Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Patrulha paranoica

9 Comentários

O “politicamente correto” nem sempre funciona. A inspiração pode ser a melhor, mas os resultados não correspondem à intenção. Embora o arcabouço jurídico repouse sobre a presunção de boa-fé, o que prevalece é exatamente o contrário. Desconfia-se de tudo e de todos, como se já não houvesse probidade sobre a Terra.

Há setores em que essa experiência é nítida. A Administração Pública depende de orçamento, fruto da contribuição de todos. Está premida por uma normatividade minuciosa, que acarreta lentidão, suscita entraves e obstáculos de toda a ordem. O objetivo de atender aos princípios da lisura, da ética, da estrita observância às regras da boa conduta administrativa vai gerar nefasta disfuncionalidade. É por isso também, que as licitações que envolvem a construção de obras públicas e a contratação de serviços passam a ser lesivas à economia coletiva. Encontro com uma frequência lastimável construções paralisadas, edificações desconformes e com graves defeitos, embora formalmente se tenha atendido – em plenitude – às exigências legais.

Quando se pretende conscientizar a sociedade civil a colaborar para o bom andamento dos serviços estatais, esbarra-se na patrulha paranoica. Qualquer contribuição de empresa, de grupo ou de pessoa que pretenda contribuir para o bom funcionamento de uma prestação pública, encontra obstáculos preconceituosos.

Estou falando da Justiça, expressão de soberania estatal mas, antes de tudo, serviço público. Equipamento destinado a resolver problemas. Interesse de todos, não apenas do universo jurídico. Nesta fase de patológica judicialização de todos os assuntos, é preciso que todos, sem exceção, colaborem com o sistema Justiça. Mas quando raros interessados se propõem a contribuir, logo vem o patrulhamento, a intuir malícia, a detectar conspiração que só existe nas cabecinhas miseráveis de quem enxerga o mundo com os óculos do preconceito, da crueldade e da mesquinhez.

Quando é que a sociedade brasileira vai se tornar adulta?

Fonte: Diário de S. Paulo | Data: 21/05/2015
JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

9 pensamentos sobre “Patrulha paranoica

  1. Excelentíssimo Presidente do Tribunal de São Paulo, desembargador José Renato Nalini, admiro muito seus textos.
    Tenho uma empresa de software, desde 1988. Sou especialista na área de engenharia de produção. A empresa nasceu do Projeto Águia da IBM, que tinha como meta vender o primeiro Gerenciador de Banco de Dados Relacional no Brasil, para a empresa EMBRAER. Desde 1979 trabalho na área de tecnologia (Grupo Villares) e tenho verdadeira paixão pelo que faço. Desde 2007, a partir da Tese de Especialização em Gestão Industrial (CEAI)-USP (Software Livre de Gestão Empresarial) e em 2014 aTESE (Tecnologia da Informação na Gestão do Poder Judiciário), bacharelado em Direito pelo UNIP venho tentando a doação de meu software MIS para a USP, Instituto Paula Souza sem sucesso. Tentei liberar o MIS livre, mas as barreiras foram muito grandes. Tentei quando participei do Projeto de Iniciação Científica a doação ao CNJ, sem sucesso.
    Um Software de Gestão Empresarial seria de imensa utilidade da organização dos cartórios, na gestão das penitenciárias, nas consistências das petições, na apuração dos custos. Na administração das prefeituras e em todo o Poder Público. Meu Sonho é a doação do MIS para o Poder Público, mas a alegação é que as entidades (como por ex. a USP) não tem quem possa cuidar e administrar. Estou entregando os servidores instalados. É um software que foi implantado em empresas de grande e médio porte. CNJ já tem o Gerenciador de Banco de Dados Oracle, portanto seria fácil a instalação. A personalização e parâmetrização para o Poder Judiciário poderá ser feita sem complicações.
    Na UNIP o professor que acreditou e teve a coragem de inovar na área foi o prof. dr. Eduardo Iamundo. O meu interesse é realizar meu Sonho! É poder ajudar o Poder Judiciário. A Manutenção e implantação ficaria a cargo da equipe do Poder Judiciário. Estaria a disposição para ensinar tudo. O prof. dr. Henrique Correa (um especialista na área) hoje nos Estados Unidos, poderá dar seu depoimento. Minhas Teses estão na Poli-Usp e na Biblioteca da UNIP.
    Atenciosamente
    Leonídia Maria

  2. Se sabemos dos problemas as causas; sabemos também as soluções!
    Falta coragem para enfrentá-las e implantá-las, pois os dirigentes do Teatro Nacional não querem o epílogo.
    As pautas nacionais vão sendo adiadas indefinidamente.
    O Judiciário tem avançado, reconheço, más ao ouvir uma chamada na TV de que receberão até 87% de aumento de salários…………….
    Acho que nossa sociedade não chegará a faze adulta, só uma hecatombe para recomeçar, sem heranças.

