Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Assumindo a vocação

3 Comentários

A primeira das diretrizes de gestão da Presidência do Conselho Nacional de Justiça para o biênio 2015-2016 evidencia a saudável inspiração do Ministro Enrique Ricardo Lewandowski: tornar o CNJ um órgão de planejamento estratégico da Justiça. Essa a verdadeira vocação de um colegiado que nasceu com a Emenda Constitucional 45/2004, em atenção a longevo reclamo da sociedade.

O Judiciário brasileiro tem um modelo sofisticado para uma Nação de tamanha heterogeneidade e com tantas desigualdades e carências. São quase 100 tribunais, cinco ramos de Justiça, mais de 100 milhões de processos. Cada Tribunal, cônscio de sua autonomia, imprime à sua gestão as diretrizes oscilantes a cada gestão. Quantas excelentes iniciativas foram neutralizadas por personalismos frequentes em outros setores estatais, mas que deveriam ficar longe da Justiça.

A cada gestão se “reinventava a roda”, no afã de apagar os vestígios do antecessor e propagar que o verdadeiro início do melhor rumo só agora tivera início. Até mesmo o CNJ se mostrou vulnerável à influência das personalidades que o compuseram ao longo dos anos. A linha de continuidade nem sempre é observada, a depender do talento de seu condutor ou da forma que imprime ao comando, permitindo que temperamentos fortes aos poucos assumam rédeas de alguns setores.

Ao assumir o CNJ, o atual Presidente, que também preside o STF, cuidou de exercer sua legítima autoridade. A dicção do primeiro item das Diretrizes de Gestão é eloquente: “Fortalecer a atuação do Conselho Nacional de Justiça no âmbito do planejamento estratégico e da análise e solução de problemas que afetam o Judiciário”.

A missão é ambiciosa e representa gigantesco desafio. O sistema Justiça está congestionado e não se diga que a reforma do CPC, só por si, tenha suficiência para tornar o Judiciário o serviço estatal célere, efetivo, eficiente e respeitado com que todos sonhamos.

Seja como for, restituir o CNJ à sua vocação inicial, de instituição de planejamento e usina de criatividade para aprimorar a solução dos conflitos já representa um passo alentador e prenúncio de firme caminhada rumo a um Brasil melhor.

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

10922683_821075267965235_4926974047194799490_n

Anúncios

Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

3 pensamentos sobre “Assumindo a vocação

  1. Diante da missão e da vocação, lembrei-me de Epíteto.

    “Se jamais queres ser vencido, nada mais deve fazer do que escolher combates nos quais dependa exclusivamente de ti ser vitorioso”

  2. Caro amigo, A turma do Roda Viva estava repleta de “vampiros”, e apesar de tantos embates, saíste vitorioso!

    • De fato Robinson, o Professor no Roda Viva demonstrou muita experiencia, habilidade e jogo de cintura, mas expôs umas mazelas preocupantes.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s