Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

O trágico faz sorrir

2 Comentários

Recebi alguns comentários interessantes após a publicação de “Ter carro é brega”. Isso me faz continuar no assunto. Falávamos sobre mobilidade urbana e sobre a vida difícil em todas as cidades brasileiras. Todas congestionadas. Todas com excesso de veículos egoístas. O carro é um veículo egoísta. Procure prestar atenção nas ruas e estradas: o maior número de motoristas está sozinho ao volante. A cada passageiro, um carro. É por isso que o mundo não aguenta mais.

Todavia, o homem ainda é inteligente. Embora não pareça. E além do “Uber“, aplicativo sobre o qual fiz comentário no artigo passado, existe um outro já em uso nos Estados Unidos e que, não demora muito, chegará aqui. Chama-se “Lyft“, um primo hippie do “Uber“. É um outro tipo de carona profissionalizada. Você quer ir para algum lugar? O “Lyft” mostra os motoristas da região que cobram para dar carona. É uma condução paga, com um plus: incentiva-se o “carona” a se sentar no banco da frente e a interagir com o motorista. Funciona como verdadeira rede social viva no trânsito. Dá para fazer novas amizades e também para paquerar…

São novos tempos, gerados pela intolerável tragédia de permanecer por horas a fio no trânsito. Além do tempo realmente perdido, estimula-se a mentira: as pessoas já saem atrasadas e culpam o trânsito quando chegam além do que seria razoável ao trabalho ou a outros compromissos.

A criatividade gerou algo ainda mais radical nos Estados Unidos. Chama-se “auto share” e permite a qualquer usuário de celular colocar seu carro para alugar, como se fosse integrante de uma rede “rent a car“. O aplicativo destrava a porta do carro e dá a partida, mediante uso do celular. Há carros que ficam parados enquanto o seu dono trabalha. Por que não fazê-lo circular e ainda ganhar um dinheirinho?

É preciso ser civilizado para fazer funcionar um projeto assim. O interessado pega o veículo, paga o preço estipulado, tudo mediante uso do cartão. Todos os usuários são certificados pela operadora, o que evita roubos. O carro parado é fonte de renda. É claro que haverá resistência. Mas a ousadia é uma boa receita em tempos de crise. O que parece tragédia pode até fazer sorrir. Vamos ver o que acontece.

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

Imagem: http://pixabay.com/ (com edição)

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

2 pensamentos sobre “O trágico faz sorrir

  1. Caríssimo Magistrado, ainda não da para colocar toda a farinha no mesmo saco, ainda que seja apenas farinha.
    Somos inteligentes, claro, más muito longe da intelectualidade, ora enxergamos o macro ora enxergamos o nano., e estamos indo do 8 ao oitocentos sem passar pelo oitenta…
    Quando eu trabalhava na Capital e residindo em Jundiaí compartilhávamos o uso de quatro veículos, cada semana um:
    Francisco ia de Passat, transportava Ariovaldo, Irineu e um sobrinho.
    Na outra semana Ari de Brasilia transportava os demais e assim sucessivamente, creio que muitos o fazem até hoje.(solução nos anos 90) e tupiniquim!
    Más veja outro lado macabro na cultura do automóvel:
    O pedestre, é desrespeitado em todas as quadras, ruas e calçadas nesse Brasil a fora.
    Nos cruzamentos de Jundiaí só tem 2 faixas para travessia;
    Portões se projetam sobre a calçada para abrigar o Carrão dificultando a passagem;
    Novas e velhas construções de casas criam degraus de até 80 (oitenta centímetros) obrigando o pedestre andar na rua; e olha que tem uma tal Lei municipal que diz que não dará habite-se nestes casos…. poderia mostrar 10 numa única rua;
    Aquela passagem sob a Ferroviários e a Estrada de ferro, veja se o pedestre foi lembrado!;
    Nas imediações de um grande centro de compras na Região da V. Rio Branco, a calçada simplesmente acaba, obrigando o pedestre a fazer uma travessia perigosa para o outro lado numa curva e sem aviso;
    Mais adiante, na mesma Rua uma residencia ocupa 100% da calçada com aquela planta denominada espada de são jorge que somado a mais dois grandes postes de iluminação, atrapalham o pedestre, fora o lixo lá depositado.
    Já observou também, que tudo se faz é para proteger os motoristas em detrimento do pedestre? Exemplo: Instala-se defensas em alguns locais para veículos não cair num córrego, não invadir um jardim, não danificar sinalização etc.
    A Setransp prefere colocar postes de metal com novas sinalizações, atrapalhando o pedestre em vez de colocar em postes existentes.
    Obras invadem as caçadas com entulhos, caçambas, materiais de construção etc, por mais de um ano, e nada se faz.
    Ser ciclista aqui na terra dos “papudos” nem se fala.
    Um buraco na Rua tem mais prioridade que um buraco na calçada!
    Tudo isso me faz pensar:
    Como poderei ser um pedestre, um ciclista? se as calçadas e ruas não me oferecem segurança!, e olha que não estamos a falar de outros perigos.
    Assim, creio como já comentará em outras situações, que nossos problemas são culturais, educacionais, comportamentais.

    Quebra-se um galho… da-se um jeitinho….improvisa-se, faz vistas grossas….é só para Inglês ver…passa uma conversa….faz adaptações…..acomoda uma situação…esconda-se em baixo do tapete….faz de conta….finge que não ve…não pega nada!

    Por essas e outras, já disseram no passado que este não é um Pais sério, ou que somos uma republiqueta das bananas.

    Agora transportamos estes problemas em escala Governamental e sentiremos que estamos no mato sem cachorro, sem gato, pois não há raticida para estes problemas.

    Pois os Governantes estão agindo comportamentalmente como ignorantes e indiferentes; culturalmente acompanhando as massas e educadamente e inteligentemente nos roubando com a certeza da impunidade, do não dá nada…

    Como a escritora Lya disse recentemente, é estarrecedor….

    Acabo de me lembar de uma matéria escolar: Educação, Moral e Cívica….. saudades…

    Perdoe-me Letrado Mestre, saí do alho para os bugalhos, fruto de minha indignação..

  2. Presidente José Renato Nalini,

    Mais brega que um indivíduo ter carro é um Tribunal de Justiça ter 500 carros para o transporte de magistrados.

    Aos olhos da população, carros oficiais são as liteiras do nosso tempo, nas quais os contribuintes carregam, com seus impostos, membros de um poder que mais se assemelha à nobreza.

    O descrédito das pessoas com as instituições é causado por privilégios como esse, herdado de época anterior à República.

    Assim, considerando que o senhor busca “redesenhar o Judiciário do futuro”, proponho que venda os 500 veículos institucionais e aproveite o quadro de motoristas em atividades úteis para os jurisdicionados.

    Com a economia de recursos, sugiro que pague o Adicional de Qualificação previsto nos artigos 37-A e 37-B da Lei Complementar nº 1.111/2010. Além de incentivar o aprimoramento dos servidores, o pagamento dessa verba é imposição legal, sendo desnecessário dizer que o Tribunal de Justiça não pode agir na ilegalidade.

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