Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

E a escola de seu filho?

3 Comentários

A educação – ou melhor, a falta dela – é a base de todos os problemas brasileiros. Uma comunidade educada cobraria mais de seus representantes. Não permitiria o crime organizado a comandar todos os setores estatais, dando exemplo para aqueles que não têm por que atender às boas inclinações. Alguém educado se indignaria com a situação de menoscabo que a população merece, num verdadeiro “salve-se quem puder”, lembrando a verdade da afirmação de Thomas Hobbes: viver consiste na “guerra de todos contra todos”, pois “o homem é o lobo do homem”.

O incrível é que a maior parte dos pais está contente com a educação de seus filhos. Ou seja: pelo fato de permitir que ele frequente a escola, não tem interesse em saber o que se ensina lá. Nem acompanha o desenvolvimento da criança que, de inteligente que é antes de se submeter ao processo normal de escolarização, passa a ter uma “cabeça cheia” de informações e desaprende de pensar com criatividade.

Quem se preocupa com a educação, não apenas com a escolarização, propõe um singelo decálogo aos pais de crianças em idade escolar. O primeiro mandamento é não deixar que a criança falte às aulas. As ausências dificultam o aprendizado. Depois, há o risco de a criança achar mais interessante ficar em casa com suas bugigangas eletrônicas do que escutar lições sensaboronas. Segundo: garantir que a criança chegue à escola na hora certa. Terceiro: comparecer e participar das reuniões de pais e mestres.

Quarto: visitar a escola, apresentar-se aos professores. Procurar saber quem é a diretora ou diretor. Quem é que fica com o seu filho boa parte do dia. Quinto: perguntar todos os dias o que seu filho aprendeu na escola. Mostrar interesse. Questionar quando não concordar com o conteúdo. Sexto: peça a seu filho que ensine a você algo que aprendeu na escola. É o que o ajuda a assimilar o conteúdo e a entender que escola pode ser agradável.

Sétimo: valorizar o esforço da criança. Acompanhar a lição de casa – não fazer por ela – e mostrar interesse pelos trabalhos. Oitavo: ler sempre. A melhor lição é o exemplo. Nono: estimule atividades que usem a leitura: jogos, receitas, mapas, tudo o que o fizer se interessar por livro, jornal, revista. Décimo: brinque de palavras cruzadas, caça-palavras, força, stop, outros jogos que envolvam a escrita. Tudo isso pode ajudar a escola a fazer sua parte. Se você não fizer a sua, ela não fará a dela.

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

3 pensamentos sobre “E a escola de seu filho?

  1. Boa Tarde!

    Que pensamento, que conjunto de idéias que simbolizam a atitude que deveríamos ter.
    Pelos seus textos compreendo o porque do senhor ser o presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, e fico feliz em saber que um dos maiores tribunais do país, tem uma pessoa responsável, com atitude, com clareza.
    Obrigada, que eu possa aprender com o senhor ainda.

  2. Enquanto os Brasileiros delegarem a Educação de seus filhos às escolas, não vamos avançar; escolaridade é uma coisa educação é outra.
    O Estado, dinossauro como gosto de me referir: do Ministro da Educação até os Professores; se eles não forem provocados, qualificados, reavaliados e se levarem conta os resultados educacionais onde só aumentam os analfabetos funcionais, jamais chegaremos aos níveis desejados.
    É tempo da sociedade pensante tomar iniciativa e fazer gestão nestes e noutros assuntos nacionais de grande relevância.
    Confúcio escreveu: “Aquele que aprende, más não pensa esta perdido. Aquele pensa, más não aprende, está em grande perigo”
    A Nação está em perigo eminente.

  3. A Maçã e o Livro.

    Esta imagem tão singela remeteu-me ao começo de minha vida, onde o livro participava naturalmente, de forma prazerosa, dos momentos mais importantes para abrir nossa mente e não por obrigação ou dinheiro, ou mais triste ainda, como hoje, apenas específico para ganhar dinheiro.

    A Maçã e seu cheiro levou-me ao tempo da lancheira, junto com o livro, abriu-me o apetite em todos os meus sentidos, num passado recente, éramos incentivados a ser importantes, educados e a servir ao nosso meio social, éramos amados pela nossa Família, e existiam os parentes, os amigos e colegas, todos tinham importância em nossa vida.

    Na sociedade atual, os pais idolatram seus filhos, ao invés de amá-los, os querem melhor que os outros, não se preocupam com Educação, mas como ser melhor e ganhar mais que os outros. Somando isso tudo a uma sociedade inteira egocêntrica, criamos milhões de “Deuses” egocêntricos.

    A Maçã e o livro também tem aquele significado no gênesis bíblico, aonde está a religião e a ciência, onde as duas deveriam estar unidas, e não brigando uma com a outra, onde por um certo tempo conviveram muito bem, e hoje em dia, essa sociedade egocêntrica, corre o risco de separá-las novamente, e transformar o mundo em intelectuais, sem Deus, abertos a todo o tipo de corrupção, e , por outro lado, também, religiosos fanáticos, seguidores de uma cabeça só, colocando a própria existência da religião em risco. Escrevo isso para realçar a importância da Maçã e do Livro juntos, nunca separados.

    Na passagem do Gênesis em que Deus diz a Eva: “Não coma daquela fruta”, na verdade estava estimulando-a a cometer o belo pecado para tirar o mundo do paraíso da ignorância e lançá-lo na maravilhosa confusão, do entendimento de tudo, para nos livras do marasmo e da condição de mero sobreviventes, e, assim, cumprir a grande vontade de Deus, nos tornando superiores aos outros animais, então, para fechar, a Maçã e o Livro, enquanto andarem juntas, nos diferenciará dos quadrupedes e das bestas feras.

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