Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

O que fazer na crise

6 Comentários

Não há como deixar de reconhecer a gravidade da multicrise enfrentada pelo Brasil em 2015. Crise econômica, financeira, política, hídrica, de saúde física e moral. Todas elas muito mais sérias do que se poderia imaginar. Não adianta dizer que sempre houve problemas e o País os superou e chegou incólume ao destino prefixado. Desta vez a coisa é mais séria. Quase 100 mil postos de trabalho extintos em abril. Corte de 70 bilhões no âmbito federal, considerado tímido pelo corajoso responsável pelo ajuste da economia. Queda superior a dez bilhões na arrecadação paulista, sem perspectiva de que isso reverta no segundo semestre.

A imagem que tenho ouvido de economistas nestas últimas semanas é a de que estávamos num trem de grande velocidade que, em lugar de ser freado suavemente, teve acionado os seus freios de forma abrupta. O resultado é arremessar os passageiros com toda a força em uma só direção, causando tumulto, ferimentos e até morte.

O que fazer num quadro destes, em que a impotência é a sensação menos trágica em que a única certeza é a incerteza? Não há milagres em economia. Quando alguém gasta mais do que ganha, o remédio amargo é reduzir despesas. Continuar a gastança é sinônimo de falência.

O momento reclama prudência. Muito juízo e muita sensatez. Repensar os projetos, adiando aqueles que podem esperar. Assumir parcela esquecida de responsabilidade. Não adianta encontrar culpados ou bodes expiatórios. Há um conjunto de circunstâncias a contribuir para o agravamento da situação. É hora de refletir se os antigos tinham ou não razão quando diziam: “vão-se os anéis, ficam os dedos“.

Exercer criatividade, estimular o empreendedorismo, procurar alternativas. Fazer mais com menos, ter paciência para aguardar dias melhores. Dar a sua cota de sacrifício, sem perda de esperança, mas também sem inibir a saudável capacidade de indignação.

Indignai-vos!” foi um clamor que fez muitos Países reagirem a situações dramáticas, sem a superveniência do caos. Exigir compostura dos detentores de poder e autoridade. Mas convencer-se de que não haverá saída digna apenas para alguns. Estamos no mesmo barco. Façamos com que ele recobre o rumo! Ou naufraguemos juntos!

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

6 pensamentos sobre “O que fazer na crise

  1. Eco!
    A sociedade demorou a perceber a gravidade e a reação pode ser tardia.
    Acho que os economistas estavam sendo muito otimistas, estávamos numa maria fumaça sem freios que não iria colidir mas pararia logo a frente sucateada e muito longe da estação.
    O cidadão que não teve educação financeira até pode comprometer seu orçamento.
    Já a máquina Estatal onde deveriam estar os melhores Condutores da Maria Fumaça… começou a sair dos trilhos no primeiro mandato quando se poderia reconduzi-la e administrar o pífio., para mais a frente arrumar a carga e parar para manutenção.
    Mas os anéis foram em 2014 e os dedos estão indo….
    Só o atavismo social ancestral me mostra uma luz.
    Os que estavam no barco já são náufragos.
    Nós ainda estamos naquele trem….
    Há uma saída digna para a maquinista não honrada.
    O Novo Condutor terá muito trabalho e nós teremos que empurrar a Maria Fumaça morro acima com a carga avariada e com passageiros indesejáveis.

  2. Sem sombra de dúvida, este ano será um ano difícil, difícil para todos. Exercer o otimismo em um ano deste não é um execício fácil. O trem bala foi freado muito mais que repentinamente, sem aviso prévio, sem planejamento, sem, principalmente, compromisso coerente, mostrando um plano de governo, e, depois de escolhido, pondo em prátia o avesso do plano apresentado. O pior de tudo, todos nós, passageiros, imaginávamos um itinerário e fomos para outro, totalmente diverso. E agora? O que fazer? Para todos não naufragarmos juntos é necessário, absolutamente necessário, neste momento, paciência, compreensão, segurança, confiança, altruísmo, solidariedade e Fé.

  3. Apesar da crise ser muito séria, realmente, o Brasil tem uma vantagem imensa em relação a maioria dos países do mundo, mal comparando, só vejo um com o mesmo poder de recuperação, que é o EUA, e, na Europa, a Itália. O que falta no Brasil é o povo se habituar à tratar políticos como o funcionário de uma empresa, que quando não tem competência, ou rouba, demite-se imediatamente, pela incompetência, e, deixa a justiça resolver a parte do roubo. Gostaria que pessoas com influência de formar opiniões ensinassem que política não deve ser tratada com paixão ou apego ou ódio, não é um time de futebol que nos dá alegria ou tristeza no domingo, mas, sim, mexe com a nossa vida toda, planos, futuro, lazer, é muito sério,e, infelizmente vemos pessoas chamando a Presidente de mãe, ou outros de ladra, quando na verdade é uma gestora dos bens.

  4. Realmente a crise está aí e precisamos ter foco, dizer não ao desperdiço em todos os âmbitos . Em tempos de crise é que crescemos como pessoas não podemos nos deixar se levar pelo pessimismo é sim pela criatividade de ser um ser humano melhor , pensando sempre no próximo .

  5. Esse é o olhar dos nossos políticos sobre o Brasil, ainda que no mesmo território, indiferentes para com quem os elege e preocupados apenas com o próprio interesse:
    http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/06/1636204-favela-com-12-mil-pessoas-cresce-a-17-km-do-palacio-do-planalto.shtml
    http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/05/1631662-cunha-vence-e-deputados-dao-aval-a-construcao-de-shopping-na-camara.shtml

    Cabe egoismo a um político? E indiferença? E inércia nessa situação? E ao magistrado?

  6. Dignificai-vos!!!

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