Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Acordem, educadores!

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Um dos raros consensos no Brasil do dissenso é a falência da educação. Por mais que se destine verba considerável para a formação das atuais e futuras gerações, a República parece claudicar em todos os níveis. O retrocesso é evidente. Há algumas décadas, a escola pública era tão boa que os menos aplicados procuravam a escola particular. Hoje, só fica no ensino público aquele cujos responsáveis não conseguem arcar com os crescentes custos de uma escola considerada boa.

O fenômeno é muito mais grave do que possa parecer. Não é apenas falta de metas e objetivos. O que visa uma boa escola? Fazer o aluno decorar informações e responder como papagaio às indagações? Ou uma educação integral cuidaria de formar pessoas felizes e capazes de um desempenho ideal em sua existência, tanto no aspecto emocional, familiar, social e profissional?

A escola é maçante. O aluno não gosta dela. Os professores estão desanimados. Já não têm paixão, ao menos em sua maioria, como eram idealistas e entusiastas os educadores de outrora. Pior ainda, os pais não se interessam pela educação de seus filhos. Parecem acreditar que o governo é que deve zelar pelo seu bom comportamento e pelo seu sucesso. Mas é no lar, na mãe educadora, no pai disciplinador, que tudo começa.

A Coreia passou por conflitos sérios e deu a volta por cima porque levou a sério um projeto consistente de revolução educacional. A China também. E tantos outros países.

Não é falta de dinheiro. É falta de projeto. É ausência de originalidade. No entanto, há modelos que poderiam ser copiados, como o da Universidade Minerva, em São Francisco. Ela não tem salas de aula, nem biblioteca. As aulas são on-line, por meio de plataforma exclusiva, com horário marcado e professor em tempo real. Professor que não é um replicador de textos, mas um animador, um coordenador dos debates. Ao menos duas vezes por encontro, os alunos têm de expor suas ideias.

O neurocientista Stephen Kosslyn, um dos diretores, resume o objetivo do projeto: “A ideia é desenvolver a capacidade de pensar criativamente, criticamente e de se comunicar de maneira efetiva”. Enquanto isso, temos muitos analfabetos funcionais recebendo diploma nas várias graduações universitárias. Que tal acordar para as urgências do mundo?

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

4 pensamentos sobre “Acordem, educadores!

  1. Novamente pois o link não saiu: https://www.facebook.com/206472389424846/photos/a.615090588563022.1073741825.206472389424846/774943012577778/?type=1&theater espero que saía agora, se não é na página ADVMBS NO FACE VERÁ OS QUADRO COMPARATIVO. DE SOLDADOS MRTOS NA gUERRA DO IRAQUE, DE MORTES EM ACIDENTE DO TRABALHO E NO TRÂNSITO NO BRASIL,
    Caro Professor, é sábido por todos que se comprarmos um pequeno radio de pilhas, este vem com um manual. O ser humano nasce com um cérebro que formado é melhor que qualquer computador, cresce sem ler qualquer manual, felizes dos que tiveram oportunidade de estudar direito e a ciência da computação onde tiveram oportunidade de estudar a lógica, o princípio da dedução e aprenderam a pensar. Não vivemos um problema só de criatividade, vivemos um problema de mentes inoperantes em vários dos diversos tipos de inteligência.
    Gosto de comentar, pois espero que leia, e Vossa Excelência como Presidente do TJSP e como professor universitário é formador de opinião, diante disto, gostaria que desse uma olhada neste link que possui um material excelente para Vossa Excelência escrever sobre nossa condição.
    Importante observar que o comparativo é de numeros diretos, pois proporcionalmente o número de soldados é muito menor que o número de trabalhadores, mas o que chama atenção é em um caso ser uma guerra e no outro ser trabalho e trânsito em tempos de paz.

  2. Os Educadores dormem, o Estado não sai do coma e a sociedade anda muito letárgica!

  3. “Acordem, educadores?” Me valhendo de um eufemismo, posso dizer que o título do artigo é “interessante” e revelador da forma de pensar de quem hoje ocupa o cargo de Secretário da Educação do Estado de São Paulo. Não posso deixar de fazer minha crítica de modo fraternal.

    Vossa excelência, com todo o respeito em que merece, o senhor acredita mesmo que estamos dormindo? Trabalhamos de forma séria para que nossos estudantes tenham a melhor formação possível, mesmo diante do descaso dos nossos governantes para com nossa categoria ultrjada e humilhada, mesmo mediante a deficiente e insuficiente estrutura educacional que nos proporcionam para podermos trabalhar, mesmo diante de uma remuneração que não tem garantido nossa sobrevivência com dignidade. Saiba que, do impossível fazemos mais do que o possível.

    Infelizmente, Vossa Excelência, ao lermos o texto acima percebemos que mudam as figuras na Secretaria de Estado da Educação, mas não o discurso e nem o modus operandi: culpabilização da escola e do professor por um problema que na verdade é estrutural.

    Se o governador, com suas evasivas, não assumir com seriedade a responsabilidade que lhe cabe em formular um projeto educacional verdadeiramente transformador das precárias condições hoje colocadas para estudantes e profissionais da educação, nada irá mudar realmente. Não adianta dizer: “Acordem, educadores.”

    Mais vale entoar: ACORDE, GOVERNADOR!

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