Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

É a vez da criança

5 Comentários

Nossa geração falhou. Em praticamente tudo. A política tornou-se um território corrompido. A educação capenga. A economia desanda. O ambiente devastado. A confiança desapareceu. Parece que a humanidade não tem mais remédio. Para todos os lados, só se enxerga desalento.

Nem todos pensam assim. A designer indiana Kiran Bir Sethi, criadora da escola Riverside, ainda crê num futuro melhor. Se as crianças forem preparadas para um protagonismo cidadão.

Além da Riverside, Kiran criou o DFC – Design For Change, movimento que dá poder às crianças, incentivando-as a dizer o que querem e de que forma querem mudar o mundo. Esse movimento já está no Brasil, trazido pelo Instituto Alana e batizado “Criativos da Escola”. A proposta é espalhar pelo País a ideia de que as crianças podem e devem ser as protagonistas das mudanças que pretendem para o mundo.

Nossa sociedade, a partir de um momento, começou a tratar as crianças como hipossuficientes. Qualquer mãe e pai têm a experiência de que seu filho é inteligente, criativo, tem a imaginação em perfeito funcionamento, a causar surpresas contínuas e a alegrar seus genitores. Quando vai para a escola, nem sempre esses atributos se desenvolvem. Às vezes a criança fica arredia. Antissocial. Malcriada. Rebelde.

É urgente uma outra educação. Uma escola que não padronize os alunos. Que não queira apenas estimular a capacidade de memorização. Escola que anime, alegre, seja prazerosa, não represente um sacrifício.

O processo de aprendizado precisa da participação e do entusiasmo do educando. O professor não pode ser um ditador, um tirano, o chefe da disciplina. Ele tem de agir como facilitador, colaborador das ideias que nascem das crianças. Para Kiran, ele provoca, desafia, inspira e dá apoio durante o percurso inteiro. O que se busca é que as mudanças propostas façam de cada lugar um espaço ainda melhor para todos.

Os quatro verbos do DFC são: sentir, imaginar, fazer e compartilhar. Isso pode garantir uma juventude e, depois, uma cidadania mais solidária, menos individualista e egoísta do que a minha geração. Depende apenas de nós assumirmos responsabilidade pelo processo educacional, que não pode ser um programa de governo, mas é uma política pública cidadã. Interessa a todos e sem ele não haverá futuro digno nesta complicada República.

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

5 pensamentos sobre “É a vez da criança

  1. Waters estava certo?

  2. Presidente Nalini, infelizmente gostaria de partilhar da esperança que possui ao citar alguns exemplos que estão acontecendo no mundo e aqui, como esta escola na Índia que acara de reportar para o conhecimento de todos, mas a mim acertastes em cheio, o desalento é grande, pessimismo, indignação vem tomando conta dia após dia, em minha consciência, na certeza que alguma coisa deu errado em um governo que há 12 anos governa o país, pois foram chamados a fazer uma melhor distribuição de renda no Brasil criando melhores condições de educação e saúde para o povo, mas estão falhando, clamamos por esta educação por um cidadão protagonista há anos, há décadas e entra governo e sai governo o que vemos são resultados pífios. Educação e saúde no Brasil continua sendo uma calamidade pública.
    Gostaria de encher-me de um pouquinho desta esperança, deste alimento de fé que o Presidente possuí, mas como disse, o pessimismo me abate, dia após dia, e vem tomando conta de todos os brasileiros, mas de qualquer forma os bons exemplos devem ser sempre lembrados e neste caso um pouco de conforto trouxe ao informar que existem boas sementes sendo na Índia e no Brasil, a despeito deste deserto de iniciativas fracassadas.
    Parece que teremos um 2015 de forte recessão e de necessária muita compreensão por parte do povo brasileiro, este é o grande desafio presente, não só não existe educação de qualidade, mas falta muito a quantidade. Será que chegaremos 2016 preparados para recomeçar, mas aproveitando os bons exemplos, como os citados acima?

  3. Penso que é uma escada perfeita os quatro verbos do DFC. Estimular o sentir para que haja mais amor em tudo que se faz a todos. Que trabalhem a imaginação, mas que não haja esperança do verbo esperar – como dizia Paulo Freire, mas sim, do verbo esperançar, construindo/fazendo, e quando feito, tendo a consciência que a contribuição é para o mundo, não tão-somente a si, e só por isso, compartilhar sempre… O futuro realmente está na mãos delas! Nela que devemos depositar nossas fichas em prol de futuro melhor! Parabéns pelo texto! Amei e vou ler mais a respeito designer indiana Kiran Bir Sethi, criadora da escola Riverside, e Kiran e o DFC. Curti!

  4. Presidente José Renato Nalini, parabéns. Reflexão inteligente e humanitária.

  5. Professor.,nada de positivo devemos esperar da atual governança, embora os antecessores pouco tenham contribuído para a Educação e sem falar de outras áreas., mas podemos ter esperanças; do verbo esperançar como diz M.S. Cortella., ou será que a esperança prolonga os suplícios dos homens (povo Brasileiro)?

    Aqui nesta “república complicada” como moderadamente e comedidamente o Professor se refere e outros se referem como Banânia ou Brasilquistão, pois todos podemos ir do oito ao oitocentos sem passar pelo oitenta; sendo primazia das democracias, do livre pensar, comentar e se manifestar, vejamos:

    O mal já esta feito, os danos já foram causados, os reflexos já estão por toda parte, e poucos são os perplexos!

    Quem vamos responsabilizar pela inação, omissão, incompetência nos métodos educacionais por exemplo?

    Quem vamos responsabilizar pelas torneiras da corrupção deixadas abertas com o firme proposito de dividir o bônus da pilhagem?

    Numa conversa recente entre um técnico, um universitário e um operador do direito; ouvi o seguinte questionamento sobre a execução de uma Brasileiro na Indonésia:

    Respeitada a soberania daquele país, eles fazem o que quiserem com os criminosos, seja qual for a nacionalidade. (técnico).

    Diplomaticamente, poderia haver uma negociação, salvando a vida do traficante deixando-o morrer na prisão perpétua. .(universitário)

    Nossa pátria também matou aquele Brasileiro! porque permitiu que ele saísse do nosso país, pelo nosso aeroporto sob os olhares da PF com toda aquela droga! e eu sempre sou parado nas alfandegas, imigrações com um frasco de remédio ou um cortador de unhas! (operador do Direito)

    Vimos exemplos de sucesso na educação na Coreia do Sul: 98% alfabetizados, 97% concluem o ensino médio, 60% cursaram a universidade., ainda que guardadas as proporções estamos 50 anos atrasados!

    Implementar aquele modelo da Kiram, embora inteligentíssimo, estamos pulando alguns degraus., e o que diria o Ministro da Educação, digo futuro ministro! e o que fez seus antecessores na pasta educativa?

    No diálogo tosco narrado acima, vi todas as deficiências da Educação, que levou o técnico ao imediatismo., levou o universitário ao mercantilismo e o operador do direito me fez lembrar da caixa de pandora!

    O Brasil organizou a Copa do Mundo, agora uma Olimpíada e não conseguimos reunir os notáveis desta República para discutir e consertar esta nação!

    Estamos produzindo muito entulho e pouca obra em todos os nichos da economia do direito da educação da saúde…

    Realmente a vez das crianças chegou! O professo provoca muitas reflexões, e certamente deste exercício de cidadania virão soluções para esta apequenada République.

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