Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

No papel é fácil

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O descaso para com a natureza começa no Governo. Praticamente, em todos os níveis. Durante os últimos quatro anos, não haviam sido criadas novas unidades de conservação na Amazônia. Mesmo ante as denúncias de que o desmatamento aumentou, a despeito do ufanismo comemorar a redução da área dizimada.

A duas semanas do segundo turno, acendeu a luz amarela. Foram criadas três primeiras unidades na região, chamadas Resex Marinha Mocapajuba em São Caetano de Odivelas, no Pará, Resex Marinha Mestre Lucindo, em Marapanim e Resex Marinha Cuinarana, em Magalhães Barata. Havia a expectativa de criar outra estação ecológica, em Maués, no Amazonas, mas ela foi esquecida.

Todos sabem que uma das formas de preservar é criar unidades de conservação. Outra é incentivar o particular a instituir RPPN – Reservas Particulares de Proteção Natural. Mas a burocracia é tamanha, que até o mais zeloso ecologista desanima.

Houve ao menos negligência em relação à defesa da mata durante estes últimos anos. O desmatamento aumentou 29% em 2013. O Brasil recusou assinar um acordo mundial para redução do desmate, durante a Cúpula do Clima. A “grife verde” transitória do governo Lula, a candidata Marina Silva, afirmou que a presidente pegou o desmatamento na Amazônia em queda e vai entregá-lo em alta. Só que ela entrega para ela mesma, com uma Ministra da Agricultura que revogou o Código Florestal. As perspectivas são boas?

Não custa lembrar que até março de 1985 eram 26 as unidades de conservação no Brasil. Sarney criou 34, por influência de seu filho Zéquinha. Collor apenas 6. FHC no primeiro mandato 12 e 26 no segundo. Lula 36 no primeiro mandato e 13 no segundo. Dilma 4, em outubro. E só no papel, por enquanto. Resta saber se haverá efetiva ocupação e defesa da floresta, numa zona conhecida pela sua inclemência ecológica. No Pará continua a perseguição a quem protege o verde. Foi ali que mataram Chico Mendes e a Irmã Dorothy Stang. Mas tudo isso já foi esquecido e viva o ufanismo. Nunca antes se protegeu tanto a ecologia como nestes últimos anos. E não é só a Amazônia que está acabando. O que dizer da crise hídrica no sudeste? É excesso de árvore que atrapalha o clima?

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

3 pensamentos sobre “No papel é fácil

  1. GUSTAVO KRAUSE, citado em seu livro Ética Ambiental, no capítulo IX: Crescimento Sustentável: ” A cada dia que passa, consolida-se a percepção de que o desenvolvimento econômico não se move entre o infinito dos recursos naturais e o infinito do crescimento, como um bem em absoluto”, resume com sabedoria o dilema falso entre preservação e progresso como se fossem inconciliáveis. Mas, infelizmente e lamentavelmente, é o que parece quando da constatação feita quanto aos descasos reincidentes e até quando eles persistirão. Mais que nunca o mundo está atento ao Brasil sobre como está administrando seus patrimônio ambiental.
    Poderia terminar este artigo, Presidente, com as palavras que serviu-se neste mesmo capítulo, no ítem: Sustentabilidade: idéia ética: “Serviu-se a humanidade da natureza como se fosse um supermercado gratuito. Tudo estava a serviço do senhor da Terra. Depois de verificar a finitude dos bens naturais, o comprometimento e a deterioração daquilo que restou, o ser pensante precisa se reciclar”, e terminou esta página dizendo: O momento é de frear o consumo e de simplificar a existência” ( José Renato Nalini, ” Etica Ambiental, p. 139). Em Segunda Epístola do Apóstolo Paulo aos Coríntios, Cap.13, versículo 12: Saudaí-vos uns aos outros com ósculo santo, e versículo 10: Portanto escrevo estas coisas estando ausente, para que, estando presente, não use de rigor, segundo o poder que o Senhor me deu para edificação, e não para destruição. Peço a proteção de Deus, do Senhor Jesus Cristo para que dê a cada um de nós e àqueles que carecem desta consciência de preservação ambiental a sabedoria de superar seus erros.

  2. O clima segundo estudiosos vem ciclicamente se modificando e não é pela interferência do “bicho” homem, é a natureza!
    A contribuição mais nefasta dos homens é a poluição do Ar e das águas.
    Certamente o homem deixa onde passa seus rastros de destruição e a ausência de árvores; não que eu defenda a remoção, e não é o maior problema.
    A simples cobertura vegetal (gramíneas) interferem no clima e quem faz caminhadas e é observador pode notar e medir com simples termômetro as diferenças de temperatura.

    Uma faixa de grama na calçada ou mesmo em algumas ruas, uma alameda encanteirada de flores, um jardim, um terreno urbano com capim, a proibição de queimadas de folhas, a proibição de uso de desfolhantes químicos, são alguns exemplos.

    Observo que são imperiosas as atitudes que visam manter o equilíbrio e não o radicalismo.

    Pergunto a Vossa Excelência se seria possível modificar por exemplo:

    A Lei 6766/79–??
    A Lei 6015/73–??

    Nelas estão as portas, sem fechadura e sem chaves.

    De quem deve ser a atitude? Quem atirará a primeira pedra?

    Então, tem solução!

  3. É de chorar em se contatar o abandono de unidades de “conservação” como a da Serra da Capivara, só para dar um exemplo.

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