Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Viela dos desvarios

2 Comentários

Assistir a certos comportamentos conduz a dar razão a Matias Aires, nas suas “Reflexões sobre a Vaidade dos Homens“, ao afirmar que a virtude se aprende, mas o vício é congênito.

Vive-se uma situação dramática na República. Crise hídrica, crise energética, crise moral, crise de confiança. Não há um setor que se possa reconhecer como ilha de tranquilidade. Mesmo assim, para alguns tudo parece continuar igual. Insiste-se na continuidade de práticas nefastas. Não se assustam com o noticiário escabroso, não temem a “caça às bruxas”. Prosseguem a exigir participação espúria na gestão da coisa pública. Nenhum acanhamento ao reclamar espaço para também se locupletar. Seriam cidadãos acima de qualquer suspeita?

Certa espécie de homens se acostumou tanto a pensar somente em si, que não lhes passa pela consciência que o momento é trágico. Arrecadação em acelerada queda; recessão; desemprego; estagflação; inflação de dois dígitos a se aproximar. Acreditam mesmo que dinheiro é produto que a Casa da Moeda fabrica e arremessa ao mercado conforme queira? Gostaria de percorrer os labirintos de sua mentalidade para descobrir como podem persistir no egocentrismo.

Somente o profundo intérprete da alma brasileira, o paulistano Matias Aires, nascido em 27.3.1705, para definir esse comportamento: “A nossa natureza propende para o mal, por isso foi preciso prescrever-lhe um certo modo de viver; vivemos por regras. No exercício do mal achamos uma espécie de doçura, e de naturalidade; as virtudes praticam-se por ensino; o vício sabe-se, a virtude aprende-se. Miserável condição do homem! O que devia saber, ignora, e o que devia ignorar, sabe; para o que nos é útil, necessitamos de estudo, e para o que nos é pernicioso, não; para o bem necessitamos de lembrança, e para o mal de esquecimento“. Alguém vislumbra um horizonte menos tétrico, a persistirem tais sintomas?

Fonte: Diário de S. Paulo | Data: 12/03/2015
JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

2 pensamentos sobre “Viela dos desvarios

  1. Quando conversamos, no meu caso, pois ainda não estou apto para escrever, em oposição à Vossa Excelência que escreve com muita desenvoltura, ouço e leio que somos profetas do apocalipse, estamos empurrando a nação para o abismo, somos pessimistas de plantão permanente.

    Creio ser uma avenida dos desvarios e devaneios.

    A dor faz o homem pensar, o pensamento torna o homem sábio, a sabedoria torna a vida suportável, já citaram nos idos de 30 ou 40.

    Os acontecimentos nos causaram muita dor e sofrimento e fizeram poucos a pensar;
    Só o pensamento, sem ações não nos faz sábios;
    A desgovernança está deixando nossas vidas se tornarem insuportável e me parece que há poucos sábios com atitude.

    Resta vigiar nossos pensamentos e reconduzir a vida que saiu dos trilhos e está a enveredar pelas vielas.

  2. A citação das reflexões do paulistano Matias Aires, se coaduma com a abordagem feita através do texto de autoria de Vossa Excelência, editado em 12/03/2009, que teve como titulo “Senhor, Fazei-me Diligente!”. Acredito que, o “Ser Humano” nasce puro, oriundo do esquecimento das mazelas vividas ao longo da sua existência; no entanto, os vícios e defeitos estão plasmado e se encontram latentes em seu “Ser”. A ausência da “Diligência” nos remete as origens, onde se faz presente o pensamento de Martin Luther King resumido na seguinte frase: “O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons”. Penso que, cabe a cada brasileiros a responsabilidade consciente de se ter atitudes justas, éticas e desvencilhadas de interesses particulares em manifestações para o bem comum.

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