Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Drogas lícitas

5 Comentários

O verbete “droga” incomoda. Cada vez que se fala em droga, pensa-se logo em substância que causa dependência, no drogado, o drogadicto ou drogadictado, infeliz a se consumir no uso de substância entorpecente ou estupefaciente.
A luta contra as drogas é permanente, mas as vitórias estão a beneficiar o lado mau. Ou o lado do mal. Que o digam as “cracolândias”, as mortes por overdose, as famílias desfeitas, o prejuízo no trabalho, os “acertos de contas” e outras tantas sequelas que acompanham o cortejo fúnebre de quem se viciou.

A maconha parece inofensiva perto da cocaína. Esta é menos perigosa do que o crack. Mas a inventidade para o mal não sofre interrupção e novas substâncias aparecem no mercado e logo passam a merecer a preferência dos que não se satisfazem com a normalidade.

A discussão a respeito da liberação da droga é recorrente e há boas razões de ambos os lados. Mas pouca gente discute o consumo crescente das drogas lícitas. O álcool e o fumo são emblemáticos.

Bebe-se muito no Brasil. A juventude começa muito cedo nesse campeonato que pode acabar mal. Campanhas de alerta não surtem efeito. Basta constatar a sedução da publicidade a cargo das empresas que dominam esse lucrativo mercado.

O cigarro é outra droga que torna escravos muitos seres incapazes de abandonar o vício. A “tolerância zero” fez melhorar um pouco a situação, mas ainda formam legiões os que se condicionam a tragar, acendem um cigarro no outro, combatem a ansiedade e outros problemas com o fumo.
Há quem diga que o álcool e a direção não combinam e que as mortes no trânsito decorrentes do mau uso da bebida alcoólica são aterradoras.

Sempre recomendei a quem não consegue parar de fumar que acompanhe o estágio terminal de alguém acometido de câncer nos pulmões. É terrível a falta de ar, que nem os aparelhos de oxigênio conseguem suprir.

Temos restrições em relação às drogas ilícitas, mas somos tolerantes quanto às drogas lícitas. Seria interessante pesquisar de forma consistente qual o estrago que cada categoria produz, computando-se as perdas de uma Nação em situação gravíssima, seja econômica, seja financeira, em virtude de um consumo tolerado e, quanta vez, incentivado pelas armas da publicidade.

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

5 pensamentos sobre “Drogas lícitas

  1. Sempre fui muito de pensar nas conseqüências de meus atos e, quando não quis fazer parte da turma dos top’s de meu colégio, justamente porque nela, tinha de ousar demais e sem limites, aquela pouco pensavam no resultado de suas escolhas, ou seja, onde tudo poderia parar.

    Sempre disse que minha vida já é tão difícil sem um vício. Imagina com um? Com a cabeça pouco ativa, como solucionar todos os problemas? Fugas que não trarão resultados? Fora o gasto; como conseguiria mantê-lo sem comprometer os gastos básicos de minha vida?

    Na dúvida, passava longe… E nunca gostei de perder o controle da situação. Não ter a posse dos meus pensamentos e ações. Acho que isso bem explica não só não aceitar as ilícitas, como as lícitas.

    Sofro um “bullyng” danado toda vez que digo que não bebo. Tomam um susto, e logo perguntam: vc é crente? Eu rindo, respondo: não mesmo. E as pessoas: mas pq não bebe então? – Eu calma e bem humorada respondo: não gosto do sabor do álcool. Tenho um paladar infantil e, me dá sono, acabo que perco a festa. Ouço: mas Camila, vc tem de beber que com o tempo, vc acostuma. É que no começo é assim mesmo. E eu: ãn? Forçar pra se acostumar pq? rs. Houve um tempo que receberia um elogio por não gostar de álcool. Hoje, com tal inversão de valores tenho sido a esquisita etc. rs. Mas para ser flexível e não ser polêmica dizendo que não bebo (rs), pego o copo e enrolo durante o evento. Dá menos trabalho, rs.

    A verdade que jovens têm bebido muito. Vejo meus primos mais novinhos; começam cedo. E Hj, existe um modinha dos jovens quererem “causar” dizendo que bebeu todas, e realmente bebem!

    Fui buscar minha filha no festival Lollapalooza, e lá, junto ao portão principal de saída, só existia eu e mais dois pais. Achei bem estranho. Minha filha já é maior, mas tinha que ir até lá para buscá-la. E ela gosta. Mas iria se não gostasse – primeiro show dela – confiança adquirimos com o tempo. rs.

    Na saída do festival, vi muitos, mas muitos zumbis jovens. A maioria com suas garrafas de cervejas, mas um grande número também de drogados sendo amparados por colegas.

    A bebida entre jovens já virou moda. Adoram se sentirem maiores dizendo que beberam todas no fds. Publicam, fazem publicidade mesmo sendo menores de idade. Há pais que acham normal, principalmente quando filhos homens.

    O Cigarro é aquela modinha iniciada entre a oitava e ensino médio na minha época, e que tive que conversar muito com filha neste período dela. Trazer casos real de nossa família, daqueles que pararam de fumar dado o susto que sofreram, e para não morrerem, escolheram a vida largando o vício. É aí falo para minha filha : pra que entrar, pra depois ter de largar fia Deus? Pouco inteligente! Seja verdadeiramente ousada e não entre. Menos trabalho.

    Tem dado certo. Não é só fiscalização assídua, pois sei que ela poderá burlar. Mas penso que uma conversa franca pode ajudar. Indagá-los para quê? PQ? E depois, como será? Bem como HJ, a cracolandia tem sido o melhor cenário para mostrar aos que estão em dúvida de onde podem chegar ao se iniciarem no mundo das drogas.

    Muito difícil criar um filho HJ, mas temos que nos empenhar nisso. Nossa missão estarmos atentos até que eles, por opinião formada, tenham a responsabilidade necessária para as melhores escolhas de uma vida.

  2. Creio que numa sociedade mais bem educada o livre arbítrio encaminharia menos pessoas às drogas, licitas ou ilícitas.
    Tive a infelicidade de vivenciar os últimos dias de meu pai, fumante, até sua morte agonizante pelo câncer de pulmão num hospital. Minha mãe ainda vive; com a saúde debilitada e também agravada pelo cigarro.
    Tivemos bem próximo de nossas vidas outros dependentes químicos, que deixaram o vicio e outros que ainda lutam.
    Todos tiveram um lar, boa educação, estiveram vinculados a uma religião, doutrina ou filosofia e ainda assim, fizeram suas escolhas dentre as piores.
    Concordo que a publicidade e alguns programas de TV incentivaram o consumo de muitas drogas, e influenciaram o comportamento e a formação de muitos jovens.
    Meu pai, nunca causou um acidente de transito porque tinha fumado um maço de cigarro, más perdeu muito da qualidade de vida fumando e dando um exemplo ruim para a família, que também fez escolhas, a maioria as melhores.
    Já outros dependentes químicos, adoeceram, não conseguiram se socializar, causaram mortes no transito, no trabalho e até no laser.
    Eles serão um custo permanente para a sociedade., custo que começou a ser reduzido com a legislação.
    Nunca fumei e nunca permiti que fumassem perto de mim, fiz menos amigos, perdi oportunidades, negócios, más não me arrependo, morrerei cedo ou tarde de outras causas, mas as drogas licitas ou ilícitas não abreviarão minha vida.
    Voltemos agora as armas da publicidade:
    O nosso Governo em toda a publicidade engana e permite que parte da sociedade seja enganada., ele está deseducando e formando uma nação inerte.

    “Roubo, furto, improbidade, malversação de verbas,desvios, fraudes em licitações, prevaricação, suborno, extorsão, formação de quadrilha, peculato, corrupção ativa passiva e tantos outros que Vossa Excelência tendo atuado na área criminal e de vocabulário muito superior e maior do que o meu, poderia encher um livro; são trocados pelos marqueteiros por: “Malfeitos” Erros graves”

    A mensagem que esta ficando entendida é que se os crimes além de compensarem, se fossem praticados por detentores de poder com maior perfeição, (eleitos e nomeados) não seriam crimes e ainda que fossem, seriam perdoados, relevados e esquecidos.

    Assim a noção falsa e imperfeita de alguns Governantes e seus subordinados com a coisa pública são considerados apenas erros graves, nada mais!

    Lembremos daqueles chavões publicitários que associaram a droga ao esporte, ao laser, ao poder, a conquista ,a fama, ao prazer……

    E não esqueçamos da recente campanha eleitoral de mesmo viés!

    Será que poderíamos, responsabilizar, aqueles famosos publicitários pelos comportamentos nocivos da sociedade?

    Em outras sociedades, quando denunciados publicamente pequenos crimes políticos e financeiros o acusado ou suspeito costuma cometer suicídio., já pensaram se o habito pegar aqui….vamos ter que construir muitos cemitérios! Más estes “malfeitores” e “errantes” não vão cometer suicídio, exceção à parte para o quase extraditado ex diretor do BB preso na Itália…. e o que nos conforta é que cedo ou tarde eles encontrarão pelo caminho algum Joaquim, algum Sergio que vão aos poucos desconstruindo essa perversidade, abrindo as caixas pretas e revelando os podres poderes à nossa Nação e de certa forma reeducando nossa sociedade.

    Excelência, se fosse uma prova de redação, com o tema Drogas Licitas, eu mereceria zero, pois além de assassinar a gramática e a concordância, misturar comentário com crônica e tudo mais, fugi do tema ,mas cá pra nós Presidente; este país está ficando uma DROGA!

  3. É, vamos ver. Só o temp(l)o dirá. Em minha crença pessoal, acho que os egípcios são nosso futuro.. uma sociedade harmônica, onde todos podem ser o que quiser, respeitando os demais, sendo iguais (por isso os “retratos” são parecidos), construindo PARA o futuro. Deste ou qualquer outro harmônico, devemos deixar livres as escolhas para quem quer que seja. Certos da nobreza das bandeiras levantadas, hastearemos outras, pois nosso presente depende das ações, assim como já previram mentores espirituais, filosóficos e também jurídicos, o que dizer de Bobbio (político), Ruy Barbosa, Reale, Pontes de Miranda e Canotilho? Por séculos perduram sem ações, ainda que a escrita seja ferramenta, não adianta externalizá-la e não praticá-la, ainda que anos depois. Parece-nos um salvo-conduto. Reféns nos encontramos do Estado (e de outros), que, com primazia, deveria zelar por nossa segurança (a razão de sua existência), no entanto não tem sido provida. As drogas realmente são um problema, lícitas ou ilícitas, mas é uma questão que compete aos usuários e não aos debatedores. Algumas até tranquilizam os mais exaltados. As questões, de relevância mais acentuada, pois acredito que com elas é possível a reforma do modelo do sistema político e jurisdicional, que não estão funcionando até o presente momento (pois as soluções depois de 27 anos não vieram), levantarão outras questões que irão solucionar inúmeras outras demandas, aumentando a auto-confiança do brasileiro e o consequente abandono das drogas com educação e trabalho dignos. http://veja.abril.com.br/blog/impavido-colosso/crime-mata-mais-por-dia-no-brasil-que-o-confronto-entre-israel-e-palestina/ . Os problemas podem ser solvidos facilmente. Nós é que estamos a escolher caminhos tortuosos ao deixar de agir, pois fazer é escolha tal qual lavar as mãos e não fazer. Pilatos escolheu seu caminho e permitiu a morte da inocência para ser tido como fraco pelo resto da história. Se os homens os colocaram no poder é porque tem o valor para decidir. Valor e dignidade. Não há preço, mas valor. Quanto se vale? Quanto vale seu tempo? E seu amor? E a verdade? O que é Deus? Difícil, mas fácil. Maktub. A balança de Benjamin Franklin me auxiliou a solucionar essas questões racionais e cheguei à conclusão de que a resposta está na busca. Gostei das recomendações mestres. Amai vossa terra, esta é a mais importante das mensagens. Nações melhores (pólen).

    Ariovaldo, O grande Jurista Tributarista Hugo de Brito Machado traz esta questão à tona em um de seus prefácios, afinal deveriam, as propagandas, ter conteúdo informativo e não político. O erro grave está em aceitarmos e acredito que cada vez mais, as questões solvendo-se, vamos caminhar adiante e esses puxões de orelha serão dados pelos próprios poderes. Este país não está ficando uma droga, ESTAMOS uma droga. Basta comparar todas as nossas riquezas com a de todas as outra nações.

    Farei o máximo que puder e a vida me permitir. Precisamos arrumar soluções para nós mesmos, enquanto unos.

    Camila, belo texto.

    Claro que as ações devem estar de acordo e não precisa ser o máximo, o qual previmos. Não precisamos nos tornar Jesus, mas a busca, como dito, já nos torna maiores.

    Sigamos o exemplo de John Marshall e das ações afirmativas.

    Sucesso e Namastê.

    Curiosidades:
    http://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2014/05/historia-obscura-do-dia-das-maes.html
    Reféns novamente da informação e das tecnologias alheias (até quando?): http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Espaco/noticia/2015/05/bola-de-fogo-russa-pode-cair-no-brasil.html

    Os magistrados, como representantes da república, precisam fazer mais do que se vestir bem… Precisam realizar a que vieram.

    Direitos humanos (No Mundo): Um pouco de história para todos. https://www.youtube.com/watch?v=uCnIKEOtbfc Resume-se em uma única palavra:: Dignidade:: possibilidade de ser pleno, mesmo que não se queira ou não se possa, sendo que tudo vem da educação e do trabalho.
    Direitos humanos (No Brasil): https://www.youtube.com/watch?v=Jw2wW-Rh4f4

  4. Caro Wellington, seu conhecimento e desenvoltura com a escrita em seus comentários amplia nosso leque de reflexões e suas indicações de leitura e pesquisa são de grande contribuição.
    Muito Obrigado.

  5. Obrigado, Ariovaldo. Parabéns à você também. Apenas (nos) complementando as palavras do mestre, pois há mais drogas obscuras do que se tem noção, como o conhecimento e a arte, por exemplo… Nesses tempos invertidos, de mitos da caverna sucessivos, devemos nos entregar à plenitude das ações e não apenas da (auto) contemplação … As vezes nos alongamos nas palavras, mas não é para dificultar o trabalho e sim para facilitá-lo, pois transmitir(-nos) a informação e tentar construir um mundo novo é tarefa de cada indivíduo na construção da sociedade, sempre (nos) indicando o bem e a liberdade.

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Droga
    http://en.wikipedia.org/wiki/Nepenthe

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