Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Quadro de septicemia

2 Comentários

Não são apenas as pessoas que se infeccionam e, quando têm escassa imunidade, tendem a perecer. As economias também podem ser acometidas de graves crises e chegar a um quadro de septicemia. É o que alguns realistas falam do Brasil em 2015.

A crise de infraestrutura resulta de uma constatação singela: a taxa de investimento não atinge 16% do PIB, a mais baixa em décadas. O ambiente fiscal está deteriorado e opaco, a gerar incerteza e insegurança. Mais da metade dos créditos advém dos Bancos Públicos. O custo do crédito é muito alto. Uma enormidade que inibe empreendimentos privados. A inflação foi manipulada, o que logo se perceberá.

O cenário tem prognóstico de medidas paliativas e antipáticas, próprias de um governo hiperativo e sem rumo. É o sistema que está errado. Mas nada indica venha a ser alterado. A Reforma Política não se fará por aqueles que restarão prejudicados por ela. Pode funcionar uma República de quase 40 partidos? Os governos são reféns das coligações e loteiam Ministérios e Secretarias, sem o que não haveria governabilidade.

É claro que nem tudo é terror. Houve queda da pobreza, mas a população não está inteiramente feliz. O brasileiro ainda ostenta renda média correspondente a 20% daquela do cidadão ianque. Paga um tributo elevado e tem um serviço público de péssima qualidade. É alvo de populismo, um discurso pobre calcado em promessas e visão ufanista de uma realidade que as pessoas experimentam de forma diversa, muito diferente daquilo que se apregoa.

O que fazer? Preparar-se para dias tenebrosos. Não haverá milagres, mas se o rumo vier a ser alterado – e não há outra alternativa – o povo experimentará sangue, suor e lágrimas. Estagnação, recessão, realinhamento de preços. Sem os investimentos estrangeiros que se assustam com o “custo Brasil”. Quem vai trazer dinheiro para um Brasil em que o passivo trabalhista, o passivo tributário, o passivo ambiental são permanentes e imprevisíveis?

A profissão do brasileiro é a esperança. Sua companhia de caminhada: a coragem. Sua convicção: Deus é brasileiro e tudo dará certo. E assim ele torra o décimo terceiro comprando o que nem sempre estaria na primeira lista das necessidades. Tomara que a Providência venha a suprir o que falta em juízo para os responsáveis pelo descalabro.

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

2 pensamentos sobre “Quadro de septicemia

  1. A charge me fez rir, pois serviria de ilustração para um de meus comentários…
    Vosso diagnóstico está perfeito, más nem uma grande junta médica pode salvar o paciente!
    Estes… faltam palavras as vezes….problemas crônicos que infestam a governança me faz imaginar que nossos governantes inclusos os congressistas trabalham para a Empresa Brasil.. que não precisa dar lucros, quanto mais prejuízos melhor, não precisar pagar tributos apenas uma folha de pagamento kilométrica; más sim, nos devolvem os lucros negativos; pois nós, da iniciativa privada fornecemos a matéria prima para ela continuar trabalhando, em forma impostos e eternamente fomentando a maquina perdulária e improdutiva.
    Estamos vivenciando o caos anunciado, estudiosos dizem que as crises nos tiram da zona conforto e saímos fortalecidos mais a frente, más esquecem o quanto pode ser perecível uma nação que como um trabalhador rural labuta de sol a sol e sem perspectivas, envelhece precocemente; toda a nação esta perdendo a esperança, a qualidade de vida, a saúde e agora a paciência!
    Como reagir diante de um quadro terminal destes?
    Como e por que se gasta mais do que se recebe? se o déficit orçamentário já comprometeu 10 anos de arrecadação!
    Como e por que se compra materiais acima do previsível e necessário, acima do preço e se quer se consegue utilizá-los?
    Como e por que executivos renomados e empresários abastados corrompem e se deixam corromper?
    Os políticos praticam sem o menor constrangimento e as claras todas as imagináveis e inimagináveis negociatas amparados e protegidos pela imunidade parlamentar.
    Essa promiscuidade partidária, da compra e venda de influências, da troca de favores, dos acertos, chumbo trocado, fogo amigo, toma lá da cá; precisa acabar!
    E como uma empresa desgovernada, mal gerida e pessimamente administrada, já passou da hora da recuperação judicial, restando apenas fechar as portas…..Ou nós, os acionistas, avisá-los que acabou a brincadeira com o dinheiro público e em nome da governabilidade decente, demitirmos todo mundo e assumir o controle!

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