foi vilipendiado, desprezado e objeto de deboche. O que é ruim ganha espaço. Quem é que merece capa nas revistas semanais? Aposto que num levantamento empírico, prevalecem os bandidos, os salafrários, os corruptos, os cafajestes. O bom não é assunto.

Essa crise vai gerar outras. A crise da infraestrutura, por exemplo. A taxa de investimento no Brasil é de 16% do PIB, a mais baixa em décadas. O quadro fiscal é deteriorado e opaco. Gera incerteza e insegurança. O custo do crédito é muito alto. O Banco Central é um laboratório de voluntarismos que não dão certo. A inflação é manipulada. A recessão é surpreendente. O Brasil é a República das “medidas”, dos “planos”, gerados por um governo hiperativo, mas meramente reativo.

Quem conversa com empreendedores chega à conclusão de que o Brasil está na UTI. Com um quadro de septicemia aguda. Até a queda da pobreza foi manipulada e não é bem aquilo que se propala. A população está descontente. Intui que o Brasil tem uma renda média inferior a 20% daquela assegurada ao norteamericano. Será por isso que 75% das vendas de imóveis novos em Miami são efetivadas por brasileiros?

Na primeira semana em que chegara a São Paulo o novo cônsul da Itália, apresentado a ele perguntou-me por que motivo tantos jovens queriam passaporte italiano e visto de permanência na Itália. E a República peninsular não está uma maravilha. Mas é infinitamente melhor do que uma Nação que não fornece perspectivas para a maioria de sua juventude.

Um Brasil que tem mais Faculdades de Direito do que a soma daquelas existentes em todo o resto do Planeta. Um Brasil que judicializa tudo, que não sabe resolver seus problemas na mesa do diálogo, que não sabe argumentar, mas apenas narrar seus problemas ao profissional que os institucionalizará e levará para ser apreciado por um juiz. A crise do Judiciário é apenas uma das múltiplas crises brasileiras. Quem as enfrentará?

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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