Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Depende do uso

5 Comentários

Tudo tem ao menos dois lados. Para nós, do universo jurídico, é fácil raciocinar em termos de contraditório. À primeira vista a versão do autor convence. Mas depois de ouvir o réu, ela já não se sustenta. E assim é a vida. Precisamos sempre considerar o outro lado. Ou mesmo “os outros lados”, pois a verdade é poliédrica. Pode ter muitas faces. Lembra a estória dos cinco cegos apalpando o elefante e descrevendo sua sensação tátil.

Estas reflexões vêm a propósito da evidente dependência de quase todos os jovens das bugigangas eletrônicas à disposição. Tablets, i-Phones, celulares de múltiplas funcionalidades, computadores cada vez mais reduzidos em sua dimensão e de crescente serventia, tornaram-se a mania deste início de século. Como vivíamos sem o whatsapp, sem o instagram, sem as mensagens, sem os torpedos e os vídeos encaminhados continuamente e a qualquer hora?

Há quem critique esse apego e comente a servidão incrível de quem não consegue ficar longe de seus aparelhinhos. Há casais jovens ocupando uma mesa e cada qual absorto no seu celular. Crianças se recusam a comer, mas cedem ao apelo das músicas e das estorinhas infantis. O “dia sem celular” não entra na cogitação de grande parte dos viciados. E não há idade para se entregar à eletrônica. Ela ceifa desde os bebês até os da quarta idade…

A facilidade da comunicação on line tem servido para o recrutamento de manifestantes para esse fenômeno que precisa ser redimensionado. Tudo bem que as pessoas devam participar. Mas até que ponto a participação pode interferir na vida da cidade, prejudicar outras pessoas e dilapidar patrimônio público e privado?

Nesse sentido é importante exortar os ajuizados a se servirem dessa tecnologia agnóstica. Pode ser usada em defesa da liberdade e pode ser usada para promover o mal. É importante o seu uso para inibir o extremismo violento. Quais os fatores que fazem alguns jovens a se identificar com grupos violentos? Como afastá-los dessas influências?

Comecemos com mensagens simples: “É errado ser violento! É errado odiar! É errado violar direitos alheios!”. Talvez dê certo.

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

5 pensamentos sobre “Depende do uso

  1. Presidente José Renato Nalini,

    Realmente, na vida há sempre dois lados.

  2. Uma vez Bob Marley foi baleado e 2 dias depois estava fazendo um show. Perguntaram a ele por que não dava um descanso pra se recuperar, ele respondeu: “As pessoas que fazem de tudo para piorar o mundo, não descansam. Por que eu, que quero melhorar, tenho que descansar?”

  3. Excelente! Completou melhor clareando o artigo anterior. O equilíbrio é o bem precisamos.

    As redes sociais estão mais imediatas que a tv e rádio hoje em dia. Diziam que a tv nos manipulavam. A rede Globo sobretudo, mas… Hoje temos que ter cuidado com que lemos pelas redes, e como absolveremos isso tudo!

    Tempos atrás, uma mãe de família morreu após agressões de vizinhos, que afirmaram ser ela, uma bruxa/Macumbeira que uma página do facebook anunciava – descrevendo algumas características que se assemelhavam com a daquela senhora agredida, e lá em página, pedia atenção, já que falava em sequestros de crianças para os seus trabalhos bruxos.
    Bom, óbvio que a informação é importante. Ficaria em alerta no bairro lá mencionado, ok! Mas não a agrediria seja como fosse a forma (verbal ou física). Ainda que ela confessasse, faria minha crítica com rumo onde vamos parar… Do que penso… mas, xingamentos ou agressões me faria pior ou igual a ela em desequilíbrio.

    Penso que a única maneira de virar uma selvagem/agredi-la seria se ela estivesse rendendo a minha única filha em suas mãos. Aí, talvez não me controlaria ao ver minha filha presa em seus braços. Do contrário, se houve rumores da senhora ser umbandista/candoblé não é o mesmo que dizer que era seqüestradora e/ou assassina de criança. Ter características físicas citadas na página, não é o mesmo quer dizer que era a pessoa. Ter atenção, dúvida inconsistente da boa-fé de uma pessoa, não é o mesmo que ter o direito de colocá-la no banco dos réus ou cometer justiça com as próprias mãos.

