Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Pompas fúnebres

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O escritor cubano Guillermo Cabrera Infante, autor de “Três Tristes Tigres”, escreveu também “Cinema ou Sardinha”. O título remete à pergunta que sua mãe fazia quando ele ainda era menino. Não havia dinheiro para propiciar a “mistura” do almoço, a sardinha barata e também a entrada para o cinema. Ele tinha de escolher. E ficava com o cinema. O alimento d‘alma era mais importante do que a nutrição física.

Pois nesse livro há uma parte chamada “Pompas Fúnebres”. Nela, Cabrera Infante faz o obituário de artistas do cinema hollywoodiano como William Holden, Cantinflas, Orson Welles, Charles Chaplin, Laurence Olivier, François Truffaut, Rita Hayworth e Marilyn Monroe, entre outros.

Vale a pena ler o livro publicado pela Gryphus. Mas ao lê-lo me penitenciei de não ter ainda escrito aquilo que prometera a mim mesmo: “Balizas Morais”, perfis de pessoas que me influenciaram por sua postura ética e “Balizas Afetivas“, retratos de gente que já partiu e ainda ocupa lugar definitivo em meu coração.

Lembro-me de haver perdido Cláudia Maria de Lucca Parise, amiga querida e que era sempre uma das primeiras a me telefonar no dia de meu aniversário. Em casa dela e do Gae me hospedei quando moravam no Estoril, em Portugal. Chamou amigos para uma festa na primeira noite em que lá estive, dentre eles Cândida Rivelli e Amorim. Que falta que a Cláudia faz para seus amigos e para Jundiaí.

Mas também enterramos Álvaro Lazzarini, jundiaiense que foi o primeiro desembargador desta terra na recente geração, homem íntegro, padrão ético, leal e corajoso. Disciplinado e coerente, só não chegou a presidir o Tribunal de Justiça exatamente pelo excesso de qualidades. Outro magistrado que morreu cedo em 2014 foi José Geraldo Barreto Fonseca. Chegou a ser Juiz Substituto em Jundiaí. Era um santo. Suas virtudes também o credenciam a ser lembrado como padrão para as futuras gerações.

Este ano meu pai, Baptista Nalini, completaria 100 anos. Prometi escrever uma biografia de filho. Queira a Providência eu tenha condições de redigi-la. Seus bisnetos merecem conhecer uma das melhores partes de sua origem.

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

2 pensamentos sobre “Pompas fúnebres

  1. Caro conterrâneo, muito bom seu post. Gosto muito da literatura de nossos “hermanos” latino-americanos e vou aproveitar a dica. Um abraço, Ricardo Inglez de Souza

  2. Estaremos esperando esses livros. A memória e a lembrança é muito importante, principalmente envolvida com emoção. A Literatura permite e contribui com essa faceta do ser humano. A linguagem do jurídico e do científico é mais fria e objetiva. A literatura é a técnica mais aberta às emoções e visões profundas dos sentimentos.

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