  3. Tenho um amigo que tantava contribuir ate com coisas que melhorariam para todos uma vez o ajudei a levar ao forum onde ele trabalhava uma destas prateleiras de ferro super úteis para organizar papelada ou livros, além de ninguém ajudar começou a sofrer ataques de toda a ordem e desconfianças paranoicas o resultado ficou claro: não existe a cooperação que seria bom para todos que trabalham e para a sociedade em geral, mas sim uma visão bem rale do pensamento pobre : “farei so minha obrigação e lhe la”. Isso, em um emprego publico, e um patrulhamento de nivelar por baixo.

  4. O TJSP sempre vivera o dilema entre investir em capital fixo ou humano? Na verdade este dilema irreal, pois na medida em que investe em tecnologia, em produtividade, passa se obrigar na qualificacao de sua mao de obra.
    O problema colocado pelo amigo Nalini e sobre varios aspectos, mas o principal notadamente expresso refere-se as obras paradas na metade, tudo pela presuncao da ma fe e do formalismo do processo licitatorio.
    Mesmo nao sendo um profundo conhecedor da legislacao licitatoria, sei, ainda que como leigo no assunto, que este processo esta anos luz defasado com as necessidades preementes para a realizacao completa de obras em todas as areas do servico publico.
    Os problemas estao estampados nos noticiarios sobre
    obras superfaturadas e inacabadas.
    Talvez, em minha superficial avaliacao, dai nascem a imaturidade muito bem apontada, sobre uma paranoia cronica e de desconfianca sobre todas as novas iniciativas, colocando todos como suspeitos.
    Penso que tudo isso so sera superado, alem da necessidade do amadurecimento como tambem a necessidade de superacao desta crise de desconfianca causada justamente pelos traumas das obras inacabadas e superfaturadas.

  5. Hoje li um lindo texto de Divaldo, que transcrevo aqui:

    “DESAFIOS

    Nunca antes o ser humano enfrentou tantos desafios quanto na atualidade. Os avanços tecnológicos e todas as comodidades, que possibilitam a facilidade de comunicação, a aquisição de conhecimentos complexos e refinados, não conseguiram tornar o ser humano mais pacífico e mais fraterno. Em alguns casos, deu-se exatamente o contrário, por estimular-lhe os valores negativos que permaneciam ocultos nos conflitos e que agora explodem com mais facilidade. As ambições tornaram-se-lhe maiores, as falsas necessidades impuseram-se como primordiais e a busca de distrações incessantes tem-no afastado dos deveres que devem viger na sua agenda de realizações.

    Nesse báratro, a insatisfação e o vazio existencial assumem proporções imprevisíveis, dando lugar ao crescimento da violência de todo jaez, que ameaça as estruturas sociais, e da indiferença por si mesmo, assim como pela sociedade. O ego exorbita e o individualismo alucina. Quanto mais se tem, mais se deseja, numa sofreguidão sem precedentes, como se o significado da existência fosse o prazer, o divertimento, o gozo momentâneo, que não preenchem as necessidades emocionais da harmonia íntima.

    Hipnotizado pela ilusão, transita na incessante busca das satisfações pessoais, sem qualquer respeito pelas lutas empreendidas pelo seu próximo, não se importando com os embaraços que tal comportamento propicia aos demais. Certamente há exceções valiosas, que são a esperança de um futuro melhor, com mais segurança e equilíbrio.

    Não obstante essa correria desesperada para lugar nenhum, quando já não se acredita nos valores éticos-morais, vale a pena a permanência nos ideais de enobrecimento e de dignidade, que são alicerces para a estruturação da existência feliz. Os descalabros e escândalos, que se sucedem e desanimam aqueles que confiam no direito e no dever, são transitórios e assinalam o estágio de atraso espiritual em que ora transitamos, valendo porfiar no bem sem receio.”