    O que gerou toda agressão foram terem lido a notícia, e sem prudência, um compartilhando para outro, comentarem entre grupos, ao invés denunciar para apuração, inquérito e melhor investigação se fosse o caso. Por excesso de maldade no coração, se aproveitaram por estarem em grupo, levando às agressões seguida de morte. Cortella sempre diz que a oportunidade não faz o ladrão. Que o ladrão já existia antes mesmo da oportunidade, e que a oportunidade só o revelou. É verdade mesmo. Precisavam de um motivo para extravasarem e acharam.

    Tudo começou nas redes que contaminou o bairro levando à morte da mãe de família. Falta equilíbrio. Falta inteligência. Falta diálogo. Falta de paz no coração e menos crucificação.
    A dose certa de uma crítica direcionada a mim é sempre bem-vinda. Agora quando parte para diminuição, sem intuito de elevação, partindo por vezes para agressão, vias de fatos etc., já me afasto. Certeza que o intuito do agressor não é consertar ou melhorar o quadro, mas sim, errar com ele, perder a mão, e quem sabe se apresentar pior de quem julga.

    O problema estará na melhor consciência, menos ansiedade e maior equilíbrio de tudo. Difícil! Mas temos que conseguir! Se esforçar… Amo a internet. Meu whatsapp me salva até em meus estudos, rs. Atormento um o outro amigo da área com uma indagação. Além, me deixa próxima da boa informação, leitura (veja seu blog – amo!), bem como de todos… Familiares paternos do Nordeste. Familiares maternos do interior de SP. Familiares maternos que hoje residem fora do país, fazendo da Suíça um país aqui do lado graças a globalização: skipe, whats, instagram, facebook etc. Depende de como usamos isso tudo…

    Agora com relação aos BB’s, crianças e adolescentes, somos os pais! Nós estamos no comando para dizer qual a hora e tempo de internet dia. A minha já é maior de idade, tem 18 anos já, trabalha, começou como aprendiz, mas em casa, quem manda é quem arcar com as despesas de moradia, alimentação, saúde, internet, tv à cabo etc., ou seja = eu! rs. Enquanto estiver no meu teto, comendo da minha comida e fazendo uso de tudo que pago e disponibilizo a ela, será tudo do jeito que eu quiser, já que a sua “independência” emprego foi escolha própria e tão-somente para suas coisas supérfluas (poupança para futuras viagens/intercâmbios) e não para o seu sustento e real independência. Tento ser justa de acordo com o merecimento dela, mas precisam de disciplina, do contrário, não adianta chamar a super Nany da tv. Essa é a nossa missão aqui na Terra. Encaminhar, fazer seres do bem e não estragar a criatura pura que Deus nos deu para moldarmos criando um soldado de bem, de Deus.

  4. Bom Dia Sr Naline sempre Firme
    Muito Bom seu comentário e sempre é poliédrica a verdade e em uma peça só o que a fez o Criador Pai de Jesus Cristo Nosso Salvador.
    Data Movimento

    16/04/2015 Conclusos para Despacho
    13/04/2015 Decisão de 2ª Instância – Recurso Provido – Juntada
    ag. conferencia
    10/04/2015 Recebidos os Autos do Tribunal de Justiça
    AG. REGULARIZAÇÃO DOS AUTOS QUE RETORNARAM DO TJ.
    27/05/2013 Classe Processual alterada
    12/04/2012 Remessa ao Setor
    Remetido ao Eg. Tribunal de Justiça de São Paulo

    Obrigado mas muito obrigado mesmo ,por ser meu amigo e tambem da Verdade.
    Pedro Carlos Kirstus

  5. Que mundo conturbado em que as verdades tem muitos lados!
    Que mundo de aberrações onde os fatos tem muitas versões!

    Assim disse André Gide: ” Crê nos que buscam a verdade. Duvide dos que a encontraram”

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