Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Articulemo-nos

7 Comentários

Embora 2014 tenha sido um ano terrível, em que as entranhas da Nação tenham ficado à mostra, num espetáculo de degradação inimaginável, encaremos o fenômeno com a possível serenidade. Os processos infecciosos têm um tempo de duração. Iniciam-se imperceptivelmente, disseminam-se, agravam-se, explodem e, se bem acompanhados, exaurem-se. A fase seguinte é a da recuperação do organismo.

Não é possível ignorá-los. Às vezes, o antibiótico é insuficiente. É imprescindível lancetar o tumor, esterilizar a área afetada e mesmo cauterizá-la. Processo doloroso, mas tendente à cura.

O mesmo ocorre com a saúde combalida do Estado. Os aumentativos enfatizam o que se fez com o dinheiro do povo. Um povo do qual se exige uma tributação exagerada, com devolução pífia daquilo que se arrecada. Um povo que continua com o atendimento à saúde em crescente déficit, sem saneamento básico, quase sem água. Principalmente, um povo incapaz de se indignar. Porque não existe um esquema satisfatório de verdadeira educação. Educar não é fazer a criança decorar coletivos, saber responder quais os afluentes de um rio ou conjugar adequadamente um verbo. Nem fazer análises sintáticas ou conhecer a função de um verbete na frase. Não. Educar é despertar o ser humano para refletir, para extrair suas próprias conclusões, para assumir o seu protagonismo de regente da sua existência.

Ao contrário, acenou-se para o excluído com um País Maravilha, em que o governo é responsável por cuidar de todos como se foram crianças impotentes, mantendo-os na situação de inimputáveis. Tudo tem de cair do céu. E desde que haja um pouco de pão, o circo faz o resto.

Será que o exagero no ataque ao Erário, a promiscuidade entre agentes estatais e prestadores de serviço não atingiram o limite do intolerável? Será que não chegamos ao fundo do poço? Será que a partir de agora, a lucidez reaja e exija a recomposição da economia violada, a recuperação do dinheiro desviado, a correção de rumos e a rígida adoção de moralidade no trato da coisa pública?

Quem não perdeu a capacidade de indignação deve exprimir a sua legítima postura de alguém que se sente diretamente lesado e tem direito à restauração dos valores que alicerçam uma República.

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

7 pensamentos sobre “Articulemo-nos

  1. Não vejo um horizonte azul para o nosso País.

  2. Já cheguei a conclusão que estamos retrocendo no tempo, parece que estamos no tempo dos piratas no se.c xv, quando o saque era grande ficavam em festa repartindo a “res”. É o que estamos vivenciando agora.

  3. Muito bom e resolve-se se eliminar o dinheiro e tudo que o representa dando a cada um o que é necessário desde de quando nasce até quando morre.

  4. Perfeito, Presidente. Lúcido, contundente, você foi ao âmago da questão de forma clara, objetiva Porém, vejo com certo descrédito possível articulação do povo em prol de um Brasil mais humano porque, como você próprio disse, difícil encontrar um cidadão brasileiro realmente educado, e até mesmo simplesmente letrado.

  5. Como cidadã em um país com tantas desigualdades, desrespeito pelas instituições e corrupção enraizada, às vezes me sinto sem esperanças….mas não devemos desistir do Brasil. Somente com a a prática da justiça firme, corajosa, com limites e respeito às partes, podemos mudar este país….Coragem Presidente José Renato. Contamos com o Senhor para a Construção de um país melhor para todos…

  6. Eu concordo com o aqui exosto, sem tirar nem colocar uma vírgula, pois como cidadã brasileira, responsável, honesta, batalhadora, que paga uma quantia INACEITÁVEL de todo tipo de imposto e que, quando surge a expectativa de ter de volta ao menos uma parte do que lhe foi subtraido, num piscar de olhos, um ministro qualquer, com poderes de decidir por milhões de brasileiros, simplesmente deixa de lado aquilo que é de interesse do povo ( devolução dos Planos Collor, Verão, etc e que a mídia não comenta mais nada!!!)) me sinto revoltada e perguntando: O que eu posso fazer pra ajudar a mudar este situação? Pensei ter feito a minha parte apoiando o candidato Aécio ( era a ultima esperança), mas o paternalismo do atual governo falou mais alto no bolso dos que preferem viver miseravelmente a trabalhar honestamente. Consciencia? O que será isto? é de comer? Esquece. Povo ignorante, é povo facilmente controlado. Que saudades dos meus tempos de estudante onde era preciso saber muito e se esforçar ao máximo se quisesse passar de ano. Consegui meu diploma de Bacharel em Ciencias Economicas e Administrativas em 1985. Com muito esforço! Bons tempos aqueles!Mas como todos dizem : chegamos ao fundo do poço… tudo está vindo à tona.. é tempo de mudar. E eu quero dar minha contribuição.

  7. Creio que só uma ampla revolução ( não militar e nem armada belicamente) poderá corrigir e mudar os destinos deste país.

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