    Bem melhor do que eu, Divaldo Franco conseguiu passar o que me passas.

    Que a paz do Criador esteja contigo Dr. Nalini. Coragem sei que tens. Serenidade vamos adquirindo com o tempo, mediante os contrários e através da humildade que deve prevalecer.

  6. Camila, sou fã do Divaldo, ele é de uma percepção profunda e clara de nossa permanência terrena.
    Escrevi que acho que o Brasil não chegará a fase adulta; com este texto vejo que ainda estamos na pré-adolescência.

    • Boa noite Sr. ariovaldo. Sim, estive com ele alguns meses atrás, quando a jornalista Ana Landi, lançou a biografia autorizada dele em SP. Mais leve do que escrevendo, é ele falando e sorrindo mesmo depois dos 300 autógrafos distribuídos naquela noite. Meu sonho de consumo aquela nuvem de paz que carrega! Mas, muito feijão com arroz para alcançar 1/1000 daquela serenidade ainda nesta vida. rs.

      Mas então, sou reencarnacionista, e bem lá atrás, quando pouco lia da doutrina kardecista (não gosto de exageros em nada, e sim um degrau de cada vez e ao natural), e aí, sem saber das previsões e providências, eu dizia que assim que fosse convocada ao Plano Superior, ia de encontro a Deus, agarraria aos seus pés, e de joelhos, suplicaria pela sua misericórdia, já que não queria retornar à Terra. Pense no desespero! rs. Explicaria que sei que tudo depende de nós para o melhor, mas que poucos são os comprometidos, e que seria mais útil e menos metralhada pelo ‘dos contra’ se no céu permanecesse. Pense?! Já ia com defesa no bolso para permanecer no Paraíso. rs. Contando a um estudioso da Doutrina, além de rir muito com a minha espontaneidade, ele também me deu uma boa notícia. Disse que ficasse calma, que o Criador irá dá uma forcinha, e que sua misericórdia irá salvar a todos!

      Esse meu amigo me explicou o básico do processo de transformação do planeta, ou seja, do mundo de provas e expiações para o mundo de regeneração, e o quanto já está a caminho, embora o homem ainda tenha que enfrentar dores e desafios até que o ciclo transitório esteja concluído. Lendo e entendendo um pouco mais da “teoria”, me trouxe um conforto. Até pq, se retornarão os mais elevadíssimos para contribuírem com o equilíbrio necessário, logo, o meu pedido será atendido (rs.), ficarei guardada lá em cima – graças à minha ‘santa ignorância’ (rs.) e para não atrapalhar o árduo trabalho dos de maiores evolução junto à Terra. E de toda sorte, quando retornar para continuar a minha caminhada evolutiva; tudo estará melhor, graças a sabedoria e misericórdia divina.

      Com essa minha crença, confesso que ficou bem mais fácil acreditar em um futuro melhor aos meus netos. Confiar na união dos homens, tem sido muito difícil! Os soldados dispostos, diariamente estão sendo boicotados. Os corajosos do bem, quando dispostos a enfrentar toda essa fase tumultuada, se perdem na injusta maldade alheia, se cansam, se revoltam por não exercitarem o comportamento sereno de Jesus, e aí, justamente para que não haja novas guerras a partir das adversidades que venham surgir ao ter que enfrentarem suas crucificações pelo progresso de todos. Temos que mais que nos animarmos, animar quem está na luta por nós. Por isso o apoio.

      Um dia as críticas serão trocadas por homenagens. É sempre assim… Minha vida de tempos se resume a isso. E olha que tenho só três década e meia de existência. rs.

      Um grande abraço Sr. Ariovaldo. Excelente fds ao senhor e família.
      OBs.) Desculpe-me o Big texto! Um dos meus defeitos… fora os erros, espontaneidade etc. rs. Mas definitivamente, não encontro ponto final em meu teclado! :) rsrs

  7. Entrando nesta discussão, gostaria de expressar, fazendo um contraponto ao colega Roberto Moreira da Silva, pois as coisas são mais sérias do que parecem, pois não se trata, apenas, do sucesso de uma excelente propaganda contra o tabagismo, aqui, a coisa é muito mais complexa, maquiavélica e está incrustada a 500 anos em um país que poderia ser, hoje, um exemplo, como é o Japão, como é a Suécia, como é os EUA, sociedades altamente evoluídas, voltadas a trabalharem juntas pelo bem delas mesmas, onde o foco do mal, quando ele aparece, ele é combatido sem dramas, sem necessidade de apelações a tribunais, sem longos processos de debate, de reflexão, pois toda a sociedade já possui em seu âmago, o sentido de solidariedade, de união para irem direto ao assunto e buscar soluções rápidas e razoáveis.

    Dito isto, se eu entendi bem o texto posto pelo autor, ele nada mais diz que aqui em nosso país, ainda que com leis maravilhosas de licitação, prédios são construídos com falhas graves, outras obras nem são terminadas, e, são interrompidas dezenas de vezes, logo, de que adianta estar tudo licitamente correto se na prática o objeto fim da licitação que pode ser uma escola, a compra de um lote de ar condicionado, a restauração de um prédio, um processo urgente de informatização, tudo isso passa para um estado abstrato, volátil, etéreo, não se realizando.

    É há, também, uma crítica severa à presunção de que todas as obras realizadas sem todo o formalismo licitatório presumem-se suspeitas, é o invés da gênese da sociedade solidaria e cooperativista.
    Aqui, no Brasil, vivemos em uma sociedade em que eu e todos os outros estamos sob a ultra e severa suspeita da égide da má-fé. Os sujeitos desta sociedade convivem com este animus puniendi, onde todos desconfiam de todos, convivem sob um eterno patrulhamento paranoico. Jazem no inferno,.

    Daí a indagação final: “Quando a sociedade brasileira amadurecerá?”.

    Sobre está última indagação quase nada poderia acrescentar, a não ser, o que já disse: Se começássemos a nos espelhar nos bons exemplos de nações mais evoluídas, como Japão, Suécia, EUA, talvez poderíamos mudar este ingrato destino para uma paranoia do bem, ou seja, a preocupação com o próximo, a união, a solidariedade, a humildade. e muitos obstáculos desapareceriam, a principal delas, a burocracia, que no Brasil, prospera em alta velocidade.

  8. A sociedade brasileira já se tornou adulta e sábia o suficiente, para enxergar nitidamente o interesse de uma Faculdade que cede espaço de suas acomodações para o Judiciário instalar seu milagroso CEJUSC.
    A distância do local emprestado ao Judiciário não é colocado na balança e nem faz lembra-los que as partes, sem condições financeiras, têm dificuldade de locomoção até a beira da estrada.
    Também esquecem de olhar, ao menos, as condições mínimas que este ” container” deveria ter para receber os JURISDICIONADOS e Advogados. Temos CEJUSC com dois bancos estreitos e várias pessoas aguardando em pé.
    Uma mera tentativa de conciliação que atrasa até 03hs de exaustiva espera.
    Conciliadores educados, mas sem condições e interesse em findar aquela lide. E, que muitas vezes, os Advogados explicam a legalidade de atos impraticáveis por estes bons serviçais que conhecem nem legislação.
    Em três hs de espera no container, duas salas em atendimento, nenhum acordo foi feito.
    Apenas de exemplo para que reste claro minhas colocações, a escrevente não tem espaço físico para sair de sua cadeira, sem que o mediador levante de seu assento, saia do “compartimento”, para que tenha espaço de passagem.
    E se houver um incêndio?
    Uma discussão com violência, os caridosos conciliadores poderão sim serem agredidos, sem espaço para defesa.
    Quem fez vistoria neste local qdo aceitou a caridade da Faculdade Anhanguera para alojar o CEJUSC Bauru ?
    Por que a r. Faculdade se temos locado uma ex Casa de Eventos para ser nossa Vara da Família, com dois pisos,desde 2013, com apenas dois Cartórios da Família e Sucessões e mais duas da Fazenda.
    No espaço onde, de vez em qdo há exposição de quadros, caberia muito bem e confortável para todos, o indigitado CEJUSC Bauru.
    A locação deste belo espaço foi assinado pelo ex Presidente do TJ/SP, já que em 2013 ele detinha a Presidência.
    Sem nenhum demérito à sua pessoa.

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