Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

O ninho da discórdia

5 Comentários

O mundo parece envolvido em conflitos permanentes. Lutas fratricidas, terrorismo fundamentalista, execuções transmitidas on line, crueldade em todos os espaços. O Brasil não escapa à regra. Violência em várias escalas. Sensação de insegurança que gera o clamor pela intensificação do sistema punitivo.

Ninguém consegue aceitar que a prática de infrações também se faça acompanhar de um requinte de perversidade. Quantos relatos de vítimas que não reagem, colocam à disposição do infrator os bens materiais cobiçados e, mesmo assim, colhem a tragédia de uma morte desnecessária à consumação do delito. O convívio sofre uma deletéria corrosão. A solidariedade não prevalece e o sentimento natural de comunhão é substituído por explicável temor.

É mais do que urgente que a confraria do bem reaja à altura do desafio. A começar em cada lar. O ninho protetor em todas as fases da existência sofreu e continua a sofrer profundas mutações. O espaço doméstico também registra o desamor. Insensibilidade, indiferença, egoísmo exacerbado. Desrespeito e deboche. Desconsideração quanto a valores tradicionais e abandonados ante a convicção de que já foram superados.

A paz deve começar em casa. É ali que deveria preponderar o amor incondicional, espontâneo e gratuito. Mães e pais são transmissores da singela lição de que todos estamos na mesma frágil e efêmera condição humana. Viver é uma ventura e preservar a vida um milagre que se renova a cada dia. Respeitar a vida é mais do que se abster de matar quem nos atormenta. É reconhecer que o mero fato de pertencer à espécie humana acarreta direitos e obrigações. A dignidade da pessoa é mandamento inquestionável. Dignidade que se inicia pela consideração dos mais próximos, pelo olhar compassivo, pela compreensão de nossas deficiências. Pela capacidade de perdoar. A casa é o refúgio do amor e não pode converter-se em ninho de discórdia.

Fonte: Diário de S. Paulo | Data: 19/03/2015
JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

5 pensamentos sobre “O ninho da discórdia

  1. Os lares do Brasil.

    Que exemplo dão os pais que fumam, bebem e se desrespeitam na presença de uma criança?
    O que aprendem as crianças diante da TV; noticiários, telenovelas, programas de humor, pegadinhas e outros programas?
    O que o pai deve responder ao filho quando perguntado o que é corrupção?
    Antes da resposta o filho já emenda: o corrupto não vai ser preso? não vai devolver o que roubou? Não tem castigo?
    Estas criança vão crescer e seu consciente e subconsciente já estão arranhados.
    E o Ministro da Educação… já assume ser mal educado e em rede nacional desabafa verdades inquestionáveis e indefensáveis!
    Como dominar nossa vergonha? Como restabelecer a moralidade a ética?
    H.L. Menckem Jornalista e crítico social, disse: Todo homem decente se envergonha do Governo sob o qual vive.
    Logo nossa sociedade está condenada por gerações.

  2. Dr Renato Nalini, sempre leio os seus posts e nunca comento, mas hoje foi inevitável. Parabéns por escrever algo tão verdadeiro. A grande maioria das pessoas deveriam ler suas palavras e refletir a respeito. Sem dúvida alguma, somos frutos do ambiente em que vivemos e crescemos. Concordo quando o senhor diz que a paz deve começar em casa e acrescento dizendo que é na família que se deve aprender o verdadeiro significado de respeito, civilidade, amor, entre outras coisas. Só assim teremos grandes pessoas e ótimos cidadãos. Infelizmente, nem todos os lares são assim, e acredito que justamente daí surgem outros inúmeros problemas. Tantos problemas que seria quase impossível enumerar aqui.

  3. É isso mesmo Naline

  4. Presidente José Rentato Nalini,

    Todos somos a favor da paz e da preservação da vida, verdadeiro milagre que se renova a cada dia. Para irmos além do discurso, precisamos praticar a paz diariamente também em nossas carreiras.

    Pois bem, em 19/03/2015, foi concedida liminar na ação civil pública nº 1009441-04.2015.8.26.0053 para determinar a paralisação de “todas as implantações de novas ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas” na cidade de São Paulo.

    Tal decisão coloca em risco vidas humanas, pois paralisa política pública que vem impedindo o morticínio de ciclistas em nossa cidade. Não se pode retirar a pouca dignidade daqueles que, junto com os pedestres, são os mais frágeis no trânsito.

    Diante disso, e como forma de enriquecer os argumentos de V. Exa. e do distinto público leitor a respeito do modal bicicleta, segue a nota pública formulada pela Ciclocidade – Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo, em conjunto com diversas outras entidades da sociedade civil, a favor do Plano Cicloviário da Prefeitura de São Paulo.

    http://vadebike.org/2015/03/nota-resposta-acao-mpe-contra-ciclovias-sao-paulo-entidades-associacoes/

    http://www.bikeelegal.com/noticia/2364/eles-nao-entenderam-o-conceito-de-ciclovias-e-ciclofaixas

    Não podemos aceitar o retrocesso. É preciso prestigiar a política pública que confere segurança a quem se locomove por veículo limpo, silencioso, barato e saudável. Chega de mortes! Viva a mobilidade humana!

  5. Sigo dizendo, com minhas palavras, para expressar reiterando vossa mensagem: A paz se inicia dentro de nosso coração, quando esta luz se apaga nos vemos perdidos nas tormentas de um sofrimento prolongado, no domínio de vícios, ausência de lucidez e razão. A luta é diária, pois mesmo quando a fraternidade inexiste ou se esconde, só a nossa capacidade de resistência à ação errada poderá salvar-nos de um ato desumano. Vamos em busca da reflexão antes da ação. Das palavras de nossos pais, do carinho de nossas mães, lá é a fonte do amor e a chama para manter a luz acesa da paz dentro de nossos corações.

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