Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Inimigos

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Nós costumamos chamar ‘inimigos do gênero humano‘ aos grandes malfeitores da História, aqueles cujos nomes têm garantida a celebridade nos séculos, manchada embora de infâmia, e mesclada à execração dos pósteros. Mas o mundo está cheio de pequenos ‘inimigos do gênero humano‘, de criminosos natos, que, no círculo mais ou menos estreito das suas relações, têm por vocação e perverso gosto cometer todos os delitos possíveis; fazer sofrer é o seu fim principal na terra; quanto mais fazem sofrer, mais gozam. Em geral vivem e morrem obscuros, salvos os casos relativamente raros em que por circunstâncias extraordinárias se emaranham nos arames farpados do Código Penal, e figuram em processos clamorosos”.

O texto está entre aspas, porque foi escrito por Carlos Magalhães de Azeredo, cujas “Memórias de guerra” acabo de ler. Foi diplomata, nasceu no Rio de Janeiro (7/9/1872), exatamente quando se comemorava o cinquentenário da Independência e morreu em Roma (4/11/1963). Aos 25 anos, era o mais jovem dentre os fundadores da Academia Brasileira de Letras e o último dentre eles a falecer, aos 91 anos de idade.

Passou a maior parte de sua existência no exterior, acompanhou de perto as duas Guerras Mundiais, defendeu os Papas acusados de omissão durante os conflitos e era um atento observador da História e da natureza humana. Essas pessoas por ele descritas são atemporais. Existiram sempre, continuam a existir. São aquelas que não conseguem presumir a boa-fé, se incomodam com o êxito alheio, torcem para que tudo dê errado, seu hobby preferido é a maledicência.

Não podem ser felizes. Ainda contam com privilégios dos quais não podem usufruir a quase totalidade dos contemporâneos, sempre se consideram injustiçados. Merecem mais e mais e mais. O infinito ainda não satisfaria suas pretensões.

Servem ao menos como exemplo negativo. As pessoas satisfeitas consigo mesmas, humildes e conscientes de que a vida é efêmera e frágil, nelas têm o exemplo de como não se deve ser. Estão cumprindo a sua missão de convencer os céticos de que desejar o mal, investir em pensamento negativo, é veneno que se toma, esperando que o outro morra. Em regra, não é isso o que acontece. Quem consome é que se amargura, se angustia, se enreda no negativismo e se infelicita.

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

6 pensamentos sobre “Inimigos

  1. Hoje mesmo escrevi em meu instagram, do quanto essas alminhas precisam de amor para sentirem o quanto é bom o lado cá!

    Uma noite, ouvindo uma palestra de Divaldo Franco, atenta fiquei quando ele sabiamente explicava, que quando alguém nos provoca, normal que as glândulas supra renais derramem adrenalina, e a ira venha imediatamente a nos consumir. Tinha culpa desse descontrole inicial. Difícil tal controle! E que bom que é orgânico então… Mas o que vem depois, devemos atenção e é de nossa inteira responsabilidade. SOMOS RACIONAIS.

    Nem sempre dizer ao ofensor que seu mal só lhe fará mal é a melhor forma de pregar o bem. Por vezes, abrirá uma nova guerra sem fim. Melhor tentar não revidar, e sobretudo, não passar RECIBOS à maldade alheia! Isso é importante. O mal, ainda que injusto poderá atingir a vítima, atrasando-a de seu progresso, simplesmente por ter pego/aceito, perdendo horas se lamentando, ao invés de virar a página e seguir com sua estrada. Um perigo o que guardamos em nossa cabeça e coração. Por isso às vezes o desabafo não é tão bonito, por vezes desnecessário, mas melhor, devolvendo o veneno ao ofensor, sem guardar mágoas que trarão prejuízos à própria vítima.

    Mas de verdade, piedade será o melhor a guardar de quem nos agredi. Afinal a nuvem da ignorância ou da rebeldia que lhes rondam, não lhes proporcionam uma visão clara da responsabilidade individual com sua plantação e o quanto só poderemos colher os frutos das sementes plantadas aqui e ali.

    A verdade é que se os ofensores realmente soubessem das horrendas consequências de um mal praticado – ainda que por interesse do retorno e não de coração, eles não se entregariam ao mal e tão-somente plantariam o bem para colheita do bom.

    Mas, quem souber que não revide. Quem souber que não pratique. E quem souber, que opte por Deus, pelas coisas de Deus, aceitando a paz como regra à vida!

    Temos que cuidar do que sentimos, plantamos, distribuímos ao Universo. Isso nos será cobrado!

    Se plantamos o que colhemos, eu escolho colher paz! Vou na paz… Não desisto da PAZ! AMO A PAZ!!!

    Autocontrole, equilíbrio emocional ao compreender do estágio evolutivo de cada um. Respirar fundo, e não entregar a alma de “bandeja” a QQ criatura perversa de “plantão”.

    Atitudes alheias são alheias à nossa conta. Eles se responsabilizarão por cada muda podre. E nós pelo que plantarmos. Que tal então uma horta com bons frutos e ESTERILIZADA constantemente de qualquer praga que tente se instalar.

    Tenho pra mim que o focar do desenvolvimento pessoal é a melhor terapia e de verdade, a nossa plantação é o que nos salvará ao final de tudo! Que sejamos o exemplo que quem sabe os alcançará. Eles o exemplo de que não queremos ser.

  2. Que prevaleça o amor sobre qualquer ódio ou indiferença. Fraternos semeamos paz. Namastê.

  3. Eloquente e expressivo, O último parágrafo em especial, serviu como luva hoje numa situação; ainda que minha sinceridade e franqueza me fez perder um cliente; e como diz o pensador Mario Sergio Cortella: “A vida é muito curta para ser pequena…..”

  4. Cara Camila, seu texto também é 10! – este certamente voce sabe de quem é: “Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim”

    • Bom dia. Grata pelo elogio ao meu português ruim. rs. Mas do coração sempre… Sim. Saudoso Chico Xavier. Como nos faz refletir tanto e tanto seus escritos. Deixou uma boa herança a nós! Um grande abraço ao senhor. Um bom fds ao Sr. e família.

  5. Pingback: Blog da Biloka